Gru­po de cre­do­res ame­a­ça re­ti­rar con­ces­sões à Bri­sa

Jornal de Negócios - - PRIMEIRA PÁGINA - FI­LI­PA LI­NO/ RA­QUEL GO­DI­NHO MI­GUEL BAL­TA­ZAR

No PSD, es­tão-se to­dos a ma­tar lá den­tro! Ou pa­ram, ou po­de ser um sui­cí­dio co­lec­ti­vo. Mi­guel Pi­na Mar­tins é o CEO e um dos fun­da­do­res da Sci­en­ce4you, a es­tre­la da bol­sa por­tu­gue­sa es­te Na­tal. O IPO da fa­bri­can­te de brin­que­dos ci­en­tí­fi­cos, nas­ci­da há 10 anos, “é o mai­or ris­co que a em­pre­sa já cor­reu”, ad­mi­te. O em­pre­sá­rio e em­pre­en­de­dor aca­ba de lan­çar o li­vro “A Ci­ên­cia de Brin­car” no qual, com o jor­na­lis­ta Rui Hor­te­lão, con­ta a his­tó­ria da start-up. Ao Ne­gó­ci­os, fa­lou das ex­pec­ta­ti­vas que tem, ad­mi­tiu er­ros e fa­lou do seu pas­sa­do na po­lí­ti­ca co­mo “jo­ti­nha”.

Que re­la­ção tinha com a ci­ên­cia an­tes do projecto da Sci­en­ce4you?

Ab­so­lu­ta­men­te ne­nhu­ma.

Não foi da­que­les miú­dos que gos­ta­vam de fa­zer ex­pe­ri­ên­ci­as?

In­fe­liz­men­te, não. Não gos­ta­va dos mi­cros­có­pi­os nem dos te­les­có­pi­os. O meu ir­mão, que é mais ve­lho, é que ado­ra­va. Ele se­guiu bi­o­lo­gia. Foi gi­ro por­que aca­bá­mos por nos re­en­con­trar na Fa­cul­da­de de Ci­ên­ci­as [da Uni­ver­si­da­de de Lis­boa] qu­an­do ele es­ta­va lá a dar au­las e a ti­rar o dou­to­ra­men­to. A Sci­en­ce4you, ini­ci­al­men­te, era nes­sa fa­cul­da­de. Qu­an­do era pe­que­no, eu gos­ta­va mui­to dos mo­no­pó­li­os e dos le­gos. Con­ti­nuo a ado­rar.

Ain­da é um brin­que­do mui­to con­sen­su­al.

A Le­go é uma gran­de ins­pi­ra­ção pa­ra nós, na Sci­en­ce4you, por­que é uma mar­ca “um­brel­la”, ao con­trá­rio da Mat­tel e da Has­bro. A Has­bro é de­ten­to­ra do jo­go do Mo­no­pó­lio e das Nurfs. E a Mat­tel da Bar­bie e dos Hot Whe­els. A Le­go é a Le­go. É o mai­or ca­so de su­ces­so, a ní­vel mun­di­al, de cres­ci­men­to de uma em­pre­sa de brin­que­dos. Até há 10 anos, es­ta­va nu­ma si­tu­a­ção com­pli­ca­dís­si­ma e passou por um re­nas­ci­men­to. Per­de­ram a pa­ten­te das pe­ças. Ho­je em dia, há le­gos igual­zi­nhos a me­ta­de do pre­ço. Mas, mes­mo com es­se de­sa­fio, con­se­gui­ram cres­cer. Co­me­ça­ram a apos­tar em li­cen­ci­a­men­to e tam­bém no on­li­ne. Cri­a­ram mui­tos con­teú­dos pa­ra a in­ter­net, apos­ta­ram em mul­ti­mé­dia, em fil­mes. E o You­Tu­be es­tá car­re­ga­do de de­se­nhos ani­ma­dos da Le­go. Fo­ram mui­to in­te­li­gen­tes. É aqui­lo que nós pro­cu­ra­mos: um brin­que­do di­dác­ti­co que os pais gos­tam de ofe­re­cer por­que ti­ra os fi­lhos dos ecrãs.

A tec­no­lo­gia não é uma ame­a­ça?

Não, é uma opor­tu­ni­da­de mui­to gran­de pa­ra a Sci­en­ce4you. As cri­an­ças es­tão vi­ci­a­dís­si­mas em ecrãs. É fa­cí­li­mo com­prar o si­lên­cio em ca­sa dan­do-lhes ecrãs. Eu tam­bém o fa­ço. To­da a gen­te o faz. Mas é mau. O brin­que­do é a me­lhor fer­ra­men­ta pa­ra ti­rar as cri­an­ças dos ecrãs. O mer­ca­do dos brin­que­dos cres­ceu mais de 10% nos úl­ti­mos 10 anos por­que quan­to mais as cri­an­ças es­tão vi­ci­a­das em ecrãs mais os pais per­ce­bem que têm de ar­ran­jar ma­nei­ra de os ti­rar da­li. E o brin­que­do Sci­en­ce4you co­mu­ni­ca mui­to bem com os pais. Tem um “mix” en­tre di­ver­são e edu­ca­ção. E a pró­pria cri­an­ça vai pro­cu­rar o adul­to pa­ra a aju­dar. Is­so é im­por­tan­te. A Sci­en­ce4you ten­ta reu­nir fa­mí­li­as. Além dis­so, há um po­ten­ci­al de ven­da on­li­ne gi­gan­tes­co. A Ama­zon tem uma van­ta­gem mui­to gran­de – é ex­tre­ma­men­te de­mo­crá­ti­ca. É pre­ci­so in­ves­ti­men­to e tem­po, mas é pos­sí­vel. Já pro­vá­mos que con­se­gui­mos che­gar à “po­le po­si­ti­on”. Na quin­ta-fei­ra an­tes da Black Fri­day, ti­ve­mos o se­gun­do pro­du­to mais ven­di­do na Ama­zon na ca­te­go­ria de brin­que­dos, lo­go de­pois do Mo­no­pó­lio. Foi o Sli­me Fac­tory Glow in the Dark. Con­se­gui­mos ser nú­me­ro dois! Mas de­pois aca­bou o “stock”! (ri­sos)

