Jornal Madeira

João sem medo

- Sara Madalena Advogada

João Sem Medo habita na aldeia Chora-que LogoBebes, cujos habitantes vivem presos à tradição de que tanto se orgulham: chorar de manhã à noite. Um dia, o nosso herói decide saltar o Muro que protege a aldeia da Floresta Branca, local onde «os homens, perdidos dos enigmas da infância, haviam estalado uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantástico­s». Tem assim início uma viagem surpreende­nte, na qual João Sem Medo se irá cruzar com bichas de sete cabeças, gigantes de cinco braços, fadas, bruxas, animais que falam, e ainda com o mítico Príncipe das Orelhas de Burro.

Esta é apresentaç­ão da obra: “A Aventuras de João sem Medo”, de José Gomes Ferreira.

Qualquer semelhança com a realidade é a mais pura das verdades.

O medo é essencial para a proteção da espécie e mesmo, para a nossa sobrevivên­cia. Mas, como tudo, em excesso pode tornar-nos dependente­s, amorfos ou, no extremo oposto, desesperad­os, inconseque­ntes e arrogantes.

Cada qual deverá identifica­r um exemplar de cada extremo e os perigos que cada qual representa na e para a Sociedade. Na sua vida pessoal, no seu trabalho, no seu círculo social.

O meu João sem medo tem onze anos bem feitos e está em formação.

O meu João está a aprender que os atos têm consequênc­ias, as boas e as más, mas que no equilíbrio de ponderação de ambas, jamais as boas atitudes poderão ser aniquilada­s pelas ações desesperad­as e arrogantes de quem, simplesmen­te, reage ao medo de forma diferente.

Segue, João, sem medo extremo que te incapacite de lutar por aquilo em que acreditas. Segue meu João, na certeza de que se lutares pelo que acreditas nada terás a temer. Segue, bem sabendo que pelo caminho encontrará­s barreiras, obstáculos, buracos, ciladas e pessoas muito más.

Mas, segue, João, sem medo.

Não será fácil, não será bom. Não. Terás dias terríveis em que nem te apetecerá sair da cama. Mas, vai e vai sem medo. Se chorares, coloca os “óculos de sol, para ninguém ver”, como na canção. E se conseguire­s, sorri e canta, encanta e segue.

A maior certeza que te posso dar é: a frustração e arrependim­ento que sentires se desistires de lutar pelo que acreditas será superior à soma de todos os males que te possam fazer.

Há no oeste uma aldeia gaulesa em que o Obelix é uma mulher e usa saltos, dos quais não vai descer.

Vai, João, sem medo.

O meu João está a aprender que os atos têm consequênc­ias, as boas e as más.

Sara Madalena escreve à sexta-feira, de 4 em 4 semanas

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