O Jogo

“A MINHA MÃE CHOROUMUIT­O”

Miguel Queiroz, poste e capitão do FC Porto, fez um resumo da carreira e recordou os anos desde que deixou Portimão

- RUI GUIMARÃES

Jogador do FC Porto perdeu a mãe fez dia 15 um ano e falou do tema sem problemas. Ao recordar o início daquilo que viria a ser uma carreira, lembrouse de como a progenitor­a reagiu quando saiu de casa. ●●●Falapausad­amente,num tom tranquilo e sabe muito bem o que diz. Miguel Queiroz é um “portuense” natural de Portimão e, aos 32 anos, não sabe quando acaba a carreira, mas já avisou o pai que ficará a viver no Porto.

Como é que o basquetebo­l apareceu na sua vida?

—Foi engraçado. Já tinha experiment­ado muitos desportos, ténis, natação, futebol, judo... Fiz ténis muito tempo, mas não tinha feito uma modalidade que me completass­e e com os meus pais andei a ver o que ia fazer. Um dia, o meu pai disse: “Olha, tu és grande, por que não o basquetebo­l?” Nesse ano tinha aberto o Clube de Basquetebo­l de Portimão, inscrevi-me e aí tudo começou.

Que idade tinha?

—Tinha11ano­squandocom­ecei a jogar.

Com 11 anos já era alto?

—Já era alto, sim. Lembro-me que os 13 anos tinha 1,94 metros. Mas o meu irmão, com 15 anos, já tem a minha altura, um pouco acima dos dois metros.

O seu irmão, e também o pai, estiveram no Dragão Arena aquando do jogo com o Portimonen­se...

—Sim, o meu irmão esteve atrás do banco. O meu pai é team manager, um diretor do Portimonen­se.

Voltando um pouco atrás, quando começou a praticar basquetebo­l percebeu logo que era esta a modalidade lhe enchia as medidas?

—Lembro-me que comecei mais pelo desporto em si. Divertia-me muito, sentia-me bemcomosme­uscolegas,asocializa­r, a fazer desporto. Realmente gostava por causa disso, era algo que me deixava feliz, mais do que o desporto em si.

Então quando diz: vou apostar nisto, vou ser basquetebo­lista?...

—Na altura recebíamos as convocatór­ias para a seleção por carta e depois o selecionad­or ligava-nos. Lembro-me de a minha mãe chegar a casa, a chorar, tinha eu 14 anos, a dizer: “Miguel, tu foste convocado para a seleção sub-15!” Foi nessemomen­toqueparei­para

Objetivo “FC Porto está capaz de ser campeão nacional”

“O Fernando [Sá], a equipa técnica e os diretores fizeram um bom trabalho. O FC Porto está capaz de ser campeão nacional”, diz

Miguel Queiroz. “Acertaram nos jogadores que trouxeram e dão-nos todas as condições para fazer um bom trabalho”, continuou, analisando, a seguir, os adversário­s: “O Benfica e o Sporting são crónicos candidatos, mas a Oliveirens­e está muito forte. Este ano está ainda mais forte do que era normal. Está ao nível de quando foram campeões duas vezes seguidas. Creio que somos quatro candidatos. Nós sentimo-nos capazes de vencer, mas certamente os adversário­s também”.

“O FC Porto tem os valores e passa os valores daquilo que eu sou e daquilo que quero passar”

“Uma rapaz veio ter comigo e disse-me: ‘Nunca te esqueças que a cada corrida, a cada salto, carregas milhões de portistas às costas”

“Quando se sente o clube dá-se aquele bocadinho extra. Depois, o coração aguenta tudo”

pensar, oh pá, se calhar isto é mais do que apenas uma brincadeir­a. Esse foi o primeiro momento que comecei a ver o basquetebo­l para além da diversão, algo em que eu pudesse trabalhar.

Acaba também por chegar muito cedo ao FC Porto?

—Cheguei com 20 anos. Mas, ainda antes disso, como na altura havia os centros de rendimento­paraaminha­idade,que era sub-16, ficava lá durante a semana, para ao fim de semana jogar pelo clube. Ou seja, sou convocado para ir para o centro de treinos de São João da Madeira com 14 anos e andava lá na escola e, como me ligou o Barreirens­e, jogava no Barreiro ao fim de semana. O Barreirens­e era um clube formador, tinha a melhor formação do país. Fiz sete anos no Barreirens­e, mas ainda fui um ano aos Estados Unidos no meio disto tudo. Volto dos Estados Unidos, faço dois anos profission­aisdesénio­rdenovo no Barreirens­e [foram cinco mais dois]. Depois faço outro anonoIllia­bumeasegui­réque chego ao FC Porto.

Como foi sair de casa aos 15 anos?

—Custou muito mais à minha família do que a mim. A minha mãe chorou muito. O meu pai ficou preocupado, realmente eu era novo. O primeiro ano na escola acaba por não correr muito bem. Os meus amigos não eram muito virados para a escola, eu era, mas acabei por ir um bocadinho atrás deles. Desportiva­mentecorre­usempre bem. E pronto, o que me custou mais foi realmente a distância e na altura não era como hoje, em que os telemóveis ajudam.

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“Quando fui convocado para a seleção de sub-15, parei para pensar: ‘Oh pá, se calhar isto é mais do que uma brincadeir­a’. Comecei a ver o basquetebo­l para além da diversão”

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