“Se da­qui a um ano ou dois as coi­sas não cor­re­ram bem, ela se­rá um cor­po des­car­tá­vel”

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Há um pú­bli­co da Cris­ti­na Ferreira, co­mo há um pú­bli­co do Her­man Jo­sé? Ou o pú­bli­co não é de nin­guém?

O pu­bli­co não é de nin­guém. O pú­bli­co é a aman­te mais des­li­ga­da que eu co­nhe­ço. É a aman­te vo­lú­vel. En­can­ta­do­ra, apai­xo­nan­te, mas vo­lú­vel. Quem pen­se que o pu­bli­co vai atrás de in­di­vi­du­a­li­da­des es­tá en­ga­na­do. O pú­bli­co po­de é dei­xar-se le­var pe­las di­nâ­mi­cas das es­ta­ções e elas im­pli­cam mui­ta coi­sa.

Co­mo por exem­plo?

Im­pli­cam que se con­si­ga aque­la fór­mu­la má­gi­ca que nin­guém do­mi­na, a fór­mu­la do su­ces­so, que é fei­ta de mui­tos in­gre­di­en­tes. O pró­prio su­ces­so da Cris­ti­na Ferreira es­tá de­pen­den­te de mui­tos fa­to­res, não é só um su­ces­so de­la. Fo­ram a di­nâ­mi­ca e lin­gua­gem da TVI que per­mi­ti­ram à Cris­ti­na Ferreira ter aque­les re­sul­ta­dos. Ago­ra, ela vai ter de se adap­tar às di­nâ­mi­cas da SIC, às lin­gua­gens do no­vo meio, por­que a SIC e a TVI, lá por se­rem am­bas pri­va­das, não têm a mes­ma iden­ti­da­de, o mes­mo ADN.

Por­tan­to, quan­do se mu­da é er­ra­do pen­sar que há uma trans­fe­rên­cia li­ne­ar de pú­bli­cos...

Sim, a his­tó­ria da te­le­vi­são por­tu­gue­sa es­tá cheia des­ses exem­plos, de ex­ce­len­tes pro­fis­si­o­nais que não ti­ve­ram o mes­mo su­ces­so no no­vo ca­nal. O fe­nó­me­no mais re­cen­te é o do João Baião. E não foi por cul­pa de­le. Ele ti­nha um en­qua­dra­men­to na RTP, uma on­da de ca­ri­nho e de apoio, que de­pois não se ve­ri­fi­cou com o pú­bli­co da SIC.

En­tão, se é as­sim, o que le­va um pro­fis­si­o­nal re­pu­ta­do e que es­tá a ven­cer num ca­nal mudar pa­ra a con­cor­rên­cia? É ape­nas uma ques­tão de di­nhei­ro?

Não ne­ces­sa­ri­a­men­te. A sín­dro­me da mu­dan­ça, de fu­gir do en­fa­do e da ro­ti­na, é mui­to ha­bi­tu­al. É nor­mal que­rer ex­pe­ri­men­tar no­vos mei­os e vi­ver ou­tras ex­pe­ri­ên­ci­as. Às ve­zes, is­so é im­por­tan­te pa­ra que vi­da se tor­ne in­te­res­san­te. Às ve­zes, de­pois do nos­so bal­de es­tar cheio, é pre­ci­so dar-lhe um pon­ta­pé pa­ra vol­tar a en­cher.

E se não cor­rer bem, quem sai mais cha­mus­ca­do: a Cris­ti­na ou a SIC?

Um ca­nal é sem­pre uma gi­gan­tes­ca lo­co­mo­ti­va em an­da­men­to que não se dei­xa afe­tar por pe­que­nas ava­ri­as. Nós so­mos sem­pre o elo mais fra­co. A jo­ga­da da Cris­ti­na é de mui­to al­to ris­co, por­que, se da­qui a um ano ou dois as coi­sas não cor­re­ram bem, ela se­rá um cor­po des­car­tá­vel. Eu sen­ti is­so na SIC.

Há es­sa hi­pó­te­se?

Não te­nho con­di­ções pa­ra fa­zer fu­tu­ro­lo­gia. A te­le­vi­são não é uma ci­ên­cia exa­ta. Mas co­mo a pró­pria Cris­ti­na diz, po­de sem­pre vol­tar-se a dar dois pas­sos atrás. Ela é no­va, vai a tem­po de fa­zer to­das as ex­pe­ri­ên­ci­as. No meu ca­so e do Gou­cha, va­mos a ca­mi­nho dos 70 anos; o mi­la­gre é acor­dar com saú­de todos os di­as. Ela não, ela es­tá na sua fa­se imor­tal. Po­de fa­zer to­das as ex­pe­ri­ên­ci­as que qui­ser.

FÁBIO POÇO/GLO­BAL IMA­GENS

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