O Jogo

Vai lá para dentro e “faz o que quiseres”

Prestianni estreou-se aos 16 anos pela primeira equipa do Vélez, um recorde ainda em vigor, e com uma mensagem específica

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Depois de um momento para recordar, no qual não se notaram os nervos, o jovem dianteiro passou pelo período mais conturbado do seu emblema, que incluiu agressões e ameaças de morte.

Dezasseis anos, três meses e 22 dias. Era essa a idade de Gianluca Prestianni a 24 de maio de 2022 quando se estreou pelo Vélez Sarsfield e se tornou no futebolist­a mais jovem da história do clube a alinhar pela equipa principal. “Tens 15 minutos para fazeres o que quiseres. Aproveita”, foi a mensagem que lhe deu o técnico Júlio Vaccari quando decidiu dar-lhe essa oportunida­de numa partida da Taça Libertador­es frente ao Estudiante­s, numa fase em que o Vélez já vencia por 4-0.

“O Júlio já o conhecia e decidimos promovê-lo para se treinar com a equipa principal. O o miúdo aguentou-se muito bem. Depois deu-se a oportunida­de nesse encontro e lá foi lançado”, conta Gastón Saccani, em declaraçõe­s a O JOGO, ele que treinou Prestianni nas camadas jovens do Vélez e era o adjunto de Júlio Vaccari no momento em que deu o salto para os principais. “Deverá ter sentido os nervos pela estreia e por ser tão novo, mas não se notou. É um miúdo extroverti­do, desenvergo­nhado no bom sentido, que joga com naturalida­de sem se importar onde está”, destaca sobre a personalid­ade da nova promessa do Benfica.

Apesar de ser considerad­o como uma das joias do Vélez, a sua passagem pela formação principal não foi muito agradável porque aconteceu num momento delicado da equipa, que se salvou da descida à segunda divisão na última jornada. E no meio desse duelo, a claque atacou os jogadores logo após uma derrota ante o Huracán, tendo Prestianni sido um dos que ficaram mais maltratado­s.

“Saímos para irmos para casa, a claque atravessou-se à frente dos nossos carros e começaram a bater-nos. Eram cinco ou seis veículos, numa rua escura. Quando abri a janela, começaram a insultar-nos e foi nesse momento que me deram duas pancadas na cara. Os meus companheir­os não quiseram voltar para casa pelo medo de serem seguidos. A um disseram-lhe: ‘sai do carro ou disparo dois tiros nas tuas patas’”, contou o próprio Prestianni logo depois numa entrevista, que lhe valeu ameaças de morte por telefone.

Essa situação fez com que fossem mais difíceis os últimos jogos com a camisola do Vélez. Daí o sentimento de alívio visto e sentido na última jornada em que a equipa assegurou a permanênci­a, tendo acabado abraçado ao seu pai, que estava na bancada, no mesmo lugar que antes partilhava­m como adeptos do emblema de Liniers. Agora despede-se e abraça o Benfica.

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Prestianni é “um miúdo extroverti­do” que joga da mesma forma em todo o lado

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