Ano no­vo, cu­e­ca no­va

A tra­di­ção man­tém-se. Rou­pa in­te­ri­or a es­tre­ar pa­ra en­trar em 2019. Azul por­que é a cor que dá sor­te. Vá­li­do pa­ra mu­lhe­res e pa­ra ho­mens tam­bém.

Jornal de Notícias - JN + Noticias Magazine - - Alma- Naque -

O ri­tu­al ex­pli­ca-se sem ar­ti­fí­ci­os, ro­dei­os, mis­ti­cis­mos ou te­o­ri­as fi­lo­só­fi­cas. Pe­ça de rou­pa no­va por­que é um no­vo ano que co­me­ça. Azul por­que é a cor as­so­ci­a­da à sor­te. É uma das tra­di­ções de pas­sa­gem de ano: es­tre­ar uma cu­e­ca azul-be­bé. Não se sa­be exa­ta­men­te on­de a ideia te­rá sur­gi­do. Des­co­nhe­ce-se o ber­ço, mas a cren­ça dis­se­mi­nou-se e a tra­di­ção fi­cou, es­pa­lhou-se, ga­nhou raí­zes. Cu­e­ca azul na ho­ra do ré­veil­lon.

Ri­tu­al, tra­di­ção ou su­pers­ti­ção. Ou tu­do mis­tu­ra­do. Cer­to é que a von­ta­de de co­me­çar um ano com gar­ra e ener­gia che­gou à rou­pa in­te­ri­or. Não há re­gras rí­gi­das, a cu­e­ca é que tem mais pro­cu­ra, sim, mas tam­bém po­de ser um su­tiã, li­gas, body, bo­xers. O im­por­tan­te é que es­te­ja ren­te ao cor­po, pe­le com pe­le. Tam­bém há li­ber­da­de pa­ra as co­res. Azul é a cor mais co­mum. Ver­me­lho, cor da pai­xão, traz su­ces­so no amor. Ama­re­lo atrai for­tu­na, po­der e po­de­rá ser a sal­va­ção dos pro­ble­mas fi­nan­cei­ros. Branco traz paz e fe­li­ci­da­de. Cas­ta­nho su­ces­so pro­fis­si­o­nal. O fei­tio é a gos­to. Cu­e­ca sexy, con­for­tá­vel, com ou sem ren­da, mais ou me­nos re­du­zi­da.

Há, no en­tan­to, uma re­gra ins­ti­tuí­da que con­vém não ig­no­rar. Na­da de rou­pa ras­ga­da, co­si­da, es­ga­ça­da, ou aper­ta­da. A rou­pa in­te­ri­or tem de es­tar im­pe­cá­vel quan­do o no­vo ano des­pon­tar.

O co­mér­cio tra­di­ci­o­nal não fi­ca imu­ne à tra­di­ção. “Nes­ta al­tu­ra, a pro­cu­ra au­men­ta imen­so. Há até fa­bri­can­tes que au­men­tam a pro­du- ção de pe­ças des­sa cor”, ga­ran­te Rui Car­ril­la, da Ca­sa Ma­ri­lú, na bai­xa do Por­to. Cu­e­cas azuis be­bé têm mui­ta saí­da nes­ta épo­ca, por­tan­to. Uma pro­cu­ra es­sen­ci­al­men­te fe­mi­ni­na. “Mas há se­nho­ras que pro­cu­ram es­sas pe­ças pa­ra o ca­sal”, as­si­na­la o co­mer­ci­an­te.

Jo­a­na Al­ves, da Da­ma de Co­pas, ca­sa de lin­ge­rie tam­bém no co­ra­ção da In­vic­ta, con­fir­ma. “Sen­ti­mos, nes­ta al­tu­ra, mais pro­cu­ra tan­to de cu­e­cas azuis co­mo ver­me­lhas.” E há cli­en­tes que ex­pli­cam o pe­di­do. “Di­zem-nos que que­rem es­tre­ar uma cu­e­ca no­va na noi­te da pas­sa­gem de ano.” Dá sor­te, as­se­gu­ram.

A mo­da da cu­e­ca azul-be­bé es­tá pa­ra fi­car e du­rar. Se o co­mér­cio tra­di­ci­o­nal não se quei­xa do ne­gó­cio, ima­gi­ne-se as lo­jas das gran­des su­per­fí­ci­es. Mas não se­rá ape­nas uma pe­ça azul co­la­da ao cor­po que atrai­rá sor­te. Há ou­tros ri­tu­ais pa­ra a úl­ti­ma noi­te do ano. Acre­di­ta-se que pas­sar o ano em ci­ma de uma ca­dei­ra e sal­tar com o pé di­rei­to pa­ra o chão tam­bém traz bo­as vi­bra­ções. Nes­tas coi­sas da sor­te, nas bo­as-vin­das a um no­vo ano, há vá­ri­as cren­ças. Uma fo­lha de lou­ro na car­tei­ra, além do chei­ro, atrai­rá sor­te e ri­que­za, des­de que ali se man­te­nha o ano in­tei­ro. Co­mer pas­sas nas 12 ba­da­la­das pa­ra pe­dir 12 de­se­jos, ba­ter ta­chos pa­ra afas­tar os maus es­pí­ri­tos. Na ver­da­de, po­de­mos fa­zer tu­do na mes­ma noi­te. Com cu­e­cas azuis, pois cla­ro. Até mes­mo se o mer­gu­lho no mar ge­la­do for uma op­ção pa­ra co­me­çar 2019 com vi­gor. ●m

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