Inês Hen­ri­ques A cam­peã da igual­da­de

A pri­mei­ra ven­ce­do­ra do Mun­di­al dos 50 km mar­cha, tí­tu­lo ob­ti­do há um ano em Lon­dres, ga­nhou nos Eu­ro­peus de Ber­lim no­va me­da­lha de ou­ro iné­di­ta. Fi­ca­rá na história pe­los tí­tu­los e por ou­tras ba­ta­lhas.

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Uma ho­ra an­tes de su­bir ao pó­dio pa­ra re­ce­ber a me­da­lha de ou­ro dos 50 km mar­cha, ob­ti­da nos Cam­pe­o­na­tos Eu­ro­peus de Ber­lim, Inês Hen­ri­ques, que é tam­bém a pri­mei­ra cam­peã do mun­do na dis­tân­cia, dá con­ta, ao te­le­fo­ne, de "um dia ma­ra­vi­lho­so", "um dia de lá­gri­mas fe­li­zes". A vi­tó­ria de­ve-a, diz, "à ca­pa­ci­da­de de tra­ba­lho e gos­to" pe­lo que faz, mar­cas de­fi­ni­do­ras a que a na­tu­re­za jun­tou "mui­ta per­sis­tên­cia". A per­sis­tên­cia que a se­gu­rou nos mo­men­tos, "e fo­ram tan­tos em 2015", em que pen­sou de­sis­tir, "di­as de lá­gri­mas tris­tes", quan­do o em­pe­nho nos trei­nos tei­ma­va em não trans­pa­re­cer nos re­sul­ta­dos fi­nais. A per­sis­tên­cia com que en­fren­tou as ins­tân­ci­as in­ter­na­ci­o­nais da mo­da­li­da­de, pi­o­nei­ra e "fe­mi­nis­ta, sem dú­vi­da al­gu­ma", ros­to de uma ba­ta­lha pe­la igual­da­de de gé­ne­ro, obri­gan­do a que a pro­va fos­se in­cluí­da nas com­pe­ti­ções ofi­ci­ais nos mol­des exa­tos da ver­são mas­cu­li­na, não sem an­tes ter si­do obri­ga­da a de­mons­trar que uma mu­lher po­de mar­char 50 km. A per­sis­tên­cia que lhe per­mi­tiu ven­cer a du­ra pro­va de ter­ça-fei­ra 7 e ge­rir – "já mui­to dé­bil", re­ve­la ho­ras de­pois – os 15 km fi­nais. Per­sis­tên- cia, ain­da, que é a cha­ve do pró­xi­mo de­sa­fio: le­var os 50 km mar­cha fe­mi­ni­nos aos Jo­gos Olím­pi­cos de Tó­quio, em 2020, e ter­mi­nar a car­rei­ra (um quar­to de sé­cu­lo que rou­bou tem­po à fa­mí­lia e à es­co­la, a pon­to de a li­cen­ci­a­tu­ra em en­fer­ma­gem ter le­va­do dez anos) a lu­tar por uma me­da­lha. Te­rá en­tão 40 anos. "Com mui­to tra­ba­lho é pos­sí­vel atin­gir os ob­je­ti­vos, mes­mo que não te­nha­mos o ta­len­to to­do con­nos­co, que é o meu ca­so", as­su­me com ge­nuí­na hu­mil­da­de.

Jor­ge Mi­guel, trei­na­dor bem-su­ce­di­do na dis­ci­pli­na, con­fir­ma a for­ça de von­ta­de da atle­ta – "é o se­gre­do" – e re­su­me 25 anos de tra­ba­lho con­jun­to nu­ma pa­la­vra: le­al­da­de. "A Inês é dos pou­cos atle­tas de al­ta com­pe­ti­ção que a pre­za (a le­al­da­de)." A um mês de com­ple­tar 70 anos, o téc­ni­co re­vi­ve o per­cur­so da me­ni­na nas­ci­da no Hos­pi­tal Ve­lho, San­ta­rém, cri­a­da em Es­tan­ga­nho­la, Rio Mai­or, pa­ra on­de os pais, pro­pri­e­tá­ri­os de uma fá­bri­ca de le­nha e car­vão, fo­ram mo­rar. Re­ce­beu-a em 1992, ti­nha ela 12 anos, con­ven­ci­da já de que lhe fal­ta­va jei­to e al­tu­ra pa­ra uma car­rei­ra no bas­que­te­bol. Bons e maus mo­men­tos, ale­gri­as e de­pres­sões, um ca­mi­nho, se­gun­do o téc­ni­co, "que nem sem­pre te­ve a aten­ção que me­re­cia". Es­co­lhe co­mo exem­plo "a pro­va a ex­tra­or­di­ná­ria de 2010 no Mé­xi­co, quan­do a Inês foi me­da­lha de bron­ze nu­ma Ta­ça do Mun­do". Pa­ra Jor­ge Mi­guel, o fei­to "pas­sou des­per­ce­bi­do e foi uma pe­na". A atle­ta, pa­ra quem vi­da di­fí­cil é tra­ba­lhar com o car­vão ou na apa­nha do to­ma­te, ex­pe­ri­ên­ci­as que co­nhe­ce de cor, tem má­go­as, "al­gu­mas", cla­ro. Po­rém, não as quer lem­brar. Não ago­ra. "O tem­po é de ce­le­bra­ção". ●m

FUGIRAM DO LAR PA­RA IR “ROCKAR”

Dois ido­sos fugiram de um lar na Ale­ma­nha pa­ra ir ao Wac­ken Open Air, o mai­or fes­ti­val de mú­si­ca me­tal do Mun­do. Se­gun­do a im­pren­sa ale­mã, a di­re­ção de um lar de ido­sos no es­ta­do de Sch­leswig-Hols­tein, deu por fal­ta dos re­si­den­tes e aler­tou a po­lí­cia. A bus­ca le­vou as au­to­ri­da­des até ao fes­ti­val on­de, por vol­ta das três da ma­nhã, en­con­tra­ram os dois fãs de mú­si­ca pe­sa­da a as­sis­tir, ale­gre­men­te, a um con­cer­to.

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