Pre­ci­o­si­da­des do Porto

Na ci­da­de nor­te­nha em ace­le­ra­da re­no­va­ção, há du­as pro­pos­tas de ofer­ta com in­te­res­se para os in­ves­ti­do­res em bens cul­tu­rais, nas áre­as da ban­da de­se­nha­da e da no­bre ma­dei­ra.

Jornal de Negócios - Weekend (negocios) - - SENTIDOS - JO­SÉ VEGAR

Apai­sa­gem ur­ba­na do Porto re­con­fi­gu­ra-se se­gun­do os modelos co­muns da Eu­ro­pa Oci­den­tal, ori­en­ta­da para o mer­ca­do tu­rís­ti­co de mas­sas, e es­ta pa­re­ce ser uma mu­ta­ção do agra­do da ofer­ta e da procura, a jul­gar pela animação que se sen­te nas ruas, es­pe­ci­al­men­te no pe­río­do noc­tur­no.

No en­tan­to, a gran­de fa­lha do modelo, no Porto, em Bar­ce­lo­na ou em Lon­dres, é exac­ta­men­te o da qua­li­da­de da ofer­ta. A mas­si­fi­ca­ção e a nor­ma­li­za­ção dos pro­du­tos da ofer­ta é uma epi­de­mia glo­bal vi­o­len­ta, e é di­fí­cil es­ca­par à ar­ma­di­lha de que os pro­du­tos são iguais, qual­quer que se­ja a ge­o­gra­fia, mes­mo es­ta do can­to eu­ro­peu.

É pre­ci­so en­tão pro­ce­der ao es­for­ço de lo­ca­li­za­ção da ex­ce­ção. No cam­po dos bens cul­tu­rais sin­gu­la­res, o Porto não está es­pe­ci­al­men­te ilu­mi­na­do, mas é pos­sí­vel en­con­trar pe­que­nas gran­des pre­ci­o­si­da­des nas ruas. Du­as das mais fas­ci­nan­tes são a Li­vra­ria Tim­tim­por­tim­tim, na rua da Con­cei­ção, e a Lo­ja das Tá­bu­as, no Lar­go de São Do­min­gos.

A li­vra­ria é aci­ma de tu­do uma gran­de ar­ca do tesouro das re­vis­tas clás­si­cas pu­bli­ca­das em Por­tu­gal des­de os anos 30 do sé­cu­lo pas­sa­do, co­mo é o ca­so do Ca­va­lei- ro An­dan­te, do Tim­tim, e de to­das as ou­tras co­nhe­ci­das pe­los es­pe­ci­a­lis­tas e co­le­ci­o­na­do­res. Com um es­pó­lio que reú­ne no­tá­veis pre­ci­o­si­da­des, e to­das cui­da­do­sa­men­te con­ser­va­das, a Tim­tim­por­tim­tim é re­al­men­te um porto ra­ro para os aman­tes da ban­da de­se­nha­da. O con­se­lho é o de per­cor­rer de­mo­ra­da­men­te to­das as es­tan­tes, e, fa­ce ao or­ça­men­to dis­po­ní­vel, es­co­lher por en­tre as vá­ri­as hi­pó­te­ses.

A Lo­ja das Tá­bu­as ope­ra no território, in­fe­liz­men­te ain­da es­con­di­do, da ma­dei­ra. Nu­ma al­tu­ra em que os ar­te­sãos des­co­brem es­te ma­te­ri­al, para os mais ima­gi­na­ti­vos fins, Por­tu­gal con­ti­nua ain­da mui­to len­to na re­cu­pe­ra­ção, ape­sar de ter a ma­té­ria-pri­ma e do­mi­nar as vá­ri­as dis­ci­pli­nas da ar­te. A Lo­ja das Tá­bu­as, de Al­fre­do da Costa, ten­ta com­ba­ter es­te es­ta­do das coi­sas. O que a lo­ja faz é pro­cu­rar os ar­te­sãos com tra­ba­lho de re­le­vo e exi­bir os seus pro­du­tos, das fa­cas aos can­de­ei­ros, pas­san­do por to­da a ga­ma de uti­li­tá­ri­os. Há pe­ças de ele­va­da qua­li­da­de em mos­tra, chei­as de qua­li­da­de téc­ni­ca, mas tam­bém de sen­ti­do es­té­ti­co. É tam­bém pos­sí­vel pro­por pe­ças para fei­tu­ra na lo­ja, com gra­va­ção a la­ser. É sem dú­vi­da um pro­jec­to que se de­ve es­ten­der a to­do o país. W

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