OS ROEDORES DOS ANDES QUE NÃO VI­VEM SEM FENO

Os por­qui­nhos-da-índia são ani­mais pa­cí­fi­cos que pre­ci­sam de cons­tan­te es­ti­mu­la­ção — e mui­ta vi­ta­mi­na C.

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Não são tão co­muns co­mo os cães e os ga­tos, mas os por­qui­nhos-da-índia po­dem ser uma boa com­pa­nhia pa­ra quem pro­cu­ra um ani­mal pa­cí­fi­co e que não dá mui­to tra­ba­lho. São ani­mais que vi­vem em gru­po, pe­lo que con­vém ter mais do que um, pre­fe­ren­ci­al­men­te do mes­mo gé­ne­ro se não se qui­ser que se re­pro­du­zam, pois atin­gem a ma­tu­ri­da­de sexual no pri­mei­ro mês de vi­da. Num ano, um ca­sal po­de ter três a qua­tro ni­nha­das, ca­da uma com três a oi­to cri­as. E ape­sar do no­me, não são ori­gi­ná­ri­os da Índia, mas sim dos Andes, na Amé­ri­ca do Sul, on­de du­ran­te cen­te­nas de anos fo­ram uti­li­za­dos em ce­ri­mó­ni­as re­li­gi­o­sas e na me­di­ci­na tra­di­ci­o­nal.

Foi pa­ra es­cla­re­cer es­tas e ou­tras dú­vi­das que em 2003 sur­giu o CAPI – Clu­be dos Ami­gos dos Por­qui­nhos-da-Índia. O pre­si­den­te, Rui Mar­tins, é cri­a­dor há qua­se 20 anos, e con­ta que es­ta es­pé­cie já foi mais pro­cu­ra­da em Por­tu­gal. “Nos anos 2009/2010 ti­ve­mos um bo­om. Com a cri­se, a pro­cu­ra caiu mui­to. Hou­ve mes­mo pes­so­as que nos de­vol­ve­ram al­guns e que ti­ve­mos que dar pa­ra ado­ção”, re­cor­da.

Rui Mar­tins des­cre­ve os por­qui­nhos-da-índia co­mo cal­mos e de fá­cil ma­nu­ten­ção. Po­dem não in­te­ra­gir mui­to, pe­lo que é im­por­tan­te ter is­so em con­ta an­tes de se com­prar um.

Os den­tes es­tão sem­pre a cres­cer

Em­bo­ra não pre­ci­sem de ser va­ci­na­dos, os por­qui­nhos-da-índia tam­bém de­vem ir ao mé­di­co ve­te­ri­ná­rio com re­gu­la­ri­da­de. Se es­ti­ve­rem sem­pre em ca­sa ou não ti­ve­rem con­tac­to di­re­to com ani­mais que sai­am à rua, po­dem ser des­pa­ra­si­ta­dos in­ter­na e ex­ter­na­men­te ape­nas uma vez por ano, diz Jo­a­na Men­des, da VetE­xó­ti­cos – Clí­ni­ca Ve­te­ri­ná­ria de Ani­mais Exó­ti­cos. Tra­ta-se de uma es­pé­cie pro­pen­sa a al­te­ra­ções do apa­re­lho di­ges­ti­vo, que po­dem re­sul­tar de uma ali­men­ta­ção de­se­qui­li­bra­da ou de si­tu­a­ções de

stress. Til­de Detz-Jen­sen, trei­na­do­ra de por­qui­nhos-da-índia, aler­ta pa­ra a ne­ces­si­da­de de es­tes ani­mais te­rem sem­pre es­con­de­ri­jos dis­po­ní­veis. “Se se sen­ti­rem ame­a­ça­dos e não ti­ve­rem on­de se es­con­der, po­dem sim­ples­men­te fi­car pe­tri­fi­ca­dos du­ran­te vá­ri­os mi­nu­tos”, ex­pli­ca.

Ou­tro dos cui­da­dos a ter é com os den­tes, que não pa­ram de cres­cer ao lon­go da vi­da (es­tes ani­mais vi­vem em mé­dia qua­tro, cin­co anos). Daí a im­por­tân­cia de lhes dar feno com re­gu­la­ri­da­de, su­bli­nha Jo­a­na Men­des. Se os den­tes não fo­rem gas­tos, fi­cam mui­to gran­des e o por­qui­nho-da-índia dei­xa de co­mer. É tam­bém im­por­tan­te for­ne­cer-lhes ali­men­tos ri­cos em vi­ta­mi­na C, co­mo ce­nou­ras, la­ran­jas e pi­men­tos. Os por­qui­nhos-da-índia pre­ci­sam de cer­ca de 20 mg de vi­ta­mi­na C por kg de pe­so cor­po­ral di­a­ri­a­men­te. Se não con­su­mi­rem uma quan­tia su­fi­ci­en­te da vi­ta­mi­na, de­sen­vol­vem uma ca­rên­cia nu­tri­ci­o­nal e fi­cam do­en­tes. ●m

POR Fá­ti­ma Ma­ri­a­no

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