Jornal de Notícias

Municípios de Trás-os-Montes criticam PRR

Presidente da CIM lamenta que não tenham sido ouvidas comissões de Desenvolvi­mento Regional

- GLÓRIA LOPES

COESÃO O presidente da Comunidade Intermunic­ipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM), Jorge Fidalgo, lamentou ontem que o Plano de Recuperaçã­o e Resiliênci­a (PRR) seja um instrument­o feito de “cima para baixo e sem ouvir as comissões de Coordenaçã­o e Desenvolvi­mento Regional”.

A afirmação decorreu ontem, em Bragança, durante o Seminário Impacto do Investimen­to do PRR no Desenvolvi­mento Regional e na Coesão Territoria­l, organizado pelo Europe Direct. “Gostava que tivesse havido uma formatação do PRR muito mais de baixo para cima do que ao contrário. Compreende­ndo as limitações do tempo, porque aí seria mais fácil adaptar os instrument­os às especifici­dades territoria­is e aos problemas”, explicou o presidente da CIM e autarca de Vimioso que pede “apoio integrado para as aldeias” que estão a ficar despovoada­s.

Dentro do território do Interior também já existem “assimetria­s acentuadas”, acrescento­u Jorge Fidalgo, além de que as regiões do país são todas diferentes. “Os problemas da CIM das Terras de Trás-os-Montes não são maiores, nem menores do que em outros território­s, mas segurament­e são diferentes”, vincou, acrescenta­ndo que o PRR “é absolutame­nte nacional”, feito sem consultar os atores locais, além de câmaras, também as empresas, as instituiçõ­es de Ensino Superior e os cidadãos.

“O programa é importante, só que devia ser mais direcionad­o para os problemas concretos de cada território. Isto tem a ver com a estratégia e a governança”, notou o autarca, que reclamou ainda “um papel mais prepondera­nte da CCDR-Norte na execução do PRR”, pois considera que não o teve quando o documento foi delineado. O PRR tem um investimen­to total de 16, 5 mil milhões de euros para todo o país.

O PAÍS COMO UM TODO

O secretário de Estado do Planeament­o, Eduardo Pinheiro, que participou no seminário, respondeu que não se pode olhar para o PRR “de forma isolada, pois é preciso olhar com o Portugal 2020, com o Portugal 2030, que são fundos de coesão, com um objetivo direto”, sublinhand­o que ter mais ou menos investimen­to regional “decorre das candidatur­as e do mérito das propostas”.

O governante indicou também que Portugal tem quase 30% das medidas nacionais daquele plano “com uma componente territoria­l, acima da média europeia que é de 18%”.

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Jorge Fidalgo, presidente da CIM Trás-os-Montes

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