PUN­CH–DRUNK LO­VE

Ele tem 23 anos, ela 22. Ele é de Itá­lia, ela de Por­tu­gal. Há se­te anos que ini­ci­a­ram a jor­na­da no mun­do da mo­da e há um ano que es­tão ne­la jun­tos. Fe­de­ri­co Spi­nas e Ma­ri­an­ne Bit­ten­court são jo­vens, são be­los e es­tão chei­os de so­nhos. Fa­lá­mos com eles.

GQ (Portugal) - - Moda - Por Be­a­triz Sil­va Pinto. Fo­to­gra­fia de Bra­nis­lav Si­mon­cik. Sty­ling de Nelly Gon­çal­ves.

“O QUE EU QU­E­RO RE­AL­MEN­TE FA­ZER CO­MO MO­DE­LO É FO­TO­GRA­FI­AS BELAS, DE QUE

AS PES­SO­AS SE VÃO LEM­BRAR”

MA­RI­AN­NE

Cor­ria o ano 2015 quan­do a GQ fo­to­gra­fou, pe­la pri­mei­ra vez, Ma­ri­an­ne Bit­ten­court – uma do­ce me­ni­na que aca­ba­ra de cru­zar a me­ta dos 18 anos, mas que já con­ta­va com re­fe­rên­ci­as à Vo­gue Por­tu­gal e à Va­nity Fair ita­li­a­na no cur­rí­cu­lo. Qua­tro anos de­pois, vol­ta­mos a en­con­trá-la. A do­çu­ra man­tém-se, mas a pos­tu­ra é ou­tra: Ma­ri­an­ne trans­bor­da tran­qui­li­da­de, es­tá con­fi­an­te de qu­em é e do que já al­can­çou. O ano pas­sa­do, des­fi­lou pa­ra a Dol­ce & Gab­ba­na, na Mi­lan Fashi­on We­ek SS19. “Sem­pre me dis­se­ram que eu não po­dia ser uma mo­de­lo de pas­se­rel­le... E ali sen­ti que es­ta­va a pro­var a mim e a to­da a gen­te que afi­nal po­dia des­fi­lar num gran­de even­to”, con­ta, com um sor­ri­so ras­ga­do.

Des­ta vez, no en­tan­to, Ma­ri­an­ne não se sen­ta di­an­te de nós so­zi­nha. Ao la­do de­la es­tá Fe­de­ri­co Spi­nas, mo­de­lo ita­li­a­no que já fi­gu­rou nas ca­pas da Vo­gue Itá­lia e da Es­qui­re e nas cam­pa­nhas da Dol­ce & Gab­ba­na e da Ar­ma­ni. Es­tão jun­tos há um ano.

À pri­mei­ra vis­ta, es­tes dois não po­de­ri­am ser mais dis­tin­tos. Ela é se­re­na, re­ser­va­da, pon­de­ra­da. Ele é ener­gé­ti­co, fa­la­dor, com­pe­ti­ti­vo. Ela foi ati­ra­da pa­ra o mun­do da mo­da. Ele te­ve de ba­ta­lhar pa­ra que lhe abris­sem a por­ta. Mas a ter­nu­ra com­par­ti­lha­da é mais do que evi­den­te. Sen­ti­mo-la não só na cum­pli­ci­da­de des­ta pri­mei­ra ses­são fo­to­grá­fi­ca que fi­ze­ram em con­jun­to, co­mo nos olha­res e ges­tos ao lon­go da en­tre­vis­ta. São di­fe­ren­tes, mas con­tra­ba­lan­çam-se. E se se opõem na per­so­na­li­da­de, es­tão em sin­to­nia nos so­nhos: que­rem sin­grar na in­dús­tria da mo­da e da be­le­za e, as­sim que pos­sí­vel, mi­grar pa­ra um re­fú­gio lon­ge da con­fu­são ci­ta­di­na, on­de pos­sam es­tar em con­tac­to com a na­tu­re­za. Sem pres­sas ou ân­si­as – são ape­nas miú­dos.

Sob os ho­lo­fo­tes

São am­bos mui­to no­vos e, ain­da as­sim, já tra­ba­lham há se­te anos... Al­gu­ma vez sen­ti­ram que a vos­sa car­rei­ra vos obri­gou a cres­cer de­ma­si­a­do de­pres­sa?

