Pro­cu­ra­do­res mar­cam três di­as de gre­ve em Fevereiro

De­ci­são de pa­rar nos di­as 25, 26 e 27 de Fevereiro foi to­ma­da on­tem. Sin­di­ca­to ad­mi­te que po­de não fi­car por aqui

Edição Público Lisboa - - POLÍTICA - Jus­ti­ça Ana Cris­ti­na Pe­rei­ra

O Sin­di­ca­to dos Ma­gis­tra­dos do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co (SMMP) anun­ci­ou on­tem à noi­te que vai de­cre­tar uma gre­ve pa­ra os di­as 25, 26 e 27 de Fevereiro. Pri­mei­ro abran­ge­rá o país in­tei­ro, de­pois o Nor­te e o Cen­tro, por fim, no úl­ti­mo dia, Lis­boa e Sul.

As da­tas fo­ram avan­ça­das pe­lo pre­si­den­te do sin­di­ca­to, An­tó­nio Ven­ti­nhas, no fim de uma as­sem­bleia de de­le­ga­dos, à por­ta fe­cha­da, em Lis­boa, que ti­nha co­mo pon­to úni­co da agen­da a aná­li­se das “pers­pec­ti­vas de al­te­ra­ções do Es­ta­tu­to do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co”, a de­fi­ni­ção de for­mas de lu­ta e es­tra­té­gi­as de mo­bi­li­za­ção.

Ven­ti­nhas ex­pli­cou que os de­le­ga­dos de­ci­di­ram fa­zer “um dia de gre­ve em to­do o país, um dia nos dis­tri­tos ju­di­ci­ais do Por­to e de Coim­bra e ou­tro nos de Lis­boa e Évora”, mas po­dem não fi­car por aí. “Sal­va­guar­dá­mos a hi­pó­te­se de mar­car no­vos pe­río­dos, con­so­an­te a evo­lu­ção das ne­go­ci­a­ções.”

Em cau­sa es­tá, so­bre­tu­do, a re­vi­são do es­ta­tu­to do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co (MP), que se en­con­tra na As­sem­bleia da Re­pú­bli­ca. PS e PSD ma­ni­fes­ta­ram in­ten­ção de al­te­rar a com­po­si­ção do Con­se­lho Su­pe­ri­or do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co (CSMP), di­mi- nuin­do o nú­me­ro de ma­gis­tra­dos e ele­van­do o de mem­bros in­di­ca­dos pe­lo po­der po­lí­ti­co. Em De­zem­bro, já de­pois de o SMMP ter anun­ci­a­do que fa­ria gre­ve, o PS emi­tiu um co­mu­ni­ca­do: “Não é propósito do gru­po parlamentar do PS al­te­rar o cri­té­rio de ga­ran­tia de uma mai­o­ria de ma­gis­tra­dos do MP su­pe­ri­or aos ele­men­tos elei­tos ou de­sig­na­dos fo­ra des­sa ma­gis­tra­tu­ra.”

O sin­di­ca­to con­si­de­ra es­tar em cau­sa a in­de­pen­dên­cia do MP. O CSMP é res­pon­sá­vel pe­la dis­ci­pli­na e pe­la ges­tão dos pro­cu­ra­do­res e es­co­lhe vá­ri­as fi­gu­ras do to­po da hi­e­rar­quia do MP — é o ca­so do vi­ce­pro­cu­ra­dor-ge­ral da Re­pú­bli­ca e do di­rec­tor do De­par­ta­men­to Cen­tral de In­ves­ti­ga­ção e Ac­ção Pe­nal, on­de se in­ves­ti­ga a cri­mi­na­li­da­de eco­nó­mi­co-fi­nan­cei­ra mais com­ple­xa. Na pro­pos­ta apre­sen­ta­da pe­la ministra da Jus­ti­ça na As­sem­bleia da Re­pú­bli­ca, man­tém-se o ac­tu­al equi­lí­brio de for­ças: cin­co mem­bros elei­tos pe­lo Par­la­men­to, dois no­me­a­dos pe­la tu­te­la, se­te elei­tos pe­los seus pa­res e qua­tro a per­ten­ce­rem à hi­e­rar­quia do MP. Mas Ven­ti­nhas entende que “não es­tão cri­a­das con­di­ções de con­fi­an­ça que per­mi­tam afir­mar que o pro­ces­so de re­vi­são es­ta­tu­tá­ria se­rá le­va­do a bom por­to”.

Há ou­tros mo­ti­vos de des­con­ten­ta­men­to. “As mais de 50 ques­tões que in­tro­du­zi­mos em re­la­ção à pro­pos­ta ini­ci­al do Mi­nis­té­rio da Jus­ti­ça ain­da não es­tão re­sol­vi­das”, diz. Por exem­plo, “ques­tões re­la­ci­o­na­das com a mo­bi­li­da­de dos ma­gis­tra­dos”. [email protected]­bli­co.pt

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