Post-it, o lem­bre­te que se co­la em to­do o la­do

É uma in­ven­ção ame­ri­ca­na. Uma em­pre­sa, dois quí­mi­cos, uma co­la, e uma ex­pe­ri­ên­cia no co­ro de uma igre­ja. E eis que um blo­co de no­tas au­to­a­de­si­vo se es­pa­lha pe­lo Mun­do.

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Não acon­te­ceu tu­do no mes­mo dia. Nem se­quer no mes­mo ano. De­mo­rou tem­po e, na ver­da­de, no iní­cio, bem no co­me­ço, não se jul­ga­va que vin­gas­se no mer­ca­do. Um pri­mei­ro ano de ven­das com­pli­ca­do, de­pois a dis­tri­bui­ção de amos­tras em Idaho, e a ideia co­me­çou a co­lar de­va­ga­ri­nho. Na dé­ca­da de 70 do sé­cu­lo pas­sa­do, a em­pre­sa ame­ri­ca­na 3M (en­tão Min­ne­so­ta Mi­ning and Ma­nu­fac­tu­ring Com­pany) es­ta­va pres­tes a re­vo­lu­ci­o­nar o mun­do dos ma­te­ri­ais de es­cri­tó­rio. E não sa­bia. Um blo­co de no­tas com fo­lhas que se de­sa­ne­xam e se co­lam em qual­quer la­do tor­nou-se no mais bem-su­ce­di­do lem­bre­te. De vá­ri­as co­res, fei­ti­os e for­mas, o post-it é ho­je mais do que uma mar­ca. É um con­cei­to. An­da por to­da a par­te e é per­fei­to pa­ra lem­brar e re­lem­brar as re­so­lu­ções de ano novo.

Aque­la co­la su­a­ve, que qua­se pas­sa­va des­per­ce­bi­da, que não dei­xa­va ves­tí­gi­os, ia dar que fa­lar. Spen­cer Sil­ver, quí­mi­co na em­pre­sa 3M, uma mul­ti­na­ci­o­nal com vá­ri­as áre­as de ne­gó­cio – se­to­res do es­cri­tó­rio e co­mu­ni­ca­ção vi­su­al in­cluí­dos –, acre­di­ta­va no seu ade­si­vo que não con­ven­cia qua­se nin­guém. O co­le­ga Art Fry, en­ge­nhei­ro quí­mi­co igual­men­te da 3M, de­ci­diu ex­pe­ri­men­tar es­sa co­la no ca­der­no de can­ções do co­ro da igre­ja que fre­quen­ta­va, pa­ra subs­ti­tuir as fi­tas que usa­va pa­ra mar­car as pá­gi­nas das mú­si­cas re­li­gi­o­sas. Li­vro aber­to, uma pá­gi­na, ou­tra pá­gi­na, voz co­lo­ca­da, fi­tas no chão. Com o ade­si­vo de Spen­cer, can­ta­va-se de ou­tra ma­nei­ra. A par­tir daí, per­ce­beu que o ade­si­vo ti­nha po­ten­ci­a­li­da­des. Ex­pe­ri­ên­ci­as pa­ra cá, ex­pe­ri­ên­ci­as pa­ra lá, e a in­ven­ção co­me­ça­va a des­co­lar e a ga­nhar con­sis­tên­cia. Art Fry não de­sis­tiu, a ideia tor­nou-se um con­cei­to e a in­ven­ção da 3M, na dé­ca­da de 1980, ga­nhou uma me­da­lha de ou­ro pe­la cri­a­ção de um pro­du­to ino­va­dor e ren­tá­vel.

A ba­se da cri­a­ção nun­ca se per­deu, a sua fun­ção di­ver­si­fi­cou-se, e um sim­ples e des­pre­ten­si­o­so blo­co de no­tas au­to­a­de­si­vo to­mou mil e uma for­mas pa­ra se co­lar em to­do o la­do, em to­do o Mun­do. Um lem­bre­te in­tui­ti­vo e fá­cil de usar é ho­je em­pre­gue no que a ima­gi­na­ção qui­ser. A ver­sa­ti­li­da­de des­te au­xi­li­ar da me­mó­ria é uma vir­tu­de que lhe cai mui­to bem. ●m

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