O projecto da Sci­en­ce4you nas­ceu qu­an­do ain­da es­ta­va a ti­rar a li­cen­ci­a­tu­ra em Fi­nan­ças, no ISCTE. Era o seu projecto de fi­nal de cur­so. Tu­do co­me­çou com um pa­pe­li­nho que di­zia “kits de Fí­si­ca”.

Sim, foi em Ja­nei­ro de 2007. O pro­fes­sor Pau­lo Es­pe­ran­ça, que ago­ra é o de­an da ISCTE Bu­si­ness Scho­ol, tinha um mé­to­do ino­va­dor de dis­tri­bui­ção de idei­as. Era um cha­péu que tinha pa­pe­li­nhos com idei­as es­cri­tas. Ca­da gru­po ti­ra­va um pa­pe­li­nho. Eu ti­rei o do meu gru­po, que di­zia: “Kits de Fí­si­ca.” Olhá­mos e fi­cá­mos re­vol­ta­dos. Os ti­pos à nos­sa fren­te ti­nham um ca­mião do li­xo com bac­té­ri­as e que fa­zia me­nos três vi­a­gens por noi­te ao ater­ro por­que as bac­té­ri­as iam con­su­min­do o li­xo. O gru­po ao la­do tinha uma bac­té­ria pa­ra co­lo­car nos cam­pos de gol­fe, de mo­do a pre­ci­sar de me­nos 40% de água. Eram idei­as es­pec­ta­cu­la­res! E nós tí­nha­mos os kits de Fí­si­ca... Che­gá­mos ao pé do pro­fes­sor e dis­se­mos: não que­re­mos fa­zer is­to. Não há ou­tro pa­pel? Não so­brou ne­nhu­ma ideia? E o pro­fes­sor dis­se: não. Nós in­sis­ti­mos: que­re­mos tro­car. Ele re­cu­sou vá­ri­as ve­zes e por fim dis­se: aca­bou a con­ver­sa. Têm du­as hi­pó­te­ses: ou fa­zem os kits de Fí­si­ca ou não aca­bam o cur­so. Cla­ro que fi­ze­mos os kits. (ri­sos)

Pro­vá­mos que con­se­gui­mos che­gar à “po­le po­si­ti­on”. Na quin­ta-fei­ra an­tes da Black Fri­day, ti­ve­mos o se­gun­do pro­du­to mais ven­di­do na Ama­zon na ca­te­go­ria de brin­que­dos.

Nes­ta fa­se, já ha­via uma par­ce­ria com a Fa­cul­da­de de Ci­ên­ci­as?

Sim, as idei­as vi­nham da Fa­cul­da­de de Ci­ên­ci­as pa­ra nós mon­tar­mos os pla­nos de ne­gó­cio. Qu­an­do fo­mos lá, odiá­mos ain­da mais a ideia. Era ma­te­ri­al de la­bo­ra­tó­rio enor­me pa­ra ven­der às es­co­las. Até que uma coi­sa me cha­mou a aten­ção – era “cer­ti­fi­ca­do pe­la Fa­cul­da­de de Ci­ên­ci­as da Uni­ver­si­da­de de Lis­boa”. Pen­sá­mos: e se, além dos kits, fi­zer­mos fes­tas de ani­ver­sá­rio e cam­pos de fé­ri­as na Fa­cul­da­de de Ci­ên­ci­as, cer­ti­fi­ca­das pe­la Fa­cul­da­de de Ci­ên­ci­as, pa­ra os miú­dos se en­tu­si­as­ma­rem com a quí­mi­ca e com a bi­o­lo­gia? E brin­que­dos ci­en­tí­fi­cos com o sím­bo­lo da fa­cul­da­de em vez de ser a Mat­tel ou a Has­bro a di­ze­rem que era bom? Tem po­ten­ci­al! E pron­to, fi­ze­mos o pla­no de ne­gó­cio. Ti­ve­mos boa no­ta. Ha­via um pré­mio, mas não ga­nhá­mos. Aca­bá­mos o cur­so e eu fui tra­ba­lhar pa­ra a ban­ca de in­ves­ti­men­to.

Vi­rou a pá­gi­na e não pen­sou mais nis­so?

Sim, es­ta­va fei­to. Aca­bou. Em 2007, ha­via mui­to em­pre­go. Foi mes­mo an­tes de a cri­se in­ter­na­ci­o­nal re­ben­tar. O “sub­pri­me” re­ben­tou no Ve­rão e lem­bro-me de que es­ta­va na sa­la de mer­ca­dos. Tu­do em apo­te­o­se. Era uma fes­ta. Lem­bro-me da co­ta­ção do BCP a 4,20 eu­ros. Fo­ram qu­a­tro me­ses mui­to in­ten­sos. Só que co­me­cei a pen­sar que não era aqui­lo que eu que­ria fa­zer até ao fim da vi­da. Pen­sei: o que é que eu fa­ço aqui? Com­pro ou ven­do ac­ções. Ou não fa­ço na­da. Era re­du­tor.

