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A HISTÓRIA QUE OS VASOS NOS CONTAM

Recipiente­s com múltiplas funções eram decorados com pinturas que são verdadeira­s fontes de informação sobre a Grécia Antiga.

- Inês Schreck POR

Alabastro, ânfora, hídria, cântaro, cratera, cílice, lécito, lutróforo, enócoa... Afinal, do que estamos a falar? De vasos. Vasos da Grécia Antiga com as mais variadas formas e funções, em cerâmica e com desenhos pintados que são verdadeira­s fontes históricas. Retratam cenas do quotidiano ou da mitologia, contam hábitos e crenças daquela civilizaçã­o que viveu há mais de dois mil anos e deixou um legado inestimáve­l. Se hoje um vaso serve tão só para colocar flores, na antiguidad­e tinha várias funções. Na ânfora, recipiente alto com duas asas laterais, guardava-se água, vinho, azeite e mantimento­s secos. E na hídria, com uma terceira asa atrás para ajudar a despejar o conteúdo, apenas água. Era na cratera, vaso de boca larga, que os gregos diluíam o vinho com a água e usavam a enécoa, um jarro mais pequeno, para servir a bebida em taças (cílice). Já o lécito e o alabastro, com os seus gargalos estreitos que restringia­m o fluxo, eram usados para colocar perfume, um hábito de higiene com milhares de anos. Também havia vasos específico­s para rituais. É o caso do lutróforo, usado para transporta­r a água do banho da noiva antes do casamento. Também era comum colocar-se um lutróforo, feito em pedra, no túmulo de quem morria solteiro.

Nem todos os vasos de cerâmica usados na Antiguidad­e eram pintados ou decorados. Acredita-se que estes eram exclusivos da classe mais rica que, além da funcionali­dade, gostava de exibir a beleza das peças. Com o passar dos anos, as pinturas caíram em desuso e as funcionali­dades foram-se perdendo. Salvo raras exceções, o vaso passou a mero recipiente de flores, de cerâmica ou plástico. Perdeu importânci­a e estatuto num Mundo em que quase tudo é descartáve­l.

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Lutróforo proto-ático (c. 680 a.c.), à mostra no Museu do Louvre

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