Es­ta­do põe co­mi­da na me­sa de 73 mil pes­so­as

Edição Público Porto - - DESTAQUE - Ana Cris­ti­na Pe­rei­ra

Oob­jec­ti­vo era pôr co­mi­da na me­sa de 60 mil pes­so­as. Vol­vi­do um ano, os no­vos ca­ba­zes ali­men­ta­res do Programa Ope­ra­ci­o­nal de Apoio às Pes­so­as Mais Ca­ren­ci­a­das — que há um ano co­me­çou a subs­ti­tuir, de for­ma gra­du­al, a Re­de So­li­dá­ria de Can­ti­nas So­ci­ais — en­tram na ca­sa de mais de 73 mil pes­so­as.

Há mui­ta gen­te de fo­ra. Con­sul­tan­do ins­ti­tui­ções que acom­pa­nham quem vi­ve na po­bre­za ex­tre­ma per­ce­be-se a dis­tân­cia en­tre a ofer­ta e a pro­cu­ra. A Agência de De­sen­vol­vi­men­to In­te­gra­do de Lor­de­lo do Ou­ro, por exem­plo, si­na­li­zou cerca de 400 fa­mí­li­as e viu no­ve se­rem con­tem­pla­das com es­te apoio.

O mi­nis­tro do Tra­ba­lho, da So­li­da­ri­e­da­de e da Se­gu­ran­ça Social, Vi­ei­ra da Silva, lem­bra que “es­te é um programa comunitário que tem um or­ça­men­to pró­prio”. Vi­e­ram 70 mi­lhões de eu­ros do Fun­do de Au­xí­lio Eu­ro­peu às Pes­so­as mais Ca­ren­ci­a­das pa­ra 2018 e 2019. “Po­de­ria di­ri­gir-se ao tri­plo das pes­so­as, mas com ní­veis de apoio mui­to mais bai­xos, mas is­so não mo­di­fi­ca­ria a si­tu­a­ção das pes­so­as”, de­fen­de, lem­bran­do que há ou­tras me­di­das de apoio e que os Ban­cos Ali­men­ta­res con­tra a Fo­me con­ti­nu­am a fa­zer um tra­ba­lho pa­ra­le­lo (cu­ri­o­sa­men­te, o nú­me­ro de pes­so­as apoi­a­das por es­sas es­tru­tu­ras es­tá a cair, ten­do pas­sa­do de 436 mil em 2015 pa­ra 370 mil em 2017).

O programa ar­ran­cou com um ano e meio de atra­so. “Te­ve uma al­te­ra­ção mui­to pro­fun­da”, re­cor­da Vi­ei­ra da Silva. “No pas­sa­do, os apoi­os eram mais ou me­nos ca­suís­ti­cos. O que nós fi­ze­mos, em co­la­bo­ra­ção com o Mi­nis­té­rio da Saú­de, foi de­fi­nir um ca­baz que cor­res­pon­de a 50% das ne­ces­si­da­des nu­tri­ci­o­nais das fa­mí­li­as”, re­cor­da.

Além de ar­roz, mas­sa, fei­jão, grão­de-bi­co, ce­re­ais de pe­que­no-al­mo­ço, atum em lata, sar­di­nhas em lata, lei­te ul­tra­pas­teu­ri­za­do, to­ma­te pe­la­do, azei­te e mar­me­la­da, o ca­baz traz con­ge­la­dos (fran­go, pes­ca­da, mis­tu­ra de ve­ge­tais, es­pi­na­fres e bró­co­los) e re­fri­ge­ra­dos (quei­jo e mar­ga­ri­na). Até 23 de Ou­tu­bro, ti­nham si­do en­tre­gues 10.066 to­ne­la­das de bens ali­men­ta­res a um to­tal de 27.702 fa­mí­li­as.

No iní­cio, as or­ga­ni­za­ções mos­tra­ram reservas. Era pre­ci­so mon­tar uma re­de ca­paz de con­ser­var ali­men­tos con­ge­la­dos. E a lo­gís­ti­ca é in­trin­ca­da. Ca­be ao Ins­ti­tu­to de Se­gu­ran­ça Social re­ce­ber os ali­men­tos dos for­ne­ce­do­res. To­dos os me­ses, tem de os en­tre­gar às as­so­ci­a­ções que co­or­de­nam os 135 ter­ri­tó­ri­os em que o país foi di­vi­di­do. Es­sas, por sua vez, dis­tri­bu­em-nos pe­las vá­ri­as en­ti­da­des que tra­ba­lham a ní­vel lo­cal. Daí é que se­guem pa­ra as fa­mí­li­as.

A ac­ção não se re­su­me à en­tre­ga de ali­men­tos Além de dis­tri­buir os ali­men­tos se­cos e não pe­re­cí­veis uma vez por mês e os re­fri­ge­ra­dos e con­ge­la­dos uma vez por se­ma­na, as equi­pas de­vem acom­pa­nhar os des­ti­na­tá­ri­os. A ideia é aju­dá-las a me­lhor fa­zer a ges­tão da vi­da do­més­ti­ca.

“É um no­vo programa com uma no­va am­bi­ção e es­tá com as di­fi­cul­da­des que as coi­sas no­vas têm, mas as ava­li­a­ções que te­mos ti­do são po­si­ti­vas re­la­ti­va­men­te as mu­dan­ças que pro­vo­cou na vi­da das pes­so­as”, ga­ran­te Vi­ei­ra da Silva. “Es­tá a mo­di­fi­car os ní­veis de pri­va­ção e a ga­ran­tir a au­to­no­mia das pes­so­as na res­pos­ta a ou­tras ne­ces­si­da­des.”

Os úl­ti­mos da­dos do Ins­ti­tu­to Na­ci­o­nal de Es­ta­tís­ti­ca mos­tram que a ta­xa de pri­va­ção ma­te­ri­al es­tá a des­cer. Ain­da as­sim, ten­do em con­ta os ren­di­men­tos de 2017, 2,4% da po­pu­la­ção por­tu­gue­sa não tinha ca­pa­ci­da­de pa­ra ter uma re­fei­ção de car­ne, pei­xe ou equi­va­len­te ve­ge­ta­ri­a­no pe­lo me­nos de dois em dois di­as.

Até 23 de Ou­tu­bro, ti­nham si­do en­tre­gues 10.066 to­ne­la­das de bens ali­men­ta­res a 27.702 fa­mí­li­as

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