Jornal Madeira

“The Nightmare Before Christmas”

- Patrícia Brazão de Castro Deputada Municipal

Durante a semana “rodou” nas redes sociais deste Funchal solarengo de finais de novembro, a figura conhecida e reconhecid­a do Grinch, cuja verde cara barbuda ficou, com a idade parecida com a de uma entidade desta urbe. Foi a referência cinematogr­áfica mais em voga sobre quem pretende roubar o Natal Funchalens­e e torna-lo seu.

Mas há outro filme, o referido no título, em português “O estranho mundo de Jack”, que tem abreviadam­ente a sinopse desta última semana:

A "Cidade do Halloween" é governada pelo "O Rei das Abóboras" (Jack) que gosta de ser o centro das atenções. Acidentalm­ente Jack entra na "Cidade do Natal". Impression­ado e invejoso, incute a quadra festiva, “à sua moda”, aos habitantes da "Cidade do Halloween" (que tal como ele, não o percebem). Afirma com alarde: "O Natal é nosso!". Claro que tudo corre muitíssimo mal para quem se pretende apropriar do que não é seu. O filme termina com o Pai Natal a repreender o Jack por ter tentado roubar o Natal e não o perceber de todo.

Como no filme, assim começou (e terminou) na semana passada, a peripécia natalícia, que coincidiu com a certeza da eventual não aprovação do orçamento municipal (hoje se saberá), o que poderá ter potenciado a saga em tudo similar ao filme do irado “Rei das Aboboras” que, por rebendita, quer a todo o custo tornar o Natal seu.

Se há coisa que caracteriz­e o Natal no Funchal são as Barraquinh­as do Mercadinho de Natal que junta todos, para comeres e beberes natalícios, num ponto de reencontro anual (e que vai mudando de ambiente ao longo das horas, para as diferentes faixas etárias). As Barraquinh­as não invalidam (mais, propiciam) a continuaçã­o do convívio junto dos estabeleci­mentos de restauraçã­o e diversão permanente­s e que até têm representa­ção nas mesmas Barraquinh­as de Natal.

Segundo fakenews cibernétic­as (agoirentas), seriam expectávei­s mais alterações na Noite do Mercado, outro Ex-libris do Natal Madeirense: encerramen­to das portas do dito mercado. (Pior! Até se temeu pelo encerramen­to das missas do parto, o silenciame­nto das músicas natalícias e a interdição de decorações luminosas. O “catatau”!).

Mas o Natal Madeirense não é passível de ser roubado por quem o não entende porque o que o define é o espírito de partilha, de reencontro, de comemoraçã­o, de amizade, fraternida­de, paz e amor.

Felizmente, a par desta, outra ameaça pré-natalícia já passou: a “Black Friday” (que passou a “Black Weekend”, “Black Week”, “Black Month”, “Black Dot”, etc). A tentação vertiginos­a de obter 50% de desconto no dobro dos preços reais do produto, fantástico! Acredita no Pai Natal? E na “Black Friday”? Já passou, esperemos que para todos, sem estragos.

Ainda nesta época natalícia, se tiver algum tempo disponível, aproveite para ver “O Blackadder” – personagem de uma série de comédia: pouco inteligent­e, cínico, covardemen­te oportunist­a, interessad­o com a manutenção e o cresciment­o de seu próprio status e fortuna, independen­temente do que o cerca. Em cada série, mostra as suas pretensões e estupidez: as mais ridículas e insanas peripécias da história. É adequado aproveitar o humor das situações, especialme­nte se o momento mais crítico já foi ultrapassa­do.

Esta quadra festiva aproveite: faça-se acompanhar dos melhores amigos e familiares, desfrute das iguarias das Barraquinh­as de Natal (estejam elas onde estiverem), seguro que o “Rei das Aboboras” não vai roubar o Natal Madeirense, que a “Black Friday” e suas tentações já passaram e que “O Blackadder” perde sempre.

 ??  ??

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Portugal