Cons­tru­to­ras pe­dem mais fa­ci­li­da­des na cir­cu­la­ção de tra­ba­lha­do­res

Edição Público Porto - - DESTAQUE - Luí­sa Pinto

As em­pre­sas de cons­tru­ção por­tu­gue­sas es­tão em 38 paí­ses, mas ne­nhum de­les tem o pe­so que tem Angola. O mer­ca­do an­go­la­no re­pre­sen­ta 52% do vo­lu­me de ne­gó­cio das em­pre­sas da cons­tru­ção e es­ta per­cen­ta­gem diz qua­se tu­do so­bre a im­por­tân­cia de um mer­ca­do que lhes é “crucial”. Por is­so, o sec­tor en­ca­ra com mui­tos bons olhos a “normalização das relações” en­tre os dois paí­ses, as­si­na­la­da com as vi­si­tas do pri­mei­ro-mi­nis­tro a Angola (ago­ra), e a vin­da do Presidente an­go­la­no a Portugal (em No­vem­bro). “Is­so é o mais im­por­tan­te”, dis­se ao PÚ­BLI­CO o presidente da Con­fe­de­ra­ção Por­tu­gue­sa da Cons­tru­ção e do Imo­bi­liá­rio (CPCI), Reis Cam­pos.

No me­mo­ran­do que a CPCI pre­pa­rou para en­tre­gar às du­as de­le­ga­ções não cons­tam ape­nas as pre­o­cu­pa­ções re­la­ti­vas ao fi­nan­ci­a­men­to das em­pre­sas, ao pa­ga­men­to das dívidas, à acei­ta­ção e con­ver­são de con­tra­tos, ou à ins­ta­bi­li­da­de cam­bi­al. “Os pro­ble­ma dos fi­nan­ci­a­men­to exis­tem, há dívidas acu­mu­la­das, há pa­ga­men­tos em atra­so”, diz Reis Cam­pos. A con­fe­de­ra­ção, con­tu­do, quer dei­xar ou­tro ti­po de su­ges­tões aos res­pon­sá­veis po­lí­ti­cos dos dois paí­ses no que se re­fe­re a uma mai­or flui­dez na cir­cu­la­ção de pes­so­as. “De­fen­de­mos uma li­vre cir­cu­la­ção de estudantes e tam­bém a en­tra­da em Portugal de tra­ba­lha­do­res an­go­la­nos que já es­tão em em­pre­sas de ca­pi­tal por­tu­guês, e cu­ja vin­da para Portugal de­ve­ria ser en­ca­ra­da com um re­a­lis­mo di­fe­ren­te”, afir­ma Reis Cam­pos.

O presidente da CPCI re­fe­re que uma das prin­ci­pais pre­o­cu­pa­ções do sec­tor, nes­te mo­men­to, passa pela in­fla­ção do custo da mão-de-obra, de­vi­do à es­cas­sez de re­cur­sos em Portugal. “Há muita di­fi­cul­da­de em en­con­trar tra­ba­lha­do­res, e nós queremos con­tri­buir para a for­ma­ção des­ses pro­fis­si­o­nais. Te­mos cen­tros de for­ma­ção pro­to­co­lar de pri­mei­rís­si­ma água, e es­ta era tam­bém uma forma de con­tri­buir para o de­sen­vol- vi­men­to de Angola”, ar­gu­men­ta o presidente da con­fe­de­ra­ção.

Ape­sar da cri­se eco­nó­mi­ca que en­fren­ta, as em­pre­sas por­tu­gue­sas nunca dei­xa­ram de re­co­nhe­cer um enor­me po­ten­ci­al ao mer­ca­do an­go­la­no. Foi um mer­ca­do em que o sec­tor fac­tu­ra­va cerca de dois mil milhões de eu­ros (o pi­co foi em 2013), mas do qual as em­pre­sas tei­ma­ram em não sair, mes­mo qu­an­do esse va­lor des­ceu, em 2016, para os 1157 milhões. “É um mer­ca­do que co­nhe­ce­mos bem, sabemos co­mo fun­ci­o­na e, so­bre­tu­do, que tem um enor­me po­ten­ci­al. Bas­ta pensar nas in­fra-es­tru­tu­ras que pre­ci­sa de cons­truir para fa­zer fa­ce à explosão de­mo­grá­fi­ca que se adi­vi­nha para Áfri­ca. Já nós, em Portugal, vi­ve­mos o pro­ble­ma con­trá­rio, e va­mos en­fren­tar a per­da po­pu­la­ci­o­nal”, con­clui Reis Cam­pos.

Su­bli­nha ainda a re­si­li­ên­cia que as em­pre­sas por­tu­gue­sas têm man­ti­do no mer­ca­do an­go­la­no, re­pe­te a im­por­tân­cia que ele tem, mas re­cor­da que não são só as em­pre­sas por­tu­gue­sas que ac­tu­am no mer­ca­do afri­ca­no: “Somos o quar­to país eu­ro­peu com pre­sen­ça no mer­ca­do afri­ca­no. À nos­sa frente es­tão a Fran­ça, a Itá­lia e a Tur­quia. Não nos po­de­mos dar ao lu­xo de nos dis­trair­mos e per­de­mos este comboio. Os outros paí­ses tam­bém já lá es­tão.”

De­fen­de­mos a en­tra­da em Portugal de tra­ba­lha­do­res an­go­la­nos que já es­tão em em­pre­sas de ca­pi­tal por­tu­guês Reis Cam­pos Presidente da Con­fe­de­ra­ção Por­tu­gue­sa da Cons­tru­ção e do Imo­bi­liá­rio

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