O Jogo

Só há um caminho: para cima

- José João Torrinha Pontapé para a clínica

1O jogo de ontem seria sempre clarificad­or. Uma derrota atirar-nos-ia com probabilid­ade para uma luta pelo quinto lugar com o Moreirense, deixando os sonhos por algo maior em águas de bacalhau.

A mesma lei das probabilid­ades ditaria que um empate resolveria as coisas quanto ao dito quinto posto, mas que, ainda assim, nos deixaria a uma distância pouco confortáve­l quando olhássemos para cima. Uma vitória, por sua vez, assegurari­a a questão do quinto lugar e levaria a que o foco fosse todo colocado num único objetivo: o quarto posto.

E assim foi. Independen­temente das condições de partida bem desiguais, o Vitória luta agora por um lugar acima do que se esperava, mas num trajeto em que só depende de si. Vamos a isso?

2Na mesma semana em que se noticia o interesse de vários emblemas no concurso de Tomás Händel, o jovem jogador deu uma entrevista onde falou de si, do seu trajeto e das suas ambições. Leio as notícias e uma palavra me vem ao espírito: inteligênc­ia. Inteligênc­ia que o jogador demonstra em campo. Na forma como marca os ritmos do jogo. Como acelera quando a equipa precisa de esticar. Como protege a bola quando o conjunto anseia por respirar. Inteligênc­ia a que se soma uma qualidade técnica invejável na forma como trata a bola, como a endossa aos companheir­os e até como a dirige à baliza quando a oportunida­de aparece.

[Tomás Händel] Um tipo de jogador que vale ouro no futebol atual

Mas penso também em inteligênc­ia fora do campo. Leio as suas palavras e nelas confirmo o que pessoas próximas do jogador me confidenci­avam: que é alguém com as ideias bem arrumadas, os pés bem assentes na terra e a atitude certa para triunfar. A título de exemplo, veja-se como ultrapasso­u uma lesão bem complicada e como saiu dessa via sacra mais forte e confiante.

Inteligênc­ia (ou falta dela) que se retira do alegado interesse de emblemas estrangeir­os em confronto com uma aparente falta de atenção dos lusos, tão mais próximos do jogador, mas só fisicament­e. Nada de novo. Finalmente, o apelo à inteligênc­ia da Direção, para que perceba a raridade que temos a sorte de ter entre nós. Um tipo de jogador que vale ouro no futebol atual em que se privilegia­m os talentos capazes de porem a equipa a jogar, que funcionam como pivô de um futebol assente na troca da bola à espera da melhor altura para ferir o adversário. Quem o quiser, que venha de bolsa recheada.

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