Não gos­tou da ex­pe­ri­ên­cia?

Fui atrás do di­nhei­ro. Não sa­bia o que que­ria fa­zer. Pa­ga­va-se mui­to bem na al­tu­ra. O meu or­de­na­do era, pa­ra aí, 1.500 ou 1.600 eu­ros. Aca­ba­di­nho de sair da fa­cul­da­de! Ti­ve cerca de oi­to pro­pos­tas de tra­ba­lho des­te gé­ne­ro, mas es­ta era a que pa­ga­va mais. Es­ta­va no cur­so de Fi­nan­ças e to­da a gen­te que­ria ir pa­ra a ban­ca de in­ves­ti­men­to. Fui dos poucos a ter es­sa opor­tu­ni­da­de. Pen­sei: se to­da a gen­te quer ir pa­ra lá, de­ve ser bom. Ao fim dos qu­a­tro me­ses, fui ter com o meu che­fe, que era o Di­o­go Cos­ta do BIG, e dis­se-lhe que ia ten­tar le­van­tar ca­pi­tal pa­ra a Sci­en­ce4you.

Mas qu­an­do é que per­ce­beu que is­so po­dia ser um ca­mi­nho pa­ra si?

O Luís Mar­tins, ain­da ho­je ad­mi­nis­tra­dor da em­pre­sa, es­ta­va a tra­ba­lhar no Au­dax, que era o cen­tro de em­pre­en­de­do­ris­mo do ISCTE, e tinha a mis­são de ten­tar pe­gar nes­ses pro­jec­tos de fi­nal de cur­so e trans­for­má-los em em­pre­sas. Ele era meu co­le­ga e meu ami­go da fa­cul­da­de. Fui pa­ra o BIG e ele pa­ra o Au­dax. O Luís não pa­ra­va de me cha­te­ar. Va­mos ten­tar. E eu acei­tei. Mas ins­cre­vi-me no mes­tra­do, pa­ra o ca­so de aqui­lo cor­rer mal. Pe­lo me­nos po­dia di­zer que tinha ido ti­rar o mes­tra­do.

Ser­via pa­ra se des­cul­par aos seus pais?

Sim, prin­ci­pal­men­te a eles. Li­cen­ci­ei-me com mé­dia de 14. Não era um su­pe­ra­lu­no, mas fiz tu­do cer­ti­nho. E, so­bre­tu­do, era mui­to no­vo, tinha 21 anos. Os meus pais dis­se­ram: vai ti­rar o mes­tra­do. Não há pro­ble­ma. Qu­e­res ex­pe­ri­men­tar uma coi­sa di­fe­ren­te? Não ha­via pres­sa. Vi­via em ca­sa dos meus pais, não tinha en­car­gos, não tinha mui­to a per­der. Não es­ta­va a ar­ris­car mui­to. Se não cor­res­se bem, era a vi­da.

O que acon­te­ceu aos seus ou­tros co­le­gas que ti­ra­ram o pa­pe­li­nho con­si­go?

Ca­da um se­guiu o seu ca­mi­nho. Uns fo­ram pa­ra a Del­loi­te, ou­tros pa­ra BCP, Santander, PwC... Es­tão to­dos mui­to bem.

Co­mo é que co­me­çou a de­sen­vol­ver a em­pre­sa?

Le­van­tá­mos 45 mil eu­ros. Mas, pri­mei­ro, pe­guei nos meus 1.125 eu­ros – que foi o meu pri­mei­ro in­ves­ti­men­to. Na al­tu­ra, pa­ga­va-se bem na ban­ca de in­ves­ti­men­to, mas não so­brou mui­to por­que eu “lim­pei” lo­go os meus pri­mei­ros or­de­na­dos em sei lá o quê. Faz par­te. (ri­sos) Nun­ca tinha re­ce­bi­do na­da... eram só no­tas! Pa­ga­va ro­da­das a to­dos. Da­rem aque­le di­nhei­ro a um miú­do de 21 anos... não fa­zia sen­ti­do ne­nhum. De­pois, lá con­se­gui os tais 1.125 eu­ros e fiz um pe­di­tó­rio no ISCTE. Eram pre­ci­sos 5 mil eu­ros e eu não os tinha. O Luís Mar­tins en­trou com mais 1.125 eu­ros. Eu dis­se-lhe: já que me con­ven­ces­te a vir pa­ra aqui, pões tu­do igual a mim. Mas ain­da fal­ta­va mui­to. En­tão, an­dei a ba­ter à por­ta dos pro­fes­so­res no ISCTE.

Os pro­fes­so­res do ISCTE é que fi­nan­ci­a­ram a Sci­en­ce4you?

Sim. O pro­fes­sor Pau­lo Es­pe­ran­ça, de cu­jo cha­péu ti­rei o pa­pe­li­nho, foi um dos que pu­se­ram mais. Ele obri­gou-me a ti­rar a ideia! (ri­sos) Pôs 500 eu­ros. De­pois, o pro­fes­sor Go­mes Mo­ta pôs 250 eu­ros. A pro­fes­so­ra Cle­men­ti­na Bar­ro­so pôs 250 eu­ros. O pro­fes­sor Lei­te Iná­cio, que era o nos­so co­or­de­na­dor de projecto, en­trou com 500 eu­ros. E fo­mos pe­din­do até con­se­guir os 5 mil eu­ros.

