AQU E LA C O I SA DA I DAD E

Jornal de Negócios - Weekend (negocios) - - A MINHA ECONOMIA -

Um dia des­tes, dei co­mi­go a pen­sar que a ida­de já não é o que era. Vou tra­du­zir is­to por miú­dos: ho­je em dia, ou­ço com pra­zer no­vos dis­cos de mú­si­cos que co­me­cei a ou­vir há uns 40 anos – de Dy­lan a Springs­te­en, pas­san­do por Neil Young, pa­ra ci­tar só os mais evi­den­tes. Com qua­se 70 anos, Springs­te­en can­tou a his­tó­ria da sua vi­da, to­dos os di­as du­ran­te um ano, num te­a­tro da Bro­adway, so­zi­nho em ci­ma do pal­co, e aos 80 anos o sa­xo­fo­nis­ta Char­les Lloyd fez um dos seus mais mar­can­tes dis­cos ao la­do de Lu­cin­da Wil­li­ams, que tem ago­ra 65 anos. Aos 82 anos, Ro­bert Red­ford de­sem­pe­nhou um dos me­lho­res pa­péis da sua vi­da em “O Ca­va­lhei­ro Com Ar­ma”, ao la­do de uma mag­ní­fi­ca Sis­sy Spa­cek com 69 anos; Mi­cha­el Dou­glas, aos 74 anos, ima­gi­nou e ac­tu­ou nu­ma fan­tás­ti­ca sé­rie de te­le­vi­são, da Net­flix, cha­ma­da “O Mé­to­do Ko­minsky”. As­sis­ti ao nas­ci­men­to e ao de­sen­vol­vi­men­to das car­rei­ras des­tes mú­si­cos e des­tes ac­to­res que, de al­gu­ma for­ma, são len­das do es­pec­tá­cu­lo, tal co­mo os Rol­ling Sto­nes, que con­ti­nu­am a to­car co­mo se não hou­ves­se ama­nhã. Na re­a­li­da­de, nin­guém di­ria que a cul­tu­ra pop, nas su­as vá­ri­as ver­ten­tes, saí­da dos anos 60, ti­ves­se pro­ta­go­nis­tas com es­ta du­ra­bi­li­da­de. Mas a ver­da­de é que é is­so mes­mo que acon­te­ce. A ac­ti­vi­da­de de to­dos eles é a pro­va de que aque­la coi­sa da ida­de já não é o que era. Ain­da bem. Já ago­ra: Tin­tim fez 90 anos e con­ti­nuo a ler as su­as aven­tu­ras com gos­to.

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