U M D IÁRI O

Jornal de Negócios - Weekend (negocios) - - A MINHA ECONOMIA -

Ler o diá­rio de al­guém é sem­pre des­co­brir uma in­ti­mi­da­de. En­trar no diá­rio de um es­cri­tor é uma des­co­ber­ta ain­da mai­or – os de­sa­ba­fos do dia-adia, as dú­vi­das so­bre o que se es­tá a es­cre­ver, as he­si­ta­ções no es­bo­ço dos ca­pí­tu­los. Nes­te se­gun­do vo­lu­me do “Diá­rio” de Vir­gi­nia Wo­olf é apa­nha­do o pe­río­do en­tre 1927 e 1941, um dos mais cri­a­ti­vos da sua vi­da, du­ran­te o qual ela se afir­mou de­fi­ni­ti­va­men­te co­mo es­cri­to­ra, e que coin­ci­de com a pu­bli­ca­ção de al­gu­mas das su­as obras mais im­por­tan­tes co­mo “Ru­mo Ao Fa­rol”, “Or­lan­do” ou “Um Qu­ar­to Que Se­ja Seu”. A cer­ta al­tu­ra ela re­la­ta que es­cre­ver o diá­rio é o que lhe dá opor­tu­ni­da­de de es­cre­ver com uma ca­ne­ta, já que qua­se tu­do o res­to era es­cri­to – ou re­es­cri­to – à má­qui­na. É fas­ci­nan­te ver co­mo Vir­gi­nia Wo­olf vi­veu es­te pe­río­do, é uma vi­a­gem ao seu pro­ces­so cri­a­ti­vo, mas tam­bém às su­as dú­vi­das pes­so­ais so­bre a vi­da e so­bre a mor­te, as su­as re­fle­xões so­bre a im­por­tân­cia das ar­tes – em con­so­nân­cia com o Gru­po de Blo­oms­bury, de que foi uma das im­pul­si­o­na­do­ras.

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