ÁG UA-PÉ E CASTAN HAS

Jornal de Negócios - - A MINHA ECONOMIA -

De on­de vem a tra­di­ção de São Mar­ti­nho? Re­mon­ta ao iní­cio do sé­cu­lo V e evo­ca Mar­ti­nho de Tours, que fun­dou o mais an­ti­go mos­tei­ro co­nhe­ci­do na Eu­ro­pa, na re­gião de Li­gu­gé. Co­nhe­ci­do pe­los seus mi­la­gres, o santo atraía mul­ti­dões, foi or­de­na­do bis­po de Tours em 371 e foi se­pul­ta­do a 11 de No­vem­bro de 397 d.C. em Tours, que, por is­so, poucos anos de­pois se tor­nou lo­cal de pe­re­gri­na­ção. Man­da a tra­di­ção que, des­de es­sa épo­ca, na vés­pe­ra e no dia das comemorações, o tem­po me­lho­ra e o sol apa­re­ce, o que es­tá na ori­gem da ex­pres­são “Ve­rão de São Mar­ti­nho”. O dia de São Mar­ti­nho é fes­te­ja­do um pou­co por to­da a Eu­ro­pa, de for­ma di­fe­ren­te. Por exem­plo, em Es­pa­nha ma­tam-se por­cos, tra­di­ção que deu ori­gem ao di­ta­do po­pu­lar “a ca­da cer­do le lle­ga su San Mar­tín” (“ca­da por­co tem o seu São Mar­ti­nho”). Em Por­tu­gal, é tra­di­ção fa­zer-se uma fes­ta, o ma­gus­to, be­ber-se água-pé ou je­ro­pi­ga e pro­var-se o vi­nho no­vo saí­do das vin­di­mas de Se­tem­bro – se­guin­do o di­ta­do po­pu­lar, “no Dia de São Mar­ti­nho, vai à ade­ga e pro­va o vi­nho”. Mas a gran­de be­bi­da des­te dia é a água-pé – que re­sul­ta da adi­ção de mos­to re­ma­nes­cen­te das uvas pi­sa­das pa­ra o vi­nho com água e o en­ga­ço es­ma­ga­do. O re­sul­ta­do é uma be­bi­da le­ve, fre­quen­te­men­te um pou­co ga­so­sa. As nor­mas europeias e a ce­guei­ra dos bu­ro­cra­tas na­ci­o­nais ar­re­da­ram a água-pé da le­ga­li­da­de e ela pas­sou a ser mais ou me­nos clan­des­ti­na ou co­mer­ci­a­li­za­da com ou­tros no­mes. Acom­pa­nha bem os pe­tis­cos na­tu­rais des­ta épo­ca do ano, na ce­le­bra­ção do Ou­to­no – cas­ta­nhas, mar­me­lo nas su­as vá­ri­as for­mas, e ro­mãs.

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