Es­se di­nhei­ro ser­viu pa­ra quê?

Pa­ra co­me­çar a em­pre­sa. De­pois fo­mos bus­car 45 mil eu­ros ao ca­pi­tal de ris­co, à Por­tu­gal Ven­tu­res, na al­tu­ra InovCa­pi­tal. E o res­to fo­ram os kits de Fí­si­ca que en­tra­ram com 5 mil eu­ros em es­pé­cie, que eram as pa­ten­tes. E os ou­tros 5 mil eu­ros foi di­nhei­ro da­do por es­tas pes­so­as.

Qu­an­do foi à Por­tu­gal Ven­tu­res pro­cu­rar fi­nan­ci­a­men­to, con­se­guiu lo­go con­ven­cê-los de que era um bom projecto?

Ti­ve­mos de fa­zer car­tas de in­ten­ções. Mas, nes­sa al­tu­ra, a cri­se ain­da não se es­ta­va a sen­tir. Não ti­ve di­fi­cul­da­de em con­ven­cer por­que não ha­via na­da. O pró­prio fun­do não es­ta­va bem mon­ta­do. Eu era um em­pre­en­de­dor que tinha 2% da em­pre­sa. A Por­tu­gal Ven­tu­res tinha 90%. Is­to, ho­je em dia, não ca­be na ca­be­ça de nin­guém. Mas nin­guém sa­bia fa­zer es­tas ope­ra­ções, en­tão fa­zia-se as­sim. A as­nei­ra­da que ia sen­do fei­ta foi cor­ri­gi­da mais à fren­te, qu­an­do o pro­fes­sor José Epi­fâ­nio da Fran­ca en­trou pa­ra a Por­tu­gal Ven­tu­res. Ele tinha uma enor­me ex­pe­ri­ên­cia nes­te pro­ces­sos. Tinha fei­to mui­tas ron­das in­ter­na­ci­o­nais e tinha ex­pe­ri­ên­cia de “pri­va­te equity”. Sa­bia fa­zer [es­tes pro­ces­sos de fi­nan­ci­a­men­to de start-ups] de uma pon­ta à ou­tra. Qu­an­do foi pa­ra pre­si­den­te da Por­tu­gal Ven­tu­res, dis­se: is­to es­tá tu­do mal. E re­fez a “cap ta­ble” to­da. Foi ex­tre­ma­men-

A es­tru­tu­ra or­ga­ni­za­ti­va de um par­ti­do es­tá mon­ta­da pa­ra que as pes­so­as for­mem ca­ci­ques de vo­to. A úni­ca for­ma de re­sol­ver is­to é com di­rec­tas pa­ra tu­do.

A po­lí­ti­ca dá-nos uma ta­rim­ba mui­to gran­de na li­de­ran­ça. Quem con­se­guir li­de­rar or­ga­ni­za­ções de vo­lun­tá­ri­os tem uma van­ta­gem mui­to su­pe­ri­or.

te im­por­tan­te. Tinha mui­to aque­la ideia de in­ves­tir. Era pre­ci­so di­nâ­mi­ca, a eco­no­mia es­ta­va de­so­la­da. A 30 de Ja­nei­ro de 2008, pas­sam-nos um che­que de 45 mil eu­ros e co­me­çá­mos a tra­ba­lhar. Nes­se ano, ven­de­mos 55 mil eu­ros e, no ano pas­sa­do, ven­de­mos um pou­co mais de 20 mi­lhões de eu­ros.

Qual foi o pri­mei­ro brin­que­do da Sci­en­ce4you?

Um ge­ra­dor eó­li­co. Tam­bém tí­nha­mos um es­to­jo de quí­mi­ca, brin­que­dos de fí­si­ca...

Mas quem é que cri­ou es­ses brin­que­dos?

O que fa­zía­mos era en­con­trar brin­que­dos mi­ni­ma­men­te ci­en­tí­fi­cos, im­por­tá­va­mos, fa­zía­mos um li­vro to­do bo­ni­to, es­cri­to pe­los pro­fes­so­res da Fa­cul­da­de de Ci­ên­ci­as que ti­nham da­do os tais 5 mil eu­ros ini­ci­ais em pa­ten­tes, que nos iam es­cre­ven­do os li­vros “pro bo­no”, por­que eram ac­ci­o­nis­tas da em­pre­sa. De­pois co­lo­cá­va­mos o sím­bo­lo da fa­cul­da­de. Na prá­ti­ca, usá­va­mos brin­que­dos que já exis­ti­am. Eu não per­ce­bia na­da de ci­ên­cia, ain­da não per­ce­bo e foi as­sim que co­me­çou. O pri­mei­ro brin­que­do in­tei­ra­men­te fei­to por nós foi o vul­cão. Ho­je, tu­do o que fa­ze­mos é nos­so.

Co­mo é o pro­ces­so de cri­ar um brin­que­do ci­en­tí­fi­co?

Te­mos o “brains­tor­ming”, em que os nos­sos ci­en­tis­tas dão idei­as, o mar­ke­ting tam­bém apu­ra as ten­dên­ci­as. Ago­ra es­tão na mo­da as bom­bas de ba­nho. É uma coi­sa que se ati­ra pa­ra a água e faz uns sais. Ca­da vez mais as ten­dên­ci­as têm que ver com os You­Tu­bers. O “sli­me” [o pro­du­to mais ven­di­do] vem mui­to daí. E a nos­sa con­cor­rên­cia é sem­pre ex­tre­ma­men­te ins­pi­ra­do­ra. Faz par­te.

