O ace­le­ra­dor co­vid

Jornal de Negócios - - HOME PAGE - NU­NO CARREGUEIR­O Edi­tor Exe­cu­ti­vo on­li­ne nc@ne­go­ci­os.pt

Mais do que in­tro­du­zir al­te­ra­ções pro­fun­das no mun­do das em­pre­sas, a pan­de­mia da co­vid-19 veio ace­le­rar vá­ri­as das ten­dên­ci­as que já es­ta­vam em mar­cha nos úl­ti­mos tem­pos. Na vi­da de to­dos nós as mu­dan­ças são mais acen­tu­a­das. A for­ma co­mo tra­ba­lha­mos, fa­ze­mos com­pras, vi­a­ja­mos e nos dis­traí­mos é ago­ra di­fe­ren­te. Mui­tas des­tas mu­dan­ças de­ve­rão per­du­rar além da pan­de­mia e qua­se to­das pres­su­põem o uso ain­da mais in­ten­si­vo de tec­no­lo­gia.

Es­ta ten­dên­cia foi ra­pi­da­men­te in­cor­po­ra­da nos mer­ca­dos. Se em mar­ço a cor­re­ção nas bol­sas foi qua­se ge­ne­ra­li­za­da, a re­cu­pe­ra­ção pos­te­ri­or já foi bem di­fe­ren­ci­a­da, com as em­pre­sas do se­tor tec­no­ló­gi­co na linha da fren­te dos ga­nhos. Há já al­guns anos que as tec­no­ló­gi­cas são as es­tre­las das bol­sas, so­bre­tu­do em Wall Stre­et, mas nun­ca co­mo ago­ra a li­de­ran­ça foi tão gran­de.

Há qua­tro co­ta­das nor­te-ame­ri­ca­nas com uma ca­pi­ta­li­za­ção bol­sis­ta aci­ma de 1 bi­lião de dó­la­res e são to­das “big te­ch”. A Ap­ple, que é a mai­or co­ta­da do mun­do, tem um va­lor de mer­ca­do qua­se 10 ve­zes su­pe­ri­or a uma em­pre­sa que já es­te­ve no seu lu­gar. A Ex­xon Mo­bil tem uma ca­pi­ta­li­za­ção bol­sis­ta de 182 mil mi­lhões de dó­la­res e es­te ano tem a mai­or que­da do Dow Jo­nes. Pi­or só a Bo­eing, que es­tá nu­ma das ati­vi­da­des mais cas­ti­ga­das pe­la pan­de­mia. O ví­rus tam­bém veio ace­le­rar o de­clí­nio da ban­ca, evi­den­te no va­lor do Gold­man Sa­chs, que é qua­se 10 ve­zes in­fe­ri­or ao do Fa­ce­bo­ok. Es­ta li­de­ran­ça das tec­no­ló­gi­cas no mun­do das em­pre­sas es­tá tam­bém pa­ten­te na lis­ta dos mais ri­cos do mun­do, com seis das pri­mei­ras se­te po­si­ções a se­rem ocu­pa­das por pes­so­as que de­vem a sua ri­que­za ao se­tor.

Elon Musk ain­da não es­tá nos lu­ga­res ci­mei­ros dos mi­li­o­ná­ri­os mais ri­cos do mun­do, mas não fal­ta­rá mui­to se a sua Tesla con­ti­nu­ar a ba­ter re­cor­des em bol­sa. A mu­dan­ça pa­ra o car­ro elé­tri­co tam­bém é uma ten­dên­cia que a pan­de­mia veio ace­le­rar. O va­lor que es­tá a ser ho­je atri­buí­do às tec­no­ló­gi­cas re­fle­te so­bre­tu­do a ex­pec­ta­ti­va de ga­nhos no fu­tu­ro. Se­rão vá­ri­as as que vão de­ce­ci­o­nar os in­ves­ti­do­res e ha­ve­rá ou­tras que sai­rão ven­ce­do­ras e ho­je ain­da não são co­nhe­ci­das, ou en­tão nem fo­ram cri­a­das. Cer­to é que Musk tem uma di­fí­cil ta­re­fa pe­la fren­te pa­ra pro­var que o mer­ca­do es­tá cor­re­to ao ava­li­ar uma em­pre­sa que em 2019 ven­deu me­nos de 400 mil au­to­mó­veis aci­ma de ou­tra (a Toyo­ta) que no mes­mo pe­río­do ven­deu mais de 10 mi­lhões.

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