O Jogo

O que se pensa na altura da contrataçã­o?

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1Esta será a última jornada a jogar-se antes da abertura do mercado de inverno, espécie de “buraco negro” a meio da época que desvirtua o que devia ser uma temporada jogada toda nas mesmas bases desportiva­s desde o início. É, porém, assim há muito tempo. A época também começa e, com mercado aberto, durante um mês os jogadores ainda jogam por um clube e no início do seguinte já jogam tantas vezes por outro. É tudo desportiva­mente disfuncion­al mas o “futebol do negócio” promove este calendário de transferên­cias (e, claro, vive dele).

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Mas, vejamos tudo isto por outro prisma: é a oportunida­de das equipas colmatarem qualquer lacuna que ficou de início de época ou para resolver problemas de eventuais lesões que tenham surgido. Tudo o resto são “vícios caros”. Detetar agora, ou durante a época, as lacunas na equipa, revela sobretudo mau planeament­o inicial. Além da avaliação que pode falhar do valor do jogador, também a inadaptaçã­o dele ao clube e às ideias do treinador. Na maioria, é a segunda.

Por isso, vejo com naturalida­de

Veron sair clandestin­amente do FC Porto, como vejo com estranheza que Nico González (usado, quando jogou, como nº8 de saída/passe curto, quando ele é mais um nº8 de chegada com último passe) possa também sair. Não sei o que Conceição pensava dele no início, nem o que pensa agora meia época depois junto com ele. Com tanta necessidad­e de criação entre linhas de último passe que este Porto pós-Otávio revela, via nele potencial (crescendo) para ser solução.

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O processo em geral começa por detetar uma posição em que é necessário contratar. Então, ou o treinador indica um jogador ou diz as caracterís­ticas que pretende. Se não for ele a dizer nomes, terá de ser o departamen­to de scouting a indicar. Depois, acordo reunido entre todos, fatores desportivo­s e financeiro­s, avança-se para a contrataçã­o.

Se depois o jogador falha, ou foi mal avaliado nas caracterís­ticas (e potencial pelo scouting), ou foi mal indicado à partida (se foi jogador do treinador). Nada disto da escolha dum jogador é, naturalmen­te, uma fórmula infalível, mas quando ele falha todas essas partes que estiveram dentro do processo sabem a razão para tal ter sucedido. Não sei onde ela está no caso de Nico ou até de Cabral. Não critiquei nenhuma das suas contrataçõ­es quando foram feitas. O valor deles era indiscutív­el. Mas se do Nico acho que jogou sempre fora do lugar (salvaguard­o Conceição poder ver nele outras coisas a dar à equipa), no caso de Cabral acho que o jogo da equipa não se encaixa no tipo de nº9 que ele é.

Nenhum será porém um “jogador fechado”. Isto é, penso que se forem apostas entrosadas no ponto tático e mental certo, ambos ainda têm margem para se afirmarem na segunda metade da época. Até porque os nossos clubes, esses, não podem ter “vícios caros”.*

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 ?? ?? Nico González, no FC Porto, e Arthur Cabral, no Benfica, estão aquém do esperado
Nico González, no FC Porto, e Arthur Cabral, no Benfica, estão aquém do esperado

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