O la­do ne­gro do Blo­co Cen­tral

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Ai­deia de Blo­co Cen­tral de­sa­gra­da a meio mun­do (An­tó­nio Cos­ta e Mar­ce­lo Re­be­lo de Sousa in­cluí­dos), por­que a ali­an­ça en­tre os dois mai­o­res par­ti­dos é inú­til pa­ra apre­sen­tar pro­jec­tos de re­for­ma úteis pa­ra os ci­da­dãos e competente pa­ra con­cer­tar po­lí­ti­cas que de­fen­dem os seus um­bi­gos. A mais re­cen­te pro­va des­se ins­tin­to pro­tec­tor de um blo­co de in­te­res­ses foi es­ta se­ma­na ma­ni­fes­ta­da pe­los de­pu­ta­dos Jor­ge La­cão, do PS, e de Car­los Pei­xo­to, do PSD em torno do no­vo Es­ta­tu­to dos Ma­gis­tra­dos do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co. De­pois do pro­ces­so de subs­ti­tui­ção de Jo­a­na Mar­ques Vi­dal ter sus­ci­ta­do dú­vi­das so­bre uma ten­ta­ti­va de in­ge­rên­cia do poder po­lí­ti­co na es­fe­ra ju­di­ci­al, os dois de­pu­ta­dos es­tão de acor­do so­bre a ne­ces­si­da­de de se al­te­rar a com­po­si­ção do Con­se­lho Su­pe­ri­or do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co (CSMP), re­du­zin­do o nú­me­ro de pro­cu­ra­do­res e au­men­tan­do as no­me­a­ções po­lí­ti­cas.

La­cão, ve­lha ra­po­sa do par­la­men­ta­ris­mo, foi cui­da­do­so ao ex­pres­sar os seus de­se­jos, de­fen­den­do “so­lu­ções que não são isen­tas de con­tro­vér­sia”, en­tre as quais in­clui, cla­ro es­tá, os “cri­té­ri­os de re­pre­sen­ta­ção no CSMP”. Já o de­pu­ta­do do PSD foi trans­pa­ren­te e de­fen­deu uma com­po­si­ção mais “pa­ri­tá­ria”. Quer um, quer ou­tro sa­bem que num tem­po em que a Jus­ti­ça se em­pe­nhou em in­ves­ti­gar e a acu­sar po­lí­ti­cos, qual­quer ou­sa­dia que ten­da a di­mi­nuir a au­to­no­mia dos ór­gãos do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co se­rá vis­ta co­mo si­nal do ins­tin­to de so­bre­vi­vên­cia de uma par­te da es­pé­cie ame­a­ça­da pe­lo com­ba­te ao ne­po­tis­mo ou à cor­rup­ção. Mas nem is­so os ini­be de con­tra­ri­ar a mi­nis­tra da Jus­ti­ça, que lhes lem­brou as bo­as prá­ti­cas in­ter­na­ci­o­nais, nem os pró­pri­os pro­cu­ra­do­res, que se apres­sa­ram a pro­tes­tar con­tra a “pres­sa” do Blo­co Cen­tral em “do­mi­nar o Mi­nis­té­rio Pú­bli­co”.

Cla­ro que es­tas ve­lei­da­des de­ram lu­gar a um si­lên­cio das cú­pu­las do PSD e do PS so­bre a ma­té­ria. Ain­da as­sim, é pos­sí­vel ad­mi­tir que o de­se­jo de Jor­ge La­cão se­rá par­ti­lha­do por al­guns mem­bros da sua ban­ca­da, mas não pe­lo Go­ver­no, e que o ape­lo de Car­los Pei­xo­to é a ex­pres­são da von­ta­de do seu lí­der. Mes­mo que ques­ti­o­ne a ac­tu­al au­to­no­mia dos pro­cu­ra­do­res, o PS es­tá de mãos ata­das pe­lo fan­tas­ma da Ope­ra­ção Marquês. Já no PSD o que es­tá em cau­sa é uma pul­são ide­o­ló­gi­ca que ten­de a exe­crar os me­ca­nis­mos cons­ti­tu­ci­o­nais de equi­lí­brio dos po­de­res — me­ter os pro­cu­ra­do­res, ou os jor­na­lis­tas, na or­dem é uma ve­lha am­bi­ção de Rui Rio. Com um Blo­co Cen­tral as­sim, o me­lhor mes­mo é es­tar atento. ma­nu­el.car­va­[email protected]­bli­co.pt

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