O Jogo

LEI DE MURPHY E A CHAMPIONS POR UM CANUDO

Em jogo com três expulsões, o FC Porto perdeu de novo com a “besta negra” Estoril e ficou a nove pontos do segundo lugar. Penálti revertido (57’) gerou desnorte

- Textos FRANCISCO SEBE

Vasco Seabra tem a fórmula anti-dragões e os canarinhos bateram a equipa de Sérgio Conceição pela terceira vez esta época. Se já estava difícil, o vermelho exibido a Chico deitou tudo a perder.

●●● “Se algo puder correr mal, correrá”. Um dos muitos adágios atribuídos à famosa Lei de Murphy assenta como uma luva no filme que o FC Porto vivenciou ontem na Amoreira. Quase quatro meses depois da derrota (3-1) que ditou a eliminação da Taça da Liga, o reduto do Estoril voltou a ser autêntica “casa dos horrores” para a equipa de Sérgio Conceição, que, face a nova derrota, passou a olhar para a Liga dos Campeões da próxima época como mera miragem. Quando António Nobre apontou para a marca de penálti, aos 57’, pensou-se que os azuis e brancos teriam chance de ouro para traduzir o domínio em vantagem. O VAR assim não entendeu, o árbitro reverteu a decisão e o caos desceu ao relvado. Diogo Costa foi expulso pouco depois, Cassiano fez o 1-0 e os portistas ficaram desprovido­s de toda e qualquer frieza necessária.

Com Nico González recuperado, o técnico do FC Porto apostou no onze habitual. Vasco Seabra não fugiu à matriz do 3x4x3 e a primeira oportunida­de flagrante pertenceu aos anfitriões, que fizeram uso do contra-ataque para, aos 7’, obrigarem Diogo Costa a fazer espantosa intervençã­o perante Cassiano. Os dragões procuraram aproveitar o espaço entre Marcelo Carné e a linha de três defesas estorilist­as e, a partir do quarto de hora, montaram cerco à grande área adversária. Com Francisco Conceição a despertar – que belo duelo com Tiago Araújo –, os lances de perigo foram surgindo, valendo Mangala num par de ocasiões e Carné noutra. Nota para os desequilíb­rios provocados pelas movimentaç­ões de Nico: o espanhol chegou-se com frequência ao último terço, confundind­o e arrastando marcações. Ao intervalo, porém, persistia o nulo.

O segundo tempo iniciou com toada semelhante. A boa química demonstrad­a por João Mário e Francisco Conceição subiu de nível, com Rodrigo Gomes a disparar pela esquerda do ataque do Estoril no contragolp­e. O minuto 57 trouxe o ponto de viragem no jogo. Chico caiu na área, pediu penálti e, após consulta das imagens, António Nobre voltou atrás na decisão. O cenário piorou pouco depois. Wagner Pina aproveitou erro partilhado por Otávio e Diogo Costa para “expulsar” o guardião e Cassiano castigou o FC Porto, batendo Cláudio Ramos.

Com a equipa reduzida a 10 elementos, Conceição viu-se obrigado a reformatar o plano. As alterações, contudo, não surtiram o efeito desejado. O jogo portista não teve fio condutor e, como se não bastasse, Francisco, de cabeça perdida, viu o segundo cartão amarelo e consequent­e vermelho. As queixas azuis e brancas foram do relvado ao banco de suplentes e não mais o FC Porto conseguiu pensar com clareza, mesmo depois de Bernardo Vital também receber ordem de expulsão. Os pouco mais de 10 minutos de compensaçã­o concedidos tiveram nervosà flor da pele, com o Estoril a festejar no apito final. Em casa, os canarinhos deram importante passo rumo à permanênci­a. Já o FC Porto ficou a nove pontos do segundo classifica­do Benfica, a sete jornadas do fim do campeonato. E o Braga, sorrateiro, está à espreita...

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Pepê procura fugir a dois adversário­s

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