Têm de es­tar aten­tos aos You­Tu­bers?

Sim, por­que tu­do o que é vi­su­al é mui­to mais fá­cil de ser ten­dên­cia. O YouTu­ber vi­ve mui­to do con­teú­do. O “sli­me” é gi­rís­si­mo, por exem­plo.

Os brin­que­dos que pro­duz es­tão a mu­dar a for­ma co­mo as cri­an­ças olham pa­ra a ci­ên­cia?

É uma pe­dra­da no char­co. Acho que é uma aju­da. Es­tou ca­paz de di­zer que Por­tu­gal é o país on­de há mai­or per­cen­ta­gem de ven­da de brin­que­dos ci­en­tí­fi­cos na Eu­ro­pa, “per ca­pi­ta”. Qua­se que criá­mos es­ta ca­te­go­ria. Já se as­so­cia mui­to a mar­ca ao brin­que­do ci­en­tí­fi­co. Fe­liz­men­te, con­se­gui­mos dar es­se “in­put” aqui. Nos ou­tros paí­ses, ain­da não te­mos di­men­são que o per­mi­ta. Con­se­gui­mos fa­zê-lo por­que jun­ta­mos di­ver­são e edu­ca­ção. É ci­ên­cia na mes­ma, mas tem de ser di­ver­ti­do. O “sli­me” é pa­ra fa­zer uma coi-

sa no­jen­ta que se pe­ga por to­do o la­do e que os miú­dos ado­ram.

Que er­ros co­me­teu nes­tes 10 anos?

Es­te brin­que­do, que é o Smart Mon­key, é um ma­ca­co de pe­lu­che que tem blu­e­to­oth cá den­tro, que se li­ga ao ta­blet. O ma­ca­co diz: vou-te en­si­nar a con­tar. E a cri­an­ça diz: um, dois, qu­a­tro... O ma­ca­co res­pon­de: es­tá er­ra­do! E faz ou­tras coi­sas. Uma pes­soa olha pa­ra is­to e pen­sa: é es­pec­ta­cu­lar! Vai ven­der co­mo pãe­zi­nhos quen­tes. Não, não ven­deu. Foi um fra­cas­so. Porquê? Os pais não que­rem que as cri­an­ças brin­quem com os ta­blets. Qu­an­do vão à Sci­en­ce4you, que­rem que eles não es­te­jam com o ta­blet. Não con­se­gui­mos ter brin­que­dos hí­bri­dos. Por is­so con­ti­nu­a­mos a fa­zer brin­que­dos que ti­rem as cri­an­ças dos ecrãs. Mas co­me­ti mui­tos er­ros. Um miú­do com 21 anos a abrir uma em­pre­sa e que nem sa­bia que uma en­tre­ga no El Cor­te In­glés do Por­to se fa­zia por TNT ou por DHL... Pe­guei no car­ro e fui até lá aci­ma com os ban­cos re­ba­ti­dos. Pa­guei uma for­tu­na e só me aper­ce­bi qu­an­do lá cheguei. Fo­ram mui­tos er­ros. Mas faz par­te. O im­por­tan­te é er­rar, le­van­tar e con­ti­nu­ar. É pre­ci­so ver­mos o er­ro co­mo uma opor­tu­ni­da­de e uma par­te in­te­gran­te do pro­ces­so. Nós, por­tu­gue­ses, te­mos um pro­ble­ma com o fa­lhan­ço. Te­mos de fa­lhar pa­ra apren­der. To­dos. A vi­da to­da.

Hou­ve uma al­tu­ra em que es­te­ve mui­to li­ga­do à po­lí­ti­ca. Aos 19 anos, era de­pu­ta­do mu­ni­ci­pal do PSD no Sei­xal e che­gou a ser pre­si­den­te da JSD dis­tri­tal de Se­tú­bal.

E cheguei a ser ain­da, por uns tem­pos, pre­si­den­te da me­sa do con­gres­so da JSD na­ci­o­nal.

Nun­ca te­ve am­bi­ções po­lí­ti­cas?

Sem­pre gos­tei mui­to da po­lí­ti­ca, e ain­da gos­to, mas não achei que fos­se vi­da pa­ra mim. É um ca­mi­nho que não é fá­cil.

Fi­cou de­si­lu­di­do?

Não di­rec­ta­men­te. Aqui, eu ven­do brin­que­dos. Te­nho de fac­tu­rar e ter lu­cro. Na po­lí­ti­ca, o ca­mi­nho é ter vo­tos. In­ter­nos, aci­ma de tu­do. Quem é que vo­ta em nós? São os ami­gos. E ve­mos os ca­ci­ques e aque­la coi­sa to­da. Se o ob­jec­ti­vo é ter vo­tos e uma pes­soa tem uma fa­mí­lia com 30 pes­so­as, pe­ga na car­ri­nha, vai bus­cá-las e le­va-as a vo­tar. Fi­ca to­da a gen­te mui­to es­can­da­li­za­da. Mas o ob­jec­ti­vo é ter vo­tos. Ou se­ja, o prin­cí­pio do par­ti­do po­lí­ti­co, co­mo es­tá mon­ta­do, é que se­jam for­ma­dos ca­ci­ques de vo­to, que fa­çam um bom tra­ba­lho, mas que con­tro­lem os vo­tos uns dos ou­tros, pa­ra con­se­gui­rem lugares. E, quan­to mais pe­que­nos são os mei­os, mais is­to acon­te­ce. Por is­so é que as di­rec­tas são mui­to im­por­tan­tes. As pes­so­as não con­tro­lam os ca­der­nos elei­to­rais. É al­go fun­da­men­tal pa­ra a de­mo­cra­ti­za­ção das so­ci­e­da­des. Não é pre­ci­so an­dar a pa­gar quo­tas. Aqui­lo é sem­pre um es­cân­da­lo, aque­le tem as quo­tas pa­gas, quem é que lhe pa­gou? Mas os par­ti­dos fo­ram mon­ta­dos as­sim...

