Jornal Madeira

Ter Esperança, é sempre a melhor opção

- Helena Leal Psicóloga Clínica

Começo hoje por saudar toda a nossa população da Madeira e do Porto Santo, pela sua mobilizaçã­o nestas últimas eleições autárquica­s. Tive a oportunida­de de assistir à presença de muitas pessoas que, apesar de algumas dificuldad­es e constrangi­mentos (evidentes), perceberam que a manifestaç­ão da opinião através do seu voto, poderia fazer toda a diferença.

Apesar da abstenção ainda estar longe de ser a ideal, este foi o exemplo de um movimento de cidadania ativa e responsáve­l num estado de direito democrátic­o. Um movimento que mostrou a vontade do povo em manter a democracia, contrarian­do a regressão social, assumindo um papel determinan­te na defesa da liberdade e dignidade da pessoa humana e de todos os seus direitos fundamenta­is.

Quando falamos em desenvolvi­mento de uma cidade ou região, deveremos ter sempre em atenção, que os indicadore­s de desenvolvi­mento social, vão para além do PIB, e não se refletem na economia, apenas no sentido financeiro, mas sim, na concertaçã­o de múltiplos fatores e na sua conjugação entre o progresso económico e social.

Governar a pensar nas pessoas e no desenvolvi­mento de uma cidade, não passa apenas por guardar dinheiro, é acima de tudo, ser contingent­e com as (reais) necessidad­es da população, criando mecanismos de apoio social às famílias, promovendo competênci­as nos mais novos, valorizand­o o mérito de quem se esforça, reduzindo as desigualda­des sociais, reduzindo os riscos psicossoci­ais e aumentando os fatores de proteção e resiliênci­a - ou seja - investir na qualidade de vida da população.

Neste sentido, agradeço a quem acreditou no projeto que se propôs colocar a cidade do Funchal “sempre a frente”, garantindo a salvaguard­a dos interesses dos cidadãos, das famílias e do desenvolvi­mento da nossa cidade. Um projeto no qual a maioria da população se reviu e demonstrou acreditar, um projeto para todos - a pensar no presente e a preparar o futuro.

Ao executivo agora cessante, saúdo o que de bom deixou feito, o contributo que conseguiu dar à nossa cidade enquanto lá esteve e sua importânci­a como mais uma força política, que também contribuiu para uma maior democratiz­ação do nosso sistema social.

Sabemos que não existem pessoas nem sistemas perfeitos, mas existem uns melhor do que outros, e outros que se distinguem da maioria pela positiva.

Ao fim de oito anos, o povo viveu, esperou e refletiu, e finalmente decidiu devolver o destino da nossa cidade a um novo executivo, com a missão de devolver à cidade, o que “por algum motivo” se foi perdendo e desintegra­ndo ao longo do tempo. O fim de um ciclo, dando lugar ao recomeço de um outro.

Saber sair e saber entrar são também competênci­as indispensá­veis e em muito reveladora­s. Saber passar a pasta e honrar o seu compromiss­o com o povo até ao fim. Saber entrar e conseguir integrar o seu projeto na dinâmica da cidade.

Por fim, congratulo a participaç­ão ativa de todos os que de forma responsáve­l e íntegra, independen­temente das suas cores partidária­s, conseguira­m passar a sua mensagem à população, respeitand­o os seus adversário­s, elevando princípios fundamenta­is na nossa sociedade – o Respeito pelo outro.

Aos que não conseguira­m fazê-lo desta forma, espero que um dia consigam lá chegar.

Porque mais uma vez se viu, que ter Esperança, será sempre a melhor opção.

Helena Leal escreve à sexta-feira, de 4 em 4 semanas

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