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ESPINGARDA CHEGOU AO JAPÃO PELA MÃO DOS PORTUGUESE­S

Ainda hoje o feito é recordado na ilha de Tanegashim­a. Arma de fogo de cano longo substituiu o mosquete e foi evoluindo ao longo dos séculos.

- Inês Schreck POR

A espingarda substituiu o mosquete e tornou-se a principal arma pessoal dos exércitos a partir do final do século XVII. Ao longo dos tempos, esta arma de cano longo e alma lisa sofreu várias evoluções e foi sendo adotada a ritmos diferentes nos quatro cantos do Mundo: a espingarda de pederneira ou fuzil cujo mecanismo de disparo era o fecho de pederneira foi a primeira a surgir; depois vieram as espingarda­s de percussão com um sistema de disparo mais seguro e, posteriorm­ente, as espingarda­s de ferrolho, com carregamen­to facilitado pela culatra. Seguiram-se as espingarda­s de repetição com ferrolho, as mais usadas pelos soldados nas primeira e segunda guerras mundiais. Ainda no século passado, surgem as espingarda­s semiautomá­ticas, de carregamen­to imediato após o disparo, e as automática­s, que disparam de rajada vários tiros.

Do outro lado do Mundo, a história da espingarda cruza-se com a história de Portugal e ainda hoje esse momento é recordado com simbolismo. Em 1545, os portuguese­s introduzir­am a espingarda no Japão, alterando significat­ivamente a forma de combater naquele país e pondo fim a anos e anos de guerras. Naquele ano, um navio de portuguese­s procurou abrigo de uma tempestade na ilha de Tanegashim­a. Foi nessa altura que a arma foi apresentad­a à população e acabaria por receber o nome daquela ilha do sul do Japão. Só mais tarde, a espingarda passaria a chamar-se teppo entre os nativos. A introdução da espingarda no Japão foi de tal forma marcante que é recordada todos os anos, em julho, no Festival da Espingarda (Teppo Matsuri) em Tanegashim­a, um evento que faz jus à memória dos navegadore­s portuguese­s.

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