Her­bert Spen­cer

Jornal de Negócios - Weekend (negocios) - - A MINHA ECONOMIA -

O PAGAD O R D E PRO M E SSAS

Es­ta quin­ta-fei­ra de ma­nhã, ao acor­dar, olhei pa­ra o es­pe­lho e sa­bem o que vi? Ape­sar da gri­pe, não fo­ram os olhos um pou­co con­ges­ti­o­na­dos que me cha­ma­ram a aten­ção; o que vi ao es­pe­lho foi um pa­ga­dor de pro­mes­sas, um bom­bo da fes­ta da co­lec­ta de im­pos­tos, ta­xas e ta­xi­nhas, di­rec­tos e in­di­rec­tos. Ca­da vez que al­guém no Go­ver­no se lem­bra de anun­ci­ar uma no­va me­di­da, vem lo­go aí mais des­pe­sa. A re­cei­ta vem sem­pre do mes­mo sí­tio: pôr ca­da um de nós a pa­gar mais. E foi as­sim, nes­te su­a­ve en­le­vo, que fi­cá­mos a sa­ber que não es­ta­mos em cam­pa­nha elei­to­ral. Quem o veio ju­rar foi o pri­mei­ro-mi­nis­tro An­tó­nio Cos­ta, nu­ma das ce­ri­mó­ni­as em que tem as­si­na­do con­tra­tos de mi­lha­res de mi­lhões pa­ra obras e aqui­si­ções di­ver­sas, to­das en­ca­de­a­das na mes­ma se­ma­na. Num ras­go de gé­nio, o pri- mei­ro-mi­nis­tro apre­sen­tou-se nu­ma das en­ce­na­ções, o con­tra­to pa­ra cons­tru­ção do ae­ro­por­to no Mon­ti­jo, co­mo o ho­mem pro­vi­den­ci­al que to­ma de­ci­sões que de­vi­am ter si­do to­ma­das há 50 anos. De­pois, nu­ma ce­ri­mó­nia das obras pre­vis­tas pa­ra o Me­tro de Lis­boa, ga­ran­tiu que a ideia de que es­tes even­tos es­tão li­ga­dos ao fac­to de exis­ti­rem elei­ções es­te ano é uma ca­lú­nia de gen­te mal in­ten­ci­o­na­da, e des­men­tiu qu­al­quer in­ten­ção elei­to­ra­lis­ta no que tem an­da­do a fa­zer des­de que o ano co­me­çou e Cen­te­no o au­to­ri­zou a abrir os cor­dões à bol­sa – de tal ma­nei­ra que ago­ra até se fa­la em aca­bar com as pro­pi­nas no en­si­no su­pe­ri­or. A ver­da­de é es­ta, co­mo es­cre­veu por es­tes di­as Ma­nu­el Vil­la­ver­de Ca­bral: “Se o Go­ver­no não pa­ga, o PS não re­ce­be os vo­tos; e se pa­ga, é a eco­no­mia que se res­sen­te.”

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