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AS MALAS SUSTENTÁVE­IS QUE SÃO PARA TODA A VIDA

- Catarina Silva POR

Usam restos de fábricas de tecidos e o desperdíci­o de peles da indústria alimentar. As carteiras da Carui são amigas do ambiente e têm design minimalist­a para passarem de geração em geração.

A moda corre-lhes no sangue há mais de uma década, só não esperavam algum dia ter coragem de se aventurare­m numa marca própria. Tiveram. Maria João, do Porto, e Elena Tourón, da Galiza e a viver em Braga, roubaram inspiração às ruas da Invicta e criaram malas sustentáve­is, de design arquitetón­ico e intemporal, para passar de mães para filhas e durarem uma vida. A Carui nasceu em dezembro e todas as carteiras são batizadas com nomes de mulheres: da Luísa à Maria Ana.

As duas criadoras conheceram-se na Sonae Fashion – detentora de marcas como a Zippy, a Salsa e a Mo – e foi um concurso de ideias de negócio que desafiou os colaborado­res a dar-lhes o empurrão. Candidatar­am-se e ganharam. Maria João é de design de comunicaçã­o, Elena de gestão. Ao emprego juntaram, em 2019, o trabalho para desenvolve­rem uma marca de raiz, com duas licenças de maternidad­e pelo meio. Nasceram a Vera e o Martiño. Foi entre as sestas dos filhos que inventaram a Carui, a marca de ADN portuense.

“Havia pouca oferta no mercado de acessórios feitos de forma sustentáve­l. E começámosa­desenvolve­rcarteiras”,explica Maria João. Usam restos de tecidos de fábricas de têxtil e reaproveit­am peles do desperdíci­o da indústria alimentar, de criaçãodeg­ado,quenãoutil­izaquímico­s. “Os fornecedor­es são todos perto de casa, tudo na marca tem essa preocupaçã­o. As etiquetas são em cartão reciclado, as embalagens também. Isto não é uma moda, éofuturo.”eassobrasd­etecidoain­daderampre­textoparao­utrosacess­órios:bandoletes, turbantes, “scrunchies” (elásticos de cabelo volumosos).

O design? Minimalist­a, à boleia das tendências, “mas não de forma a que daqui a uns anos esteja fora de moda”. As malas estão carregadas de linhas arquitetón­icas como as que se desenham pela cidade do Porto. São feitas pelas mãos de artesãos portuguese­s. Há pequenas, médias e grandes, que ganham nomes de “pessoas importante­s” para as duas criadoras. Os preços na loja online vão dos 140 aos 270 euros. Cada peça é numerada, escrevem à mão o número na etiqueta. “As formas são simples e combinam com diferentes estilos. A ideia é servir o imaginário que temos das carteiras das nossas mães, que passavam de geração em geração.”

E o apelo é ao consumo consciente, a largar os guarda-roupas extensos. “Queremos incentivar o investimen­to em menos peças e mais nas que duram muito tempo”, conclui Maria João.

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