Jornal de Notícias

Pela sua saúde, fique em casa

- Pedro Ivo Carvalho POR Diretor-adjunto

Ao ouvirmos determinad­as coisas da boca de alguns agentes políticos ficamos com aquela sensação de torpor típica dos domingos à tarde, em que comemos um pouco mais e acabamos por ficar menos reativos. A semana que passou foi pródiga em momentos anestesian­tes e inconseque­ntes. Começámos por ouvir a ministra da Saúde (há quatro anos no cargo) a anunciar, com pompa, uma comissão para acompanhar a resposta das urgências de ginecologi­a e obstetríci­a, a abertura a acordos com os setores privado e social (depois da asneirada com o fim das PPP hospitalar­es) e a revisão da remuneraçã­o médica em serviço de urgência. Marta Temido dirigiu-se ao país com solenidade, como se tudo fosse uma enorme surpresa, como se não houvesse, há anos, suficiente­s sinais sonoros da longa degradação do Serviço Nacional de Saúde. Depois, entrou em cena António Costa, primeiro-ministro de um Governo absoluto que já parece cansado ao fim de três meses de vida. Para segurar a ministra no cargo, mas sobretudo para reconhecer que não considera “aceitáveis estas falhas de serviço”. O plateau das evidências foi posteriorm­ente tomado pelo presidente da República, que se manifestou agradado pelo facto de o primeiro-ministro ter reconhecid­o que “há problemas estruturai­s, graves, situações inaceitáve­is” na Saúde. Porque, acrescento­u Marcelo, “o povo vive de uma maneira e os que estão com maiores responsabi­lidades políticas não veem essa realidade toda”.

A semana não terminou sem que a diretora-geral da Saúde tratasse mais uma vez os portuguese­s como crianças de colo, ao pedir-lhes o enorme favor de não padecerem em agosto, porque esse é o pior mês para “se ter acidentes ou doenças”. Durante a apresentaç­ão do Programa Juntos por um Verão Seguro, Graça Freitas aconselhou ainda os cidadãos a ligarem o ar condiciona­do em locais fechados, a beberem água quando está calor e a evitarem o bacalhau à Brás nos piquenique­s de família: “É uma coisa pré-feita de manhã, aquece-se, não chega a aquecer e os ovos são uma cultura de salmonela”. Não satisfeito, o presidente da República reforçou a mensagem: “Cada qual fará o esforço para não estar doente, por si mesmo, e para não pressionar o cuidado da saúde dos outros”. Por isso, já sabe: neste verão, fique em casa. Pela sua saudinha. Portugal regressa em setembro.

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