CDS quer re­for­ma sem pe­na­li­za­ção aos 65 anos pa­ra pais de fa­mí­li­as nu­me­ro­sas

Par­ti­do apre­sen­ta­rá pa­co­te le­gis­la­ti­vo pa­ra in­cen­ti­var a na­ta­li­da­de que in­clui re­du­ção do IMI con­so­an­te o nú­me­ro de fi­lhos

Edição Público Porto - - POLÍTICA - So­fia Ro­dri­gues sro­dri­gues@pu­bli­co.pt

O CDS-PP quer per­mi­tir aos pais que te­nham mais de dois fi­lhos que se apo­sen­tem aos 65 anos, a ida­de le­gal da re­for­ma sem fac­tor de sus­ten­ta­bi­li­da­de. Es­ta é uma das medidas de um pa­co­te le­gis­la­ti­vo pa­ra in­cen­ti­var a na­ta­li­da­de que vai ser discutido no Par­la­men­to no fi­nal do mês. Al­gu­mas pro­pos­tas são re­cu­pe­ra­das de pa­co­tes an­te­ri­o­res, ou­tras são no­vas.

A ideia do CDS é que não se­ja apli­ca­do o fac­tor de sus­ten­ta­bi­li­da­de (pe­na­li­za­ção de tem­po as­so­ci­a­da à es­pe­ran­ça mé­dia de vi­da) aos tra­ba­lha­do­res que re­que­rem a pen­são aos 65 anos e te­nham mais de dois fi­lhos. Os que têm dois fi­lhos te­ri­am uma re­du­ção de 50% nes­sa pe­na­li­za­ção.

Num pa­co­te de se­te pro­jec­tos de lei e dois de re­so­lu­ção, o CDS-PP vol­ta a co­lo­car na agen­da as ques­tões da na­ta­li­da­de e da de­mo­gra­fia, apro­vei­tan­do o dis­cur­so dos úl­ti­mos di­as so­bre o seu pa­pel “li­de­ran­te” na opo­si­ção.

“Infelizmente, o pro­ble­ma da na­ta­li­da­de man­tém-se. Qu­e­re­mos mos­trar que temos uma ati­tu­de li­de­ran­te das po­lí­ti­cas co­mo uma al­ter­na­ti­va ao Go­ver­no e sem ir a re­bo­que de ou­tros”, afir­mou ao PÚ­BLI­CO o de­pu­ta­do Fi­li­pe Ana­co­re­ta Correia.

Co­mo pro­pos­ta de al­te­ra­ção à lei, o CDS-PP quer isen­tar de IVA to­das as en­ti­da­des pro­mo­to­ras de creches, jar­dins-de-in­fân­cia e la­res, um be­ne­fí­cio que ac­tu­al­men­te só abran­ge as IPSS. A ní­vel fis­cal, os cen­tris­tas re­cu­pe­ram ain­da o quo­ci­en­te fa­mi­li­ar, pa­ra re­for­çar o be­ne­fí­cio a par­tir do ter­cei­ro fi­lho, que foi re­vo­ga­do pe­lo ac­tu­al Go­ver­no.

Ain­da na área da fis­ca­li­da­de, o CDS pro­põe uma re­du­ção pro­gres­si­va do IMI con­so­an­te o nú­me­ro de fi­lhos. O be­ne­fí­cio, que já é apli­ca­do por al­guns mu­ni­cí­pi­os, de­ve­rá ser alargado a to­dos, de acor­do com a pro­pos­ta cen­tris­ta, que apon­ta pa­ra uma descida des­te im­pos­to no va­lor do imó­vel em 10%, 15% e 25% no ca­so de um, dois, três ou mais fi­lhos, res­pec­ti­va­men­te.

Ou­tra no­vi­da­de des­te pa­co­te é o be­ne­fí­cio atri­buí­do às em­pre­sas “ami­gas da con­ci­li­a­ção do tra­ba­lho com a vi­da fa­mi­li­ar, da igual­da­de de gé­ne­ro e da na­ta­li­da­de”. As em­pre­sas têm di­rei­to a uma re­du­ção da con­tri­bui­ção pa­ra a Se­gu­ran­ça So­ci­al quan­do pro­mo­vem me­ca­nis­mos fa­vo­rá­veis aos tra­ba­lha­do­res a ní­vel de fle­xi­bi­li­da­de do lo­cal de tra­ba­lho, do ho­rá­rio e de car­rei­ra.

É as­sim tam­bém no ca­so de te­rem 30% de mu­lhe­res nos qua­dros su­pe­ri­o­res e de in­te­gra­rem 30% dos tra­ba­lha­do­res que são mem­bros de fa­mí­li­as com três fi­lhos ou mais.

A con­ci­li­a­ção entre vi­da fa­mi­li­ar e pro­fis­si­o­nal é tam­bém vi­sa­da nu­ma pro­pos­ta que o CDS quer ter no seu pro­gra­ma elei­to­ral mas que an­te­ci­pa já ain­da que em for­ma de re­co­men­da­ção pa­ra ser dis­cu­ti­da em con­cer­ta­ção so­ci­al: o alar­ga­men­to do di­rei­to ao tra­ba­lho à dis­tân­cia a tra­ba­lha­do­res com fi­lhos me­no­res. Ou­tra re­co­men­da­ção é a da cri­a­ção de ta­ri­fas es­pe­ci­ais no gás e elec­tri­ci­da­de ten­do em con­ta o nú­me­ro de pes­so­as que com­põe o agre­ga­do fa­mi­li­ar.

O nú­me­ro de fi­lhos tam­bém se­ria pre­pon­de­ran­te na isen­ção das ta­xas mo­de­ra­do­ras da saú­de que são pa­gas pe­los pais. “Não é jus­to que uma fa­mí­lia com­pos­ta por um ca­sal sem fi­lhos e com um ren­di­men­to de 1200 eu­ros es­te­ja isen­to e que um ca­sal com três fi­lhos que ga­nhe 1300 eu­ros não es­te­ja”, afir­ma Fi­li­pe Ana­co­re­ta Correia.

As pro­pos­tas vão ser dis­cu­ti­das no Par­la­men­to no dia 27.

Bai­xa na­ta­li­da­de pre­o­cu­pa CDS, as­su­me Fi­li­pe Ana­co­re­ta Correia

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