A me­lhor for­ma de pre­ver o fu­tu­ro é par­ti­ci­par na sua cri­a­ção. Abraham Lin­coln

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VO­TAR E M QU E M?

Es­te ano, há du­as elei­ções – as eu­ro­pei­as e as le­gis­la­ti­vas – e con­fes­so que não sei em quem vo­tar nem num ca­so, nem nou­tro. Par­ti­lho, há mui­to, da pre­o­cu­pa­ção do Pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca, que, na sua men­sa­gem de Ano No­vo, pe­diu “po­lí­ti­cas e po­lí­ti­cos mais cre­dí­veis”. Mar­ce­lo per­ce­beu bem que cres­ce a des­con­fi­an­ça em re­la­ção aos par­ti­dos. Mas não é só uma des­con­fi­an­ça em re­la­ção aos seus di­ri­gen­tes e apa­re­lhos, é em re­la­ção ao que eles re­pre­sen­tam e ao mo­do co­mo fun­ci­o­nam. Num pas­so in­te­res­san­te da sua men­sa­gem, o Pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca, fa­lan­do da cons­ti­tui­ção das lis­tas elei­to­rais, ape­lou a que os can­di­da­tos ana­li­sem com cui­da­do o per­cur­so pas­sa­do. Lem­brei-me par­ti­cu­lar­men­te des­ta fra­se quan­do cons­ta­tei que uma das novas for­ças po­lí­ti­cas que irá já a vo­tos nas Eu­ro­pei­as es­co­lheu pa­ra seu ca­be­ça de lis­ta Pau­lo San­de, um in­de­fec­tí­vel de Bru­xe­las e dos seus or­ga­nis­mos (di­ri­giu o Ga­bi­ne­te do Par­la­men­to Eu­ro­peu em Lis­boa du­ran­te oi­to anos e é pro­fes­sor da Cons­tru­ção Eu­ro­peia na Uni­ver­si­da­de Ca­tó­li­ca). Nem es­ta Ali­an­ça apro­vei­tou a opor­tu­ni­da­de que a sua ten­ra ida­de lhe dá pa­ra se de­mar­car do ca­os da União, da Co­mis­são Eu­ro­peia e do seu Par­la­men­to - que, no con­jun­to, são uma das mai­o­res fon­tes de des­con­fi­an­ças e de des­cré­di­tos en­tre mui­tos elei­to­res de vá­ri­os paí­ses. Ao pro­ce­der as­sim, o no­vo par­ti­do en­tre­gou o ter­ri­tó­rio an­ti-Bru­xe­las a po­pu­lis­tas que sur­jam à es­prei­ta do des­con­ten­ta­men­to com a po­lí­ti­ca agrí­co­la e de pescas, com a po­lí­ti­ca mo­ne­tá­ria, com o pro­ces­so de de­ci­são. O mu­ro de Ber­lim caiu há 30 anos, mas o mu­ro de Bru­xe­las es­tá ca­da vez mai­or. E, no mo­men­to em que se olha pa­ra o que se pas­sa­rá com o Bre­xit, na cena po­lí­ti­ca por­tu­gue­sa não há no cen­tro di­rei­ta quem di­ga que o rei vai nu, des­pi­di­nho de to­do. Não me ape­te­ce na­da vo­tar nes­ta Eu­ro­pa e não sei em quem hei-de vo­tar. Por es­te an­dar, a abs­ten­ção só po­de au­men­tar.

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