O Jogo

“Garantir a vida em três anos...”

Arábia caminha para o topo “a todos os níveis”, mas Otávio admite: não há como fugir aos milhões

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Campeonato saudita junta o melhor de dois mundos, entende o médio, que enaltece o espírito com que se deparou no balneário do Al Nassr. Luís Castro “até faz lembrar” Sérgio Conceição.

A adaptação está a ser ●●● tranquila e a tendência do futebol árabe, frisa Otávio, é crescer rápido.

Mudou de ares e rumou ao Al Nassr num verão diferente para os clubes árabes. O que o seduziu na proposta além dos valores?

—Não há muito por onde fugir.Financeira­mente,garantir a vida em três anos... Mas o projeto da Arábia Saudita para o futebol e para tudo em geral é incrível. Muitas vezes, as pessoas pensam que não, por ser a Arábia, mas quem chega e conhece o país gosta muito. Foi por isso que me adaptei rapidament­e, assim como a minha família. Dentro de cinco ou dez anos, a Arábia vai estar no topo a todos os níveis, não só no futebol. E mesmo no futebol já vemos grandes jogos e jogadores de nível mundial. Isso é incrível. Muita gente tem vontade de vir para cá, porque junta as duas coisas: um futebol para o qual todo o mundo olha, com jogadores de grande nível, e um dos países que melhor paga.

A adaptação a uma nova realidade social e desportiva foi difícil? O rendimento em campo diz que não.

—O mais difícil foi chegar a um país e cultura novos. Também não falo muito bem inglês, estou a aprender. Tive alguma dificuldad­e por causa disso, mas, quando se quer, safamo-nos em qualquer lado. Sem falar nada de inglês, doume bem com todos no Al Nassr e o grupo é muito bom; são alegres. Isso ajudou-me muito. Cheguei a um balneário onde me senti mesmo bem. Falava com toda a gente e todos respondiam bem, com educação. A escola dos meus filhos está a correr bem, a família está feliz e isso acontece porque rapidament­e se tratou de tudo.

De um lado, o cresciment­o de uma Liga, do outro as

críticas pelas questões sociais...

—Tinha algum medo de como seria com a minha esposa e a minha filha, mas não é como se fala. A Arábia evoluiu e já não é bem assim. A minha família anda normal, é tudo tranquilo aqui. Claro que têm a cultura e as regras deles e temos de respeitar, mas é tranquilo. A minha esposa está feliz e adaptada. Seguimos as regras, estamos noutro país.

O Al Nassr está em segundo lugar na Liga e passou aos oitavos de final da Champions asiática. Quais são os objetivos?

—Como o míster Luís Castro diz, estamos em todas as provas para tentar ganhar. Não escolhemos uma ou outra. Estamos nas meias-finais da Taça doRei,nos“oitavos”daChampion­s e a sete pontos do líder no campeonato, mas tudo é possível. Vamos jogo a jogo para tentar ganhar tudo o que for possível.

Que diferenças há entre o míster Luís Castro e o míster Conceição?

—Eu já tinha trabalhado com o Luís Castro no FC Porto B. Tem um jeito mais calmo, entende e aceita melhor algumas coisas em termos de responsabi­lidade. Mas dentro de campo, na hora de treinar e pedir compromiss­o, é muito exigente. Às vezes até me faz lembrar o Sérgio Conceição, por isso já estava adaptado. Já era a minha forma de trabalhar. Por vezes, chego aqui meia-hora antes e não está ninguém. O pessoal chega muito em cima da hora e o míster cobra muito isso. Já cheguei adaptado, foi o que me ajudou: chegar antes, fazer prevenção de lesão, fazer recuperaçõ­es pós-treinos e jogos. São ambos muito exigentes e parecidos na forma de trabalhar. Não há muita diferença, mas o Sérgio tem aquele feitio em que extravasa mais, enquanto o Luís Castro guarda muito, mesmo quando poderia soltar cá para fora, para se prevenir.OqueConcei­çãosente, fala, sem olhar a horário e lugar. Por isso é que é uma pessoa muito sincera.

Reencontro­u recentemen­te Jorge Jesus e Rúben Neves, ambos no rival Al Hilal. Trocaram algumas palavras?

—Falei com o Rúben, porque é meu amigo. Discutimos e tudo. Dentro de campo toda a gente quer ganhar. Quando acabou o jogo trocámos mensagens a discutir lances. Faz parte do futebol, depois passa e é outra vida. Com Jesus não falei. É um grande treinador, está a fazer um bom trabalho. Mas espero que perca alguns jogos para podermos chegar mais perto deles.

“Por vezes, o pessoal chega muito em cima da hora e o míster Luís Castro cobra muito isso”

“Jorge Jesus é um grande treinador, está a fazer um bom trabalho. Mas espero que perca alguns jogos para chegarmos perto”

Acredita que este êxodo de estrelas para a Arábia é uma tendência que vai repetirse nas próximas janelas de mercado?

—Acho que vai ser recorrente. O único problema são as vagas para estrangeir­os. A maioria dos clubes contratou jogadores por três anos e, se não aumentarem as vagas, é difícil contratar mais, porque têm de mandar alguém embora ou deixá-lo sem jogar. Foi o que aconteceu com o Jota, no Al Ittihad. Já tinham oito estrangeir­os e, mesmo contratado, ficou lá. Se aumentarem as vagas, com certeza vão continuar com as contrataçõ­es e os clubes vão querer sempre renovar o plantel. Aqui há muito dinheiro. Trazer grandes jogadores e continuar o cresciment­o do futebol não será problema.

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