UM PRA­TO POR CA­DA CON­TI­NEN­TE (+1 PA­RA A ÍN­DIA): RI­CAR­DO DI­AS FEL­NER, O HO­MEM QUE CO­MIA DE TU­DO

GQ (Portugal) - - In & Out -

Amé­ri­ca Ta­cos de ca­ma­rão (Mé­xi­co)

A co­zi­nha me­xi­ca­na pa­ra mim é a mais vi­bran­te e di­ver­sa de to­do o con­ti­nen­te. E na­da é mais di­ver­ti­do do que co­mer os ta­cos, com tor­ti­lhas de mi­lho a sé­rio, e aca­bar com os bei­ços a ar­der de mo­lho de ja­la­peño ou de chi­po­tle. De en­tre os ta­cos clás­si­cos, o meu fa­vo­ri­to é o de ca­ma­rão, bem for­ne­ci­do de li­ma e ce­bo­la-ro­xa.

Eu­ro­pa Mil-fo­lhas ca­ra­me­li­za­do de foie gras, ma­çã ver­de e en­guia (Es­pa­nha)

Foi a Eu­ro­pa que ele­vou a co­zi­nha cri­a­ti­va, de au­tor, mui­to de­pu­ra­da e tra­ba­lha­da, ao es­ta­tu­to de fi­ne di­ning. Es­te pra­to, aliás, po­dia ser de um Michelin na Áus­tria ou na Suí­ça ou em Fran­ça. Mas acon­te­ce ser de Martín Be­ra­sa­te­gui, chef com 12 es­tre­las Michelin no cur­rí­cu­lo, uma de­las re­si­den­te em Lis­boa, no Fifty Se­conds, on­de se po­de co­mer es­te seu pra­to de as­si­na­tu­ra, ver­da­dei­ra­men­te má­gi­co.

Oce­a­nia Pa­vlo­va (Aus­trá­lia e No­va Ze­lân­dia)

Eis um pra­to de que não sou fã, mas que tem uma his­tó­ria cu­ri­o­sa e a co­mi­da tam­bém é his­tó­ria. Diz-se que a Pa­vlo­va foi in­ven­ta­da de­pois da pas­sa­gem da bai­la­ri­na rus­sa An­na Pa­vlo­va pe­la Aus­trá­lia e pe­la No­va Ze­lân­dia, nos anos 1920. Ain­da ho­je os dois paí­ses se di­gla­di­am so­bre a ver­da­dei­ra ori­gem do cri­a­dor.

Áfri­ca Do­ro wat (Etió­pia)

Es­tu­fa­do de fran­go etío­pe, que po­de ser tam­bém de bo­vi­no, fei­to com uma mis­tu­ra de uma de­ze­na de es­pe­ci­a­ri­as, en­tre elas al­gu­mas pou­co co­nhe­ci­das en­tre nós, co­mo a ni­gel­la. Co­me-se com pão in­je­ra, de fa­ri­nha teff.

Ín­dia Ca­ril de bor­re­go

Por mais ca­ris que co­ma, ne­nhum ba­te o de bor­re­go, cu­ja car­ne é fre­quen­te­men­te mais sa­bo­ro­sa que os fran­gos ou as va­cas in­dus­tri­ais. Fe­liz­men­te te­mos mui­tos res­tau­ran­tes que o fa­zem bem, a co­me­çar no Ca­xe­mi­ra, em Lis­boa (nu­ma ver­são-bom­ba!), ou en­tão, nu­ma ver­são mais su­a­ve, mas mui­to au­tên­ti­ca, no Ban­gla, na Rua do Ben­for­mo­so, on­de os au­tóc­to­nes co­mem com a mão.

Ásia Bar­ri­ga de por­co co­zi­nha­da du­as ve­zes (Chi­na)

É um dos pra­tos tra­di­ci­o­nais da re­gião de Si­chu­an, na Chi­na, co­nhe­ci­da pe­las su­as pi­men­tas. Faz-se com en­tre­me­a­da, cor­ta­da mui­to fi­ni­nha, de­pois de ser co­zi­da e re­fri­ge­ra­da. É ter­mi­na­da no wok, sal­te­a­da com alho-fran­cês e pi­men­to, tu­do en­vol­to em pas­ta de fei­jão pre­to fer­men­ta­do e, cla­ro, mui­tos chi­les e mui­ta pimenta de Si­chu­an.

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