Al­go­rit­mo

Edição Público Porto - - ESPAÇO PÚBLICO -

O PÚ­BLI­CO de on­tem traz um ar­ti­go de Ar­lin­do Oli­vei­ra — “Com­pu­ta­do­res, al­go­rit­mos e éti­ca” — muito di­dác­ti­co so­bre o segundo item e sua apli­ca­ção na in­te­li­gên­cia ar­ti­fi­ci­al. Só que na con­clu­são, so­bre a sua re­la­ção com a éti­ca (e a mo­ra­li­da­de), dei­xou­me “con­fu­so”. Is­to no co­te­jo que fiz com a lei­tu­ra con­co­mi­tan­te do li­vro de Yu­val No­ah Ha­ra­ri (Y.N.H.), 21 Li­ções para o Sé­cu­lo XXI (pá­gi­nas 71 a 78). É que este úl­ti­mo diz que a in­te­li­gên­cia ar­ti­fi­ci­al não tem e nem vai ter consciência e por­tan­to os er­ros éti­cos pro­vêm da “es­tu­pi­dez na­tu­ral do ser hu­ma­no”, don­de o “pe­ri­go” ser dos bots ma­ni­pu­la­do­res. Is­to, en­quan­to Ar­lin­do Oli­vei­ra “cul­pa” mes­mo os al­go­rit­mos pela “uti­li­za­ção” que se faz de­les, qua­se co­mo na fic­ção em que os robôs se re­be­lam e ma­ni­pu­lam. Em que fi­ca­mos: con­ti­nua a ser o ser hu­ma­no com a sua “es­tu­pi­dez (e mal­da­de) na­tu­rais, ou se­rá a in­te­li­gên­cia ar­ti­fi­ci­al in­cor­po­ra­da que se revolta e tor­na cri­a­do­ra? Ou se­ja... além da in­te­li­gên­cia ga­nha tam­bém consciência... e éti­ca... Fernando Cardoso Ro­dri­gues, Por­to o gas­te em nos­so be­ne­fí­cio e não em pro­vei­to de al­guns agen­tes do Estado. Co­mo ci­da­dão te­nho dú­vi­da (ra­zoá­vel) que não ha­ja cor­rup­ção, is­to é, apro­pri­a­ção in­de­vi­da do nos­so di­nhei­ro, em todo o ne­gó­cio dos Ka­mov. Ha­ve­rá nes­te país al­gum jor­na­lis­ta que se in­te­res­se so­bre este te­ma e fa­ça uma investigação a fun­do? Is­to sim, seria um óp­ti­mo ser­vi­ço pú­bli­co! Eze­qui­el Ne­ves, Lis­boa a opinião pú­bli­ca, em que os va­lo­res mo­ne­tá­ri­os se so­bre­põem aos va­lo­res mo­rais, o que aca­ba tam­bém por ser uma afron­ta aos mais pobres, re­ve­lan­do co­mo o di­nhei­ro fa­la mais al­to, e co­mo se faz ne­gó­ci­os de milhões com a vi­da das pes­so­as. Cu­ri­o­sa­men­te sem ser no futebol, ou em al­tos car­gos bem re­mu­ne­ra­dos, uma grande per­cen­ta­gem dos de­mais ci­da­dãos exer­ce tam­bém a ac­ti­vi­da­de pro­fis­si­o­nal com de­di­ca­ção com ze­lo, mui­tas ve­zes ab­di­can­do das famílias, e co­lo­ca­dos pe­ran­te de­sa­fi­os sem se­rem de­vi­da­men­te com­pen­sa­dos pe­lo esforço em­pre­en­di­do. Nu­ma so­ci­e­da­de com va­lo­res de­tur­pa­dos, na qual os ci­da­dãos pre­ci­sam de se sen­tir mo­ti­va­dos, é pou­co relevante um ca­nu­do ou um título, por­que se uns têm a te­o­ria, outros têm a prá­ti­ca, com a apren­di­za­gem na es­co­la da vi­da. Amé­ri­co Lourenço, Sines

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