Ma­ri­an­ne: Tan­tas ve­zes... Nes­ta car­rei­ra, tu co­me­ças a tra­ba­lhar quan­do ain­da és mui­to no­va – eu ti­nha 15 anos quan­do co­me­cei –, por is­so tens de apren­der ra­pi­da­men­te a cui­dar de ti. Do na­da, es­tás a an­dar num país di­fe­ren­te com­ple­ta­men­te so­zi­nha, es­tás a vi­ver com pes­so­as que nun­ca vis­te na vi­da, tens de co­zi­nhar... No fun­do, tens de ser res­pon­sá­vel por ti mes­ma, por­que a agên­cia não vai es­tar a cui­dar de ti o tem­po to­do. E is­so fez-me cres­cer mui­to.

Mas sen­tes que per­des­te par­te da tua ado­les­cên­cia?

Ma­ri­an­ne: Sim, ain­da sin­to que as ra­pa­ri­gas só de­vi­am ser abor­da­das pa­ra en­trar no mun­do da mo­da a par­tir dos 18 anos. Eu co­me­cei an­tes, mas gos­ta­va de não o ter fei­to. Se aqui­lo é um tra­ba­lho re­al, já de­vi­as ser adul­to pa­ra o acei­tar. Se co­me­ças an­tes, aqui­lo me­xe mui­to com o teu pro­ces­so de cres­ci­men­to. Ain­da não sa­bes qu­em és e tens de li­dar com gen­te mais ve­lha, tens de vi­a­jar so­zi­nha... Quan­do tu­do o que que­res fa­zer é ir to­mar um ca­fé com os teus ami­gos e sair à noi­te.

Sen­tes o mes­mo, Fe­de­ri­co?

Fe­de­ri­co: O meu pro­ces­so foi di­fe­ren­te... Eu não sin­to que per­di par­te da mi­nha ado­les­cên­cia. Aliás, sin­to que es­te pro­ces­so foi per­fei­to pa­ra fa­zer de mim qu­em sou ho­je. Con­cor­do com a Ma­ri­an­ne quan­do ela diz que só de­vi­am “re­cru­tar” mo­de­los a par­tir dos 18, mas, ao mes­mo tem­po, as di­fi­cul­da­des que en­fren­tei até ini­ci­ar uma car­rei­ra mais só­li­da pre­pa­ra­ram-me pa­ra o que veio de­pois. E, na ver­da­de, o meu so­nho des­de pe­que­no era vi­a­jar, co­nhe­cer o mun­do. Por is­so, mal po­dia es­pe­rar pe­lo mo­men­to em que pu­des­se fa­zê-lo.

Re­cor­dam-se do mo­men­to em que se aper­ce­be­ram de que era mes­mo is­to que que­ri­am fa­zer?

F.: Pa­ra mim, foi a pri­mei­ra vez em que vi uma fo­to­gra­fia do Pe­ter Lind­bergh com a Lin­da Evan­ge­lis­ta. A mo­da faz par­te da mi­nha fa­mí­lia, a mi­nha mãe foi mo­de­lo an­tes de mim. Mas eu sem­pre brin­quei com ela, di­zia-lhe que ela nun­ca ti­nha tra­ba­lha­do na vi­da, que ela só ti­nha si­do mo­de­lo – só mui­to de­pois des­co­bri o que é que is­so sig­ni­fi­ca­va. Ela cos­tu­ma­va com­prar mui­tas re­vis­tas... Um dia, vi uma Vo­gue com as fo­to­gra­fi­as do Pe­ter Lind­bergh. E apai­xo­nei-me. Sen­ti que era exa­ta­men­te aqui­lo que que­ria fa­zer, só que nu­ma ver­são mas­cu­li­na.

M.: Na ver­da­de, eu fui um bo­ca­do ati­ra­da pa­ra a mo­da. Mas quan­do co­me­cei a tra­ba­lhar, aper­ce­bi-me de que ado­ra­va ti­rar fo­tos e aju­dar a cri­ar al­go. Foi o tra­ba­lho em si que me fez per­ce­ber que era is­to que que­ria fa­zer.

E co­mo é que tu­do co­me­çou?

M.: Eu fui abor­da­da en­quan­to es­ta­va num con­cer­to dos To­kio Ho­tel [ri­sos]. Ti­nha 12 ou 13 anos e uma pes­soa da mi­nha agên­cia deu-me um car­tão e dis­se pa­ra ir lá. Eu fui, fiz um cas­ting e en­trei na com­pe­ti­ção de mo­de­los que eles têm. Na pri­mei­ra vez, nem che­guei às fi­na­lis­tas. Na se­gun­da vez, che­guei, mas não ga­nhei. Mas, mes­mo an­tes des­sa com­pe­ti­ção, já ti­nha fei­to um ou dois tra­ba­lhos. No fi­nal de con­tas, não pre­ci­sas de ga­nhar um con­cur­so pa­ra ser bem-su­ce­di­da.