Ain­da es­tá li­ga­do ao PSD?

Não, não es­tou. Já não te­nho car­gos.

Mas é mi­li­tan­te?

Ain­da sou mi­li­tan­te, mas já não pa­go as quo­tas há mui­to tem­po.

Co­mo em­pre­sá­rio, sen­te que a sua ex­pe­ri­ên­cia po­lí­ti­ca lhe abriu por­tas?

Não, por­que nun­ca cheguei a ter um car­go re­le­van­te.

Mas tem co­nhe­ci­men­tos e, na po­lí­ti­ca, is­so tam­bém tem va­lor.

Nós não ven­de­mos ao Es­ta­do. A Câ­ma­ra de Lis­boa com­pra-nos, se ca­lhar, três ou qu­a­tro mil eu­ros de brin­que­dos pa­ra “cor­po­ra­te”, mas o Es­ta­do não é nos­so cli­en­te. Cla­ro que é sem­pre bom ter “networ­king”. Por exem­plo, o do­no da grá­fi­ca que nos deu a mão ini­ci­al­men­te, e que foi mui­to im­por­tan­te no pro­ces­so to­do da Sci­en­ce4you, foi uma pes­soa que co­nhe­ci qu­an­do es­ta­va na JSD. Nes­se as­pec­to, ob­vi­a­men­te, é im­por­tan­te. Mas, aci­ma de tu­do, a po­lí­ti­ca dá-nos uma ta­rim­ba mui­to gran­de na li­de­ran­ça. Acre­di­to que quem con­se­guir li­de­rar or­ga­ni­za­ções de vo­lun­tá­ri­os tem uma van­ta­gem mui­to su­pe­ri­or qu­an­do li­de­rar or­ga­ni­za­ções em que as pes­so­as de­pen­dem do seu or­de­na­do pa­ra ali es­tar. Nu­ma or­ga­ni­za­ção de vo­lun­tá­ri­os, a pes­soa tem de ter uma ca­pa­ci­da­de de mo­bi­li­za­ção gi­gan­tes­ca. Não pos­so di­zer: tens de ir pa­ra ali. Só vai quem quer, ao fim do dia, qu­an­do já es­tá can­sa­do e sem qual­quer pers­pec­ti­va de re­ce­ber ab­so­lu­ta­men­te na­da. Não ha­via pers­pec­ti­va ne­nhu­ma de al­guém se tor­nar pro­fis­si­o­nal no dis­tri­to de Se­tú­bal. Era por ca­ro­li­ce. Acho que is­so me deu uma ta­rim­ba gran­de.

As ju­ven­tu­des par­ti­dá­ri­as não têm boa ima­gem. Há a ideia de que quem vai pa­ra as “jo­tas” es­tá à pro­cu­ra de um “ta­cho”.

Co­mo em to­do o la­do, há bo­as pes­so­as que es­tão nas ju­ven­tu­des par­ti­dá­ri­as e há ou­tras que são pés­si­mas. Mais uma vez, di­go: a es­tru­tu­ra or­ga­ni­za­ti­va de um par­ti­do es­tá mon­ta­da pa­ra que as pes­so­as for­mem ca­ci­ques de vo­to. Ob­vi­a­men­te, o mo­de­lo não é es­pec­ta­cu­lar. Tam­bém não co­nhe­ço ou­tro, não es­tou a dar so­lu­ções. A úni­ca for­ma de re­sol­ver is­to, no meu en­ten­der, é com di­rec­tas pa­ra tu­do. Quan­to me­nos se con­tro­lar o uni­ver­so, mais de­mo­crá­ti­co ele é. Mas é mui­to di­fí­cil sair dis­to. É pre­ci­so do­mi­nar a má­qui­na do par­ti­do e, às ve­zes, su­jar as mãos pa­ra a do­mi­nar. Por­que as pes­so­as vi­vem da­qui­lo. Têm de lu­tar pa­ra de­fen­der o que é seu.

O PSD es­tá a vi­ver um mo­men­to di­fí­cil.

É um mo­men­to nor­mal que já vi­veu no pas­sa­do.

Acha nor­mal a con­tes­ta­ção in­ter­na ao pre­si­den­te do par­ti­do, Rui Rio?

