Fal­ta opo­si­ção ao Go­ver­no? No Twit­ter, não é bem as­sim

Edição Público Porto - - DESTAQUE - Lu­ci­a­no Al­va­rez lu­ci­a­no.al­va­[email protected]­bli­co.pt

Al­guns opo­si­to­res de Rui Rio acu­sam-no de usar as re­des so­ci­ais pa­ra per­se­guir os crí­ti­cos. Ou­tros, co­mo Luís Mon­te­ne­gro, di­zem que não faz opo­si­ção ao Go­ver­no e ao PS. Pe­lo me­nos no Twit­ter, não é ver­da­de. A con­ta tem si­do usa­da es­pe­ci­al­men­te pa­ra cri­ti­car o executivo e as su­as po­lí­ti­cas. Ao lon­go de qua­se um mês e meio, o lí­der do PSD usou a con­ta qua­se to­dos di­as. Não de uma for­ma mui­to in­ten­sa. Mais ao me­nos à mé­dia de uma, du­as men­sa­gens por dia. Mas des­de o dia 7 des­te mês, qu­an­do a cri­se no PSD co­me­çou a en­du­re­cer, a con­ta fi­cou muda.

Rui Rio che­gou à re­de so­ci­al a 1 de De­zem­bro do ano pas­sa­do di­zen­do ao que vi­nha: “Dou ho­je iní­cio ao meu Twit­ter Ofi­ci­al. Na­da me­lhor que o dia da Res­tau­ra­ção pa­ra o fa­zer. Por­que es­tou aqui por Por­tu­gal! #Pri­mei­roPor­tu­gal.”

Nos pri­mei­ros cin­co di­as, o lí­der do PSD usou a con­ta (@RuiRi­oPSD) pa­ra fa­lar so­bre a vi­da in­ter­na do par­ti­do — tem­po de an­te­na, ho­me­na­gem a Sá Car­nei­ro, reu­niões do par­ti­do. Ele, ou quem por si ali­men­ta a con­ta, re­ve­lou al­gum co­nhe­ci­men­to do uso téc­ni­co da re­de, já que os seis pri­mei­ros tex­tos vi­nham acom­pa­nha­dos de fotografias ou ví­de­os.

Sem sur­pre­sa, a pri­mei­ra “ca­ne­la­da” (5 de De­zem­bro) foi pa­ra a co­mu­ni­ca­ção so­ci­al e com Rio a in­tro­du­zir pe­la pri­mei­ra vez uma no­ta de hu­mor. “Olha! Um ca­nal de te­le­vi­são e o seu jor­nal di­zem que eu dis­se, lá den­tro no CN, que ‘até pos­so per­der cin­co ve­zes, que um dia o país vai re­co­nhe­cer a di­fe­ren­ça’. Te­rei en­san­de­ci­do? Se as­sim fos­se, só ga­nha­va em 2035... se ain­da cá an­dar, te­rei já uns sim­pá­ti­cos 78 anos.”

O re­ca­do era pa­ra a SIC e pa­ra o Ex­pres­so e a men­sa­gem vi­nha acom­pa­nha­da de um de­se­nho de um ido­so que se olha­va ao es­pe­lho le­van­tan­do dois pe­sos, mas a ima­gem re­flec­ti­da pe­lo es­pe­lho mos­tra­va um jo­vem de cor­po mus­cu­la­do. Em qual de­les se re­vê Rio? Uma in­cóg­ni­ta.

A par­tir da­qui, Rio vi­rou a agu­lha pa­ra o Go­ver­no. Ou me­lhor, pa­ra fa­zer opo­si­ção ao executivo de An­tó­nio Cos­ta. Lo­go a 6 de De­zem­bro, apro­vei­tan­do uma des­lo­ca­ção ao Pa­lá­cio de Be­lém, Rio ati­ra-se às contas pú­bli­cas e à uti­li­za­ção dos fun­dos eu­ro­peus: “Ho­je ti­ve opor­tu­ni­da­de de aler­tar o sr. Pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca pa­ra o fac­to de Por­tu­gal es­tar a usar mui­to pou­co os fun­dos eu­ro­peus. Pre­ci­sa­mos de in­ves­ti­men­to, mas o Go­ver­no não uti­li­za se­quer o que a UE põe à dis­po­si­ção. Ao ca­bo de cin­co anos a ta­xa de exe­cu­ção é de ape­nas 28%.”

A par­tir da­qui não mais deu sos­se­go ao Go­ver­no. Fi­nan­ças, saú­de, edu­ca­ção, jus­ti­ça, ad­mi­nis­tra­ção in­ter­na, trans­por­tes, as gre­ves, a re­for­ma do Es­ta­do e do sis­te­ma par­ti­dá­rio, o sis­te­ma pri­si­o­nal, o au­men­to dos im­pos­tos: mui­to ao sa­bor da ac­tu­a­li­da­de e qua­se di­a­ri­a­men­te, Rio não se can­sou de ma­lhar no Go­ver­no du­ran­te 43 di­as e em 69 twe­ets.

Até meio da tar­de de on­tem, Rui Rio era se­gui­do por 2766 contas e se­guia 53. A pri­mei­ra per­so­na­li­da­de que se­guiu foi o Pa­pa Francisco e a úl­ti­ma Lair Ri­bei­ro, um mé­di­co bra­si­lei­ro es­pe­ci­a­lis­ta em di­e­tas ali­men­ta­res.

O PSD de­ve mu­dar de es­tra­té­gia e de lí­der. Es­tou dis­po­ní­vel Pe­dro Du­ar­te 3 de Mar­ço de 2018 Qual é, en­tão, a fi­na­li­da­de do PSD? É ser mais uma mu­le­ta do PS ou é ser a al­ter­na­ti­va ao PS? Luís Mon­te­ne­gro 18 de Abril de 2018 On­de an­da o PSD, o seu lí­der e os seus “vi­ces”? Emi­gra­ram, já dei­ta­ram de­fi­ni­ti­va­men­te a to­a­lha ao ta­pe­te? Car­los Car­rei­ras 22 de Agos­to de 2018 É um er­ro de prin­ci­pi­an­te res­pon­der aos ad­ver­sá­ri­os in­ter­nos. Não é o me­lhor ca­mi­nho Mar­ques Men­des 4 de Se­tem­bro de 2018 O PSD não tem do­nos nem po­de ser um par­ti­do de ex­pul­sões, ci­sões e saí­das. De­ve ser um par­ti­do de agre­ga­ção, fe­de­ra­ção e mo­bi­li­za­ção Mi­guel Mor­ga­do 7 de Se­tem­bro de 2018

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