In­ves­ti­men­to de 170 milhões na CP vai de­mo­rar a sair do pa­pel

Ne­nhu­ma das me­di­das anun­ci­a­das pe­lo Go­ver­no vai ter efei­tos no cur­to pra­zo

Edição Público Porto - - PRIMEIRA PÀGINA - Car­los Ci­pri­a­no car­los.ci­pri­a­no@pu­bli­co.pt

De­pois de um Verão em que a trans­por­ta­do­ra pú­bli­ca foi notícia qua­se diá­ria de­vi­do à si­tu­a­ção de rup­tu­ra pro­vo­ca­da pela fal­ta de ma­te­ri­al cir­cu­lan­te e de pes­so­al, o Go­ver­no des­do­brou-se em promessas de in­ves­ti­men­to no sec­tor fer­ro­viá­rio. Mas a si­tu­a­ção vai con­ti­nu­ar a pi­o­rar. O PÚ­BLI­CO ex­pli­ca por que motivo ne­nhu­ma das me­di­das anun­ci­a­das te­rá qual­quer efi­cá­cia nos pró­xi­mos me­ses.

Com­pra de no­vos com­boi­os

O Go­ver­no anun­ci­ou que vai lan­çar um con­cur­so pú­bli­co para ad­qui­rir 22 no­vos com­boi­os para ser­vi­ço regional, dos quais dez se­rão eléc­tri­cos e 12 híbridos (ap­tos a cir­cu­lar em mo- do di­e­sel e mo­do eléc­tri­co). Tra­ta­se de um con­cur­so de 170 milhões de eu­ros que, em­bo­ra já anun­ci­a­do vá­ri­as ve­zes des­de o iní­cio do ano, tar­da em con­cre­ti­zar-se. Se for lan­ça­do nos pró­xi­mos me­ses, na me­lhor das hi­pó­te­ses, os no­vos com­boi­os só se­rão en­tre­gues em 2023. Em vez de ape­nas 22 com­boi­os regionais, a pro­pos­ta da an­te­ri­or administração da CP, en­tre­gue ao exe­cu­ti­vo em Fe­ve­rei­ro des­te ano, era de 25 com­boi­os mais dez de lon­go cur­so. O Go­ver­no nunca ex­pli­cou por que motivo re­viu em baixa es­tas ne­ces­si­da­des, mas diz que a fal­ta de in­ves­ti­men­to em ma­te­ri­al de lon­go cur­so na­da tem que ver com qual­quer in­ten­ção de pri­va­ti­za­ção ou con­ces­são des­se ser­vi­ço.

Em 2009, ainda no Go­ver­no de Só­cra­tes, a ne­ces­si­da­de de com­boi­os para a CP foi avaliada em 74 com- boi­os (49 eléc­tri­cos e 25 a di­e­sel), ten­do si­do aber­to um con­cur­so pú­bli­co que de­pois não se con­cre­ti­zou.

Aluguer à Ren­fe

O aluguer de mais qu­a­tro au­to­mo­to­ras à es­pa­nho­la Ren­fe é um pa­li­a­ti­vo que es­tá lon­ge de col­ma­tar as ne­ces­si­da­des da CP — mas é o pos­sí­vel. Num pri­mei­ro mo­men­to, a Ren­fe dis­se que ti­nha to­dos os seus com­boi­os em cir­cu­la­ção, não ha­ven­do ma­te­ri­al dis­po­ní­vel para aluguer a Portugal, mas pou­cos dias de­pois as du­as em­pre­sas anun­ci­a­vam que ti­nham che­ga­do a acor­do para o aluguer de qu­a­tro au­to­mo­to­ras.

Qu­es­ti­o­na­da pe­lo PÚ­BLI­CO so­bre este vol­te-fa­ce, fonte ofi­ci­al da em­pre­sa es­pa­nho­la dis­se que “a Ren­fe com­pra com­boi­os para os ter to­dos em cir­cu­la­ção e não para es­ta­rem pa­ra­dos nu­ma ofi­ci­na”, acres­cen­tan­do que “vão-se me­lho­rar as ro­ta­ções de ma­te­ri­al e ofe­re­cer-se com­boi­os à CP”.

Es­sas qu­a­tro uni­da­des, iguais às ou­tras 20 au­to­mo­to­ras es­pa­nho­las (ini­ci­al­men­te eram 17) que já cir­cu­lam em Portugal (e pe­las quais a CP pa­ga se­te milhões de eu­ros por ano à Ren­fe), são tam­bém ma­te­ri­al bas­tan­te en­ve­lhe­ci­do — da­tam de iní­ci­os dos anos 80 e foram re­no­va­das em 1996.

Te­rão de ser al­vo de re­pa­ra­ções e, so­bre­tu­do, in­cor­po­rar tec­no­lo­gia a bor­do que per­mi­ta “ler” a si­na­li­za­ção em Portugal. Por is­so, só es­ta­rão em fun­ci­o­na­men­to, na me­lhor das hi­pó­te­ses, no pri­mei­ro tri­mes­tre de 2019.

Ad­mis­são de 102 tra­ba­lha­do­res para a EMEF

Se as ofi­ci­nas da CP ti­ves­sem pes­so­al su­fi­ci­en­te, a si­tu­a­ção da rup­tu­ra que a em­pre­sa vi­ve não se te­ria ve­ri­fi­ca­do, pois, ape­sar de ve­lho, o ma­te­ri­al cir­cu­lan­te seria re­pa­ra­do atem­pa­da­men­te.

O Go­ver­no anun­ci­ou ago­ra o re­cru­ta­men­to de 102 tra­ba­lha­do­res para a EMEF, mas a me­di­da tar­da­rá a dar re­sul­ta­dos. Por dois mo­ti­vos: em 2010 a EMEF ti­nha 1552 tra­ba­lha­do­res. Hoje tem 1067. E só no pri­mei­ro se­mes­tre des­te ano saí­ram 68. Os 102 que vão ser ad­mi­ti­dos re­pre­sen­tam uma quin­ta parte dos que saí­ram nos úl­ti­mos oito anos.

Por ou­tro lado, o re­cru­ta­men­to e fa­se de apren­di­za­gem dos no­vos ope­rá­ri­os le­va­rá, pe­lo me­nos, no­ve me­ses a dar fru­tos, pe­lo que até lá au­to­mo­to­ras, lo­co­mo­ti­vas e car­ru­a­gens vão con­ti­nu­ar imo­bi­li­za­dos à por­ta das ofi­ci­nas.

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