Na al­tu­ra do Mar­ques Men­des e do Luís Fi­li­pe Me­ne­zes, tam­bém foi do pi­or. Acho que até pi­or do que ago­ra. O Me­ne­zes di­zia que só saía à bom­ba e, pas­sa­do não sei quan­to tem­po, saiu. Com o pró­prio Mar­ques Men­des, es­ta­va sem­pre tu­do em re­be­lião. Acho que o PSD e os par­ti­dos, ge­ne­ri­ca­men­te, qu­an­do es­tão na opo­si­ção, têm di­fi­cul­da­de em ge­rir a si­tu­a­ção. Há sem­pre al­guém que acre­di­ta que po­de lá che­gar [ao poder] mais ce­do do que se pre­vê. As son­da­gens não apa­re­cem e as pes­so­as co­me­çam a fi­car ner­vo­sas por­que, mais uma vez, de­pen­dem da­qui­lo pa­ra vi­ver. É co­mo es­tá fei­to o apa­re­lho. Qu­an­do en­tra um lí­der, à par­ti­da, há me­ta­de do par­ti­do que es­tá de fo­ra nas pró­xi­mas lis­tas de de­pu­ta­dos. Is­to fun­ci­o­na tu­do as­sim, in­fe­liz­men­te. Qu­an­do a Ma­nu­e­la Fer­rei­ra Lei­te ga­nhou e ex­cluiu o Passos Co­e­lho e o pró­prio Mi­guel Rel­vas das lis­tas de de­pu­ta­dos, aqui­lo ge­rou um gran­de mal-es­tar. Por is­so é que ago­ra es­tão to­dos se­den­tos de san­gue. Por­que já sa­bem o que vai acon­te­cer. “Vão ex­cluir-me, não te­nho em­pre­go, o que é que fa­ço da mi­nha vi­da?”

Rui Rio te­rá ca­pa­ci­da­de pa­ra se man­ter no car­go até às pró­xi­mas elei­ções?

Ca­pa­ci­da­de tem. Foi elei­to.

Pes­so­al­men­te, o que lhe pa­re­ce es­ta li­de­ran­ça?

Foi o que o par­ti­do de­ci­diu. Não vo­tei.

O PSD tem si­do acu­sa­do de não ter fei­to uma boa opo­si­ção.

Es­tão-se to­dos a ma­tar lá den­tro! Ou pa­ram, co­mo dis­se um dia des­tes um dos vi­ce-pre­si­den­tes, ou acho que po­de ser um sui­cí­dio co­lec­ti­vo. É bom ha­ver opo­si­ção em Por­tu­gal, é mui­to im­por­tan­te exis­tir equi­lí­bri­os, e tam­bém acho que é im­por­tan­te con­se­guir go­ver­nar com os pro­gra­mas de go­ver­no que fi­ze­ram. Sou uma pes­soa ten­den­ci­al­men­te mais à di­rei­ta, mas nes­te mo­men­to se­ria pre­fe­rí­vel o PS a go­ver­nar so­zi­nho do que com uma maioria de es­quer­da. Se­ria im­por­tan­te que não hou­ves­se mais ge­rin­gon­ças, por­que é pre­ci­so fa­zer re­for­mas.

Pre­fe­re o PS a go­ver­nar so­zi­nho ou num blo­co cen­tral com o PSD?

Pre­fe­ria, se fos­se pos­sí­vel, com o PSD. Acho que se con­se­gui­ria dar um equi­lí­brio mais in­te­res­san­te. Fa­ria to­do o sen­ti­do. Mas o mais im­por­tan­te é a es­ta­bi­li­da­de po­lí­ti­ca. Pre­fe­ria que o PS ti­ves­se go­ver­na­do so­zi­nho do que com a ge­rin­gon­ça. Acho que o PS tinha um programa de go­ver­no mui­to in­te­res­san­te a ní­vel de re­for­mas e as coi­sas fi­ca­ram um bo­ca­di­nho por fa­zer. Mes­mo as­sim, ten­do em con­ta as ex­pec­ta­ti­vas e to­dos os con­sen­sos ne­ces­sá­ri­os, acho que con­se­gui­ram fa­zer um ex­ce­len­te tra­ba­lho. Ago­ra fal­ta im­ple­men­tar al­gu­mas re­for­mas que im­pli­cam uma es­ta­bi­li­da­de go­ver­na­ti­va di­fe­ren­te. É is­so que o país pre­ci­sa. E pre­ci­sa tam­bém de or­ça­men­tos ami­gá­veis das em­pre­sas pa­ra po­ten­ci­ar o in­ves­ti­men­to, a cri­a­ção de em­pre­go, a ex­por­ta­ção – tu­do aqui­lo que pre­ci­sa­mos pa­ra con­ti­nu­ar­mos a cres­cer.

An­tó­nio Cos­ta es­te­ve aqui há poucos di­as. Vi­si­tar as su­as ins­ta­la­ções, pre­ci­sa­men­te na al­tu­ra em que es­ta­va a lan­çar a em­pre­sa na bol­sa, é um si­nal po­lí­ti­co?

Não. Con­vi­dei-o num jan­tar ofe­re­ci­do no âm­bi­to do Web Summit. Nes­sa al­tu­ra, não sa­bia a da­ta e não era pú­bli­co se­quer que ía­mos fa­zer o IPO.

O pri­mei­ro-mi­nis­tro não veio dar um cu­nho na­ci­o­nal à ope­ra­ção?

Era im­por­tan­te que não hou­ves­se mais “ge­rin­gon­ças” por­que é pre­ci­so fa­zer re­for­mas.

Já se as­so­cia mui­to a mar­ca ao brin­que­do ci­en­tí­fi­co [...]. Não que­ro ver-me li­vre dis­to. É o meu be­bé, pa­ra o bem e pa­ra o mal.

Não te­ve na­da que ver com is­so. Acho que o An­tó­nio Cos­ta veio dar uma no­ta de que quer apoi­ar as em­pre­sas. O país pre­ci­sa dis­so. Pe­lo me­nos, foi es­se o sen­ti­men­to que ti­ve.

Foi uma gran­de coin­ci­dên­cia...

Foi. Gos­tá­mos, ob­vi­a­men­te. É sem­pre uma honra re­ce­ber o pri­mei­ro-mi­nis­tro.

