QUIN­TA DA MA­RI­NHA, JA­PÃO

Ya­ku­za até po­de ser o no­me de uma or­ga­ni­za­ção cri­mi­no­sa ja­po­ne­sa. Mas em Lis­boa já é si­nó­ni­mo de sushi. E ago­ra em Cas­cais tam­bém.

GQ (Portugal) - - In & Out Gourmet - Por Be­a­triz Sil­va Pin­to.

Éu­ma quen­te noi­te de ve­rão e es­tá lon­ge da azá­fa­ma da ca­pi­tal, num pe­que­no oá­sis ver­de, a co­mer o me­lhor sushi de Lis­boa e ar­re­do­res. Es­te qua­dro já não tem de fi­car no pla­no do ima­gi­ná­rio: o Ya­ku­za, res­tau­ran­te de fu­são en­tre o Ori­en­te e o Oci­den­te do ou­tro­ra chef e atu­al em­pre­sá­rio Oli­vi­er da Cos­ta, ocu­pou o She­ra­ton Cas­cais Re­sort, na Quin­ta da Ma­ri­nha.

Quan­do lá fo­mos, o tempo cin­zen­to, chu­vo­so, ain­da com resquí­ci­os de abril, não con­vi­da­va à es­pla­na­da – uma pe­na. Mas hou­ve boa (e re­co­men­dá­vel) so­lu­ção: sen­tá­mo-nos ao bal­cão, re­che­a­do de fru­ta e cor e com vis­ta pri­vi­le­gi­a­da pa­ra cin­co co­zi­nhei­ros con­cen­tra­dís­si­mos na pre­pa­ra­ção do ban­que­te.

A car­ta do res­tau­ran­te é uma ver­são re­du­zi­da da do Ya­ku­za de Lis­boa e o sushi e o sashi­mi man­têm-se co­mo joi­as da co­roa. Mas nem por is­so fal­tam al­ter­na­ti­vas pa­ra os que não são fãs do gé­ne­ro. Há sa­la­das, tem­pu­ras e mas­sas. E, se pla­neia abrir os cor­dões à bol­sa, dei­xa­mos-lhe já uma di­ca: a sa­la­da de ca­ran­gue­jo re­al é de co­mer e cho­rar por mais e não fi­ca nada mal acom­pa­nha­da

de um gu­lo­so ta­co de pei­xe e gua­ca­mo­le.

Ain­da as­sim, se tem to­do o ape­ti­te guar­da­do pa­ra o sushi, não sai­rá com ex­pec­ta­ti­vas de­frau­da­das. O pei­xe, con­tou-nos o sushi­man Thal­les Bo­ni­at­ti dos San­tos, che­ga dos Aço­res, de Es­pa­nha, da Di­na­mar­ca: “O im­por­tan­te é que se­ja o me­lhor pei­xe. Va­mos bus­cá-lo aon­de for pre­ci­so.” Nós acre­di­ta­mos. De­pois de pro­var­mos o gun­kan rei (com sal­mão, ca­ran­gue­jo re­al e ovo de co­dor­niz), acre­di­ta­mos em qua­se tu­do. Ou de­pois do gun­kan ho­ta­te (com atum, vi­ei­ra rai­nha e vi­na­gre­te de so­ja). Ou de­pois do sashi­mi de yel­low­tail. Tan­to que, quan­do Oli­vi­er re­pa­ra nu­ma ta­ci­nha de mo­lho ver­de in­to­ca­da e nos diz que “não é nada pi­can­te, é co­mo uma mos­tar­da”... Nós acre­di­tá­mos. Mas a nos­sas sen­sí­veis pa­pi­las gus­ta­ti­vas não. O ki­za­mi wa­sa­bi (raíz de wa­sa­bi fres­ca, cor­ta­da e ma­ri­na­da em mo­lho de so­ja) é bom. É mes­mo. Mas em pe­que­nas, mui­to pe­que­nas, do­ses.

Per­to do fim da re­fei­ção, o sushi­man vol­tou a fa­zer-se ou­vir, des­ta vez com um pe­di­do: “An­tes de fi­ca­rem chei­os, avi­sem, que há uma pe­ça obri­ga­tó­ria pa­ra o fi­nal.” As­sim o fi­ze­mos. Thal­les re­fe­ria-se ao gun­kan de ko­be – com wagyu (sim, uma pe­que­na por­ção da­que­las va­cas ja­po­ne­sas que são re­gu­lar­men­te mas­sa­ja­das), foie gras, ce­bo­la con­fi­ta­da e te­riya­ki. E, de­pois da pro­va, não te­mos co­mo não re­pli­car o con­se­lho: se não ti­ver ape­ti­te pa­ra a so­bre­me­sa, é uma óti­ma so­lu­ção pa­ra ter­mi­nar a jan­ta em be­le­za.

NA CAR­TA ES­TÃO DIS­PO­NÍ­VEIS VÁ­RI­OS COMBINADOS: O YA­KU­ZA, COM 16 PE­ÇAS DE SUSHI

E 16 DE SASHI­MI

(€75); O MORIAWASE, COM 12 DE SUSHI (€35); E AIN­DA UMA OP­ÇÃO VEGETARIAN­A COM 12 PE­ÇAS (€25).

Se é fã de sashi­mi, não há co­mo es­ca­par ao pra­to Es­pe­ci­al, com 24 uni­da­des de sal­mão, atum, pei­xe bran­co e yel­low­tail.

Pre­ço mé­dio pa­ra du­as pes­so­as: 150€. Ya­ku­za Cas­cais. Quin­ta da Ma­ri­nha, R. das Pal­mei­ras, 5. Do­min­go a quin­ta-fei­ra: 19h – 23h. Sex­ta-fei­ra e sá­ba­do: 19h – 24h.

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