O Jogo

Bancos de luxo

O BCP e o Novo Banco fizeram uma “atençãozin­ha” de 96,33 milhões de euros ao Sporting. O City, para ganhar 81, 36 mihões de euros teve de vencer a Liga dos Campeões...

- Jorge Maia jorge.maia@ojogo.pt

Em março do ano passado, no rescaldo da reeleição como presidente do Sporting, Frederico Varandas foi desafiado pelos jornalista­s a escolher a melhor medida de gestão tomada durante o mandato anterior. O presidente do Sporting ainda hesitou uns segundos antes de eleger a recuperaçã­o da maioria do capital da SAD como coroa da respetiva presidênci­a. Para uma instituiçã­o cujo principal objetivo é ganhar títulos desportivo­s, a escolha pareceu algo surpreende­nte. Afinal, Frederico Varandas foi o presidente que contratou Rúben Amorim ao Braga, o treinador que devolveu as faixas de campeão ao Sporting 19 anos depois e, praticamen­te, lhe garantiu a quase unanimidad­e com que foi reeleito, algo que, recuando aos primeiros tempos do pós-Bruno de Carvalho, nem sempre pareceu tão inevitável como isso. Aliás, Rúben Amorim não se limitou a ganhar títulos: fez evoluir uma série de jogadores que, ao longo dos últimos anos, garantiram uma fonte de rendimento extra tão regular como generosa. E no entanto, passar a contrataçã­o do treinador do título para segundo plano, elegendo a recompra dos VMOC como melhor medida de gestão só surpreende quem não souber fazer contas. Afinal, o negócio com o BCP e o Novo Banco permitiu ao Sporting poupar um total de 96 milhões de euros. Para se ter uma ideia, o City ganhou um total de 81,36 milhões de euros por ter vencido a última edição da Liga dos Campeões. Por outras palavras, o Sporting ganhou a Champions sem sequer ter de a jogar o que não deixa de ser um feito notável, só ao alcance de equipas que têm não um, mas dois bancos de luxo à disposição para qualquer necessidad­e. Em Portugal, mais ninguém se pode gabar do mesmo.

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