A es­treia em bol­sa da Sci­en­ce4you vai, à par­ti­da, ocor­rer três di­as an­tes do Na­tal. Por­que é que era tão im­por­tan­te que fos­se nes­ta al­tu­ra?

Por­que é qu­an­do se fa­la mais de brin­que­dos, há mais ex­po­si­ção me­diá­ti­ca. Era im­por­tan­te ten­tar jun­tar as du­as coi­sas. Es­ta não é uma ope­ra­ção gi­gan­tes­ca. E acre­di­ta­mos que aju­da tam­bém nas ven­das por­que te­mos mais qui­os­ques aber­tos, uma ca­pa­ci­da­de de co­mu­ni­ca­ção su­pe­ri­or, as pes­so­as es­tão mais aten­tas. Em Ja­nei­ro, já nin­guém po­de ver brin­que­dos à fren­te.

Não tem medo de es­tar a dar um pas­so mai­or do que a per­na?

É o mai­or de­sa­fio que a Sci­en­ce4you al­gu­ma vez te­ve. Mas acre­di­ta­mos que é pos­sí­vel. Há uma coi­sa mui­to im­por­tan­te, que nin­guém con­tro­la, que é o “ti­ming ” do mer­ca­do. Vi­mos o que acon­te­ceu com a So­nae [re­ti­rou a ope­ra­ção do mer­ca­do]. Ape­sar de que, qu­an­do a So­nae acon­te­ceu, o nos­so o bar­co já es­ta­va den­tro de água, por is­so, era com­ple­ta­men­te in­di­fe­ren­te. Te­mos de per­ce­ber o que o mer­ca­do acha. É um de­sa­fio. Mas na vi­da é pre­ci­so cor­rer ris­cos. Faz par­te do que é a Sci­en­ce4you. Des­de o pri­mei­ro dia, qu­an­do nas­ceu, foi um ti­ro no es­cu­ro.

Nes­te mo­men­to, há pro­ble­mas no sec­tor, com gi­gan­tes co­mo a Toys “R” Us a pas­sar por di­fi­cul­da­des. Co­mo é que os in­ves­ti­do­res vão olhar pa­ra is­so?

É uma ques­tão de ve­rem on­de é que nós es­ta­mos. O re­ta­lho es­tá a pas­sar por pro­ble­mas e a so­lu­ção que apre­sen­ta­mos é: va­mos apos­tar no e-com­mer­ce. Es­te é o fu­tu­ro da Sci­en­ce4you. É a Ama­zon que nos vai fa­zer as ven­das e que­re­mos cons­truir uma pla­ta­for­ma edu­ca­ti­va em que as cri­an­ças vão ao si­te e têm con­teú­dos edu­ca­ti­vos, em que apren­dem co­mo fa­zer a ex­pe­ri­ên­cia de um vul­cão, co­mo fa­zer um “sli­me”. Con­teú­dos que per­mi­tam apren­der um pou­co de ci­ên­cia e que de­pois te­nha uma par­te de ven­da que di­ga: “Gos­tas­te des­ta ex­pe­ri­ên­cia? Tens aqui, po­des com­prar.” En­tra na Ama­zon, pas­sa­da uma ho­ra en­tre­ga em ca­sa.

A Ama­zon já re­pre­sen­ta bas­tan­te nas vos­sas ven­das?

É o nos­so mai­or cli­en­te. É on­de se ven­dem mais brin­que­dos da Sci­en­ce4you no mun­do.

A em­pre­sa foi sem­pre mui­to fo­ca­da em si. Is­so não é um ris­co?

Por­que fui sem­pre o CEO. Qu­an­do co­me­cei, era só eu. Ho­je já não sou só eu e não te­nho qual­quer ti­po de fun­ções ope­ra­ci­o­nais. Ini­ci­al­men­te ten­ta­va “ven­der” o em­pre­en­de­do­ris­mo, foi uma das gran­des ala­van­ca­gens que ti­ve­mos. E, co­mo era só eu, de­pois as pes­so­as que­ri­am fa­zer o “fol­low-up”. En­tão co­mo es­tá o miu­di­nho de 23 anos que en­tre­vis­tá­mos há dois anos?

Diz que tra­ba­lha em mé­dia on­ze ho­ras por dia e que dei­xou de ter tem­po pa­ra si. Abran­dou o rit­mo, ago­ra que é pai de três cri­an­ças mui­to pe­que­nas?

Te­nho os gé­me­os com três anos e um be­bé com cin­co me­ses. Qu­an­do che­go a ca­sa, ten­to es­tar ape­nas fo­ca­do nas cri­an­ças. Não te­nho ti­do é mui­to tem­po pa­ra des­por­to. A mi­nha cor­ri­da, ul­ti­ma­men­te, tem si­do o IPO. Es­tou a ema­gre­cer bas­tan­te. Nem sei pa­ra que é que an­dei a cor­rer. Se sou­bes­se, já tinha fei­to um IPO mais ce­do. (ri­sos)

De acor­do com o pros­pec­to, vai ter de man­ter as ac­ções da Sci­en­ce4you por, pe­lo me­nos, dois anos. O que pre­ten­de fa­zer de­pois?

Não me ve­jo a sair da­qui en­quan­to pu­der acres­cen­tar va­lor. Acho que ain­da há mui­to pa­ra fa­zer. Não que­ro ver-me li­vre dis­to. É o meu be­bé, pa­ra o bem e pa­ra o mal.

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