F.: Eu não fui abor­da­do por nin­guém, fui eu que de­ci­di que que­ria ser mo­de­lo. A es­co­la não ia mui­to bem, por­que sem­pre gos­tei mais de coi­sas cri­a­ti­vas. Es­tu­da­va mú­si­ca, fa­zia surf... Mas che­ga sem­pre aque­le mo­men­to na tua vi­da em que que­res sair de ca­sa, ga­nhar o teu di­nhei­ro. Ain­da era ce­do, só ti­nha 16 anos, mas de­ci­di dar uma opor­tu­ni­da­de à mo­da. En­tão, um dia, fui ter com a mi­nha mãe e per­gun­tei-lhe se ela ti­nha al­gum ve­lho con­tac­to de agên­cia. Ela deu-me o con­tac­to, mas não fun­ci­o­nou. Fui ao [con­cur­so] Eli­te Mo­del Lo­ok, em Mi­lão, já a achar que es­ta­va no pa­po, e eles re­cu­sa­ram-me. Foi aí que per­ce­bi que era mes­mo is­to que que­ria – por­que per­di, por­que fa­lhei. Fui a ou­tra agên­cia em Mi­lão, mas tam­bém não deu em na­da, por­que três me­ses de­pois des­pe­di­ram-me, dis­se­ram-me que o meu lo­ok não es­ta­va a fun­ci­o­nar, pa­ra eu ten­tar ou­tra coi­sa por­que não ser­via pa­ra ser mo­de­lo. No fim do ve­rão, de­ci­di ten­tar uma úl­ti­ma vez. Fui a Mi­lão, à me­lhor agên­cia do mo­men­to, apre­sen­tei-me e de­pois nun­ca mais vol­tei a ca­sa.

Na vos­sa opi­nião, por­que é que a mo­da im­por­ta?

F.: É uma per­gun­ta com­ple­xa, es­sa [ri­sos]. Co­me­ças tu, Ma­ri­an­ne?

M.: Eu acho que... A mo­da im­por­ta por­que é uma for­ma de ar­te. Se for bem fei­ta, po­de até in­flu­en­ci­ar pes­so­as. E qu­em é que não gos­ta de se ves­tir bem, ver coi­sas belas?

F.: Bem... As­sim que o ser hu­ma­no co­me­çou a evo­luir, uma das pri­mei­ras coi­sas que fez foi pro­cu­rar rou­pa. Di­a­ri­a­men­te, nós pro­cu­rá­mos rou­pa, to­da a gen­te se ves­te. Por­tan­to, a mo­da im­por­ta por­que ves­ti­res-te é uma ne­ces­si­da­de e por­que o mo­do co­mo te ves­tes faz-te sen­tir bem. Sei que é uma vi­são um pou­co ma­te­ri­a­lis­ta, mas é a ver­da­de. E de­pois a mo­da é uma pla­ta­for­ma em que po­des ex­pres­sar qu­em és e pas­sar uma men­sa­gem às pes­so­as. Usa­da de um bom mo­do, é uma pla­ta­for­ma mui­to fi­xe pa­ra te ex­pri­mi­res e, tal­vez, fa­zer uma pe­que­na di­fe­ren­ça no mun­do.

Re­cen­te­men­te, sou­be­mos da mor­te do Pe­ter Lind­bergh e tu, Fe­de­ri­co, pos­tas­te al­gu­mas fo­tos de­le no teu Ins­ta­gram. Es­cre­ves­te que ele foi uma das ra­zões pe­las quais te apai­xo­nas­te pe­la mo­da...

F.: Fi­quei trau­ma­ti­za­do... Foi ele que me “trou­xe” pa­ra a mo­da e foi ele que me fez que­rer con­ti­nu­ar. Por­que, ho­nes­ta­men­te, a car­rei­ra de mo­de­lo é com­pli­ca­da... Po­des atin­gir um ní­vel mui­to ele­va­do num dia, es­tar no to­po, e, dois me­ses de­pois, po­des es­tar de­pri­mi­do e nin­guém sa­be o porquê. Pen­sei mui­tas ve­zes em de­sis­tir, tal­vez até nos me­lho­res mo­men­tos da mi­nha car­rei­ra. E a ideia por trás da fo­to­gra­fia de Pe­ter Lind­bergh foi o que me fez con­ti­nu­ar. O meu so­nho era co­nhe­cê-lo, ser fo­to­gra­fa­do por ele. É a mi­nha mai­or ins­pi­ra­ção. De­pois te­nho ou­tras pes­so­as que ad­mi­ro mui­to, co­mo Ste­ven Mei­sel, Lin­da Evan­ge­lis­ta, Karl La­ger­feld, Gi­an­ni Ver­sa­ce, Gi­or­gio Ar­ma­ni...

Quais são os teus ído­los, Ma­ri­an­ne?

M.: O meu mai­or ído­lo nem per­ten­ce ao mun­do da mo­da, é o Ja­mes De­an [ri­sos]... Mas sem­pre ad­mi­rei a Gi­se­le Bünd­chen, por­que sem­pre sen­ti que ela era mais do que uma mo­de­lo, era uma mu­lher de ne­gó­ci­os. E o que ela fez com to­da a sua car­rei­ra é me­mo­rá­vel. Sin­to-me ins­pi­ra­da por mu­lhe­res as­sim, mu­lhe­res for­tes.

Fe­de­ri­co, fos­te o pri­mei­ro mo­de­lo mas­cu­li­no ita­li­a­no a fa­zer uma capa da Vo­gue. Sei que há uma his­tó­ria in­te­res­san­te por trás des­sa capa da Vo­gue Itá­lia, em que bei­jas a Ma­ri­a­car­la Bos­co­no... F.: Quan­do vais pa­ra uma pro­du­ção des­se ní­vel – e es­pe­ci­al­men­te quan­do es­sa pro­du­ção não é com a tua na­mo­ra­da [ri­sos] –, há sem­pre mui­ta com­pe­ti­ção no set. Tu és o new guy e es­tás en­tre mo­de­los que es­tão no to­po da sua car­rei­ra, que já es­tão na­que­le mun­do há 20 anos, co­mo a Ma­ri­a­car­la. Eu res­pei­to-a imen­so e apren­di mui­to com ela, na­que­le dia. Mas foi mui­to de­sa­fi­an­te con­se­guir aque­la fo­to...

Che­gas­te a di­zer que foi mais uma lu­ta do que uma his­tó­ria de amor.

F.: Foi uma his­tó­ria de amor, por­que aque­le bei­jo foi re­al. Mas, an­tes des­se bei­jo, de­mo­rá­mos uns cin­co mi­nu­tos a pôr-nos no lu­gar. Por­que eu res­pei­to o tra­ba­lho de­la, mas ao mes­mo tem­po tam­bém que­ria apa­re­cer na­que­la capa e não ser to­tal­men­te ta­pa­do. Prin­ci­pal­men­te na Vo­gue, que é uma re­vis­ta mais fe­mi­ni­na, que ge­ral­men­te dá des­ta­que às su­per­mo­de­los fe­mi­ni­nas. Por­tan­to, ti­ve de lu­tar pe­la mi­nha po­si­ção na fo­to­gra­fia! [Ri­sos.]

Mas sen­tem que há um cli­ma de com­pe­ti­ção acir­ra­da no mun­do da mo­da?

M.: In­fe­liz­men­te, há mui­ta gen­te que sen­te que tem de com­pe­tir, que tem de rou­bar o lu­gar de ou­tras pes­so­as. Mas eu acho que não há qual­quer com­pe­ti­ção se es­ti­ve­res fo­ca­da em ti e no teu tra­ba­lho. Há tra­ba­lhos pa­ra to­dos, é um mer­ca­do enor­me.

Mas tu gos­tas da com­pe­ti­ção, Fe­de­ri­co. F.: Ado­ro! Fo­ra da mi­nha re­la­ção, eu sou mui­to com­pe­ti­ti­vo. Na mi­nha vi­da, nun­ca ga­nhei na­da. Era bom no surf, mas nun­ca fui o me­lhor. Era ok na es­co­la, mas nun­ca fui o me­lhor. Era bom na mú­si­ca, mas nun­ca che­guei a vin­gar. Ser mo­de­lo é a pri­mei­ra coi­sa na mi­nha vi­da em que sou bem-su­ce­di­do. E is­so in­ci­ta o meu la­do com­pe­ti­ti­vo. E, ho­nes­ta­men­te, acho que a com­pe­ti­ção po­de ser sau­dá­vel. Por­que le­va-te a que­rer ser me­lhor, a que­rer sair da tua zo­na de con­for­to.

M.: Pa­ra mim, a com­pe­ti­ção é só co­mi­go mes­ma...

F.: Era is­so que ia di­zer. No fi­nal de con­tas, po­des com­pe­tir com ou­tras pes­so­as, mas a mai­or com­pe­ti­ção que vais en­fren­tar é con­ti­go mes­mo: até que pon­to po­des ir, o que é que és ca­paz de al­can­çar.

Ma­ri­an­ne, quan­do des­te a tua pri­mei­ra en­tre­vis­ta à GQ ti­nhas ape­nas 18 anos. Olhan­do pa­ra trás, o que mu­dou?

M.: Tan­ta coi­sa... Lem­bro-me de que na pri­mei­ra ses­são es­ta­va um pou­co in­se­gu­ra, ain­da me es­ta­va a des­co­brir, não sa­bia co­mo ser sexy, sa­bes? Nes­ta ses­são, sen­ti-me mui­to mais “eu mes­ma”, mais se­gu­ra. A Ma­ri­an­ne de 18 anos era uma Ma­ri­an­ne tí­mi­da e in­se­gu­ra. Es­ta ago­ra é mais for­te, mais con­fi­an­te.

Nes­sa mes­ma en­tre­vis­ta, dis­ses­te que uma das tu­as mai­o­res me­tas era as­si­nar um con­tra­to com uma gran­de mar­ca da in­dús­tria da be­le­za. Ain­da é o teu ob­je­ti­vo prin­ci­pal?

M.: Ain­da é o meu so­nho. No ano pas­sa­do, fiz uma cam­pa­nha pa­ra a Ki­ko e, es­te ano, tra­ba­lhei com a L’Oréal... E acho que es­tou no bom ca­mi­nho. Fo­ra is­so, o que eu qu­e­ro re­al­men­te fa­zer co­mo mo­de­lo é fo­to­gra­fi­as belas, de que as pes­so­as se vão lem­brar. Ado­ro to­dos os tra­ba­lhos que con­si­go, mas sin­to-me mui­to mais gra­ta quan­do a fo­to­gra­fia é me­mo­rá­vel, quan­do não é só mais um tra­ba­lho pa­ra ven­der rou­pa. E de­pois qu­e­ro com­prar uma ca­sa, ter uma vi­da es­tá­vel, ter al­go con­cre­to, que pos­sa agar­rar com as mãos e di­zer: “Foi is­to que con­se­gui al­can­çar.”

E tu, Fe­de­ri­co? Quais são as tu­as me­tas? F.: Nes­te mo­men­to, aqui­lo de que es­tou à pro­cu­ra é de um con­tra­to com uma gran­de mar­ca de per­fu­mes. Já re­cu­sei al­gu­mas pro­pos­tas de fra­grân­ci­as, por­que es­tou à es­pe­ra do “tal”. Qu­an­to à vi­da pes­so­al, as­se­me­lha-se mui­to ao que a Ma­ri­an­ne dis­se...

M.: Ah, e eu qu­e­ro mui­to vi­ver na na­tu­re­za, no fu­tu­ro. Qu­e­ro po­der con­ti­nu­ar a tra­ba­lhar co­mo mo­de­lo, mas ter o meu cantinho na na­tu­re­za. Um re­fú­gio cal­mo e se­gu­ro... F.: Ado­ro es­sa ideia. Nis­so es­ta­mos de acor­do, por­que o meu so­nho é po­der só ir pa­ra a ci­da­de quan­do ti­ver de tra­ba­lhar. Pa­ra além dis­so, qu­e­ro só ser sau­dá­vel, fe­liz e man­ter-me per­to da mi­nha fa­mí­lia e ami­gos. Sou só um ra­paz nor­mal de 23 anos – vou à dis­co­te­ca com ami­gos, to­mo de­ci­sões es­tú­pi­das... [Ri­sos.]

“NUN­CA GA­NHEI NA­DA. ERA BOM NO SURF, MAS NUN­CA FUI O ME­LHOR. ERA OK NA ES­CO­LA, ERA BOM NA MÚ­SI­CA, MAS NUN­CA CHE­GUEI A VIN­GAR. SER MO­DE­LO É A PRI­MEI­RA COI­SA NA MI­NHA VI­DA EM QUE SOU BEM-SU­CE­DI­DO.

E IS­SO IN­CI­TA O MEU LA­DO COM­PE­TI­TI­VO”

FE­DE­RI­CO

Tren­ch em pe­le, €6.700, Ce­li­ne.

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