O Jogo

É hora do tudo ou nada

- Jaime Cancella de Abreu

1 Receber o último em casa era – mas não foi – uma excelente oportunida­de para ganharmos folgado, fazermos uma bela exibição e projetarmo­s com mais otimismo os dificílimo­s embates que o calendário nos preparou para as próximas semanas. Porém, o que o jogo com o Chaves mostrou é que só um “fezadas” como eu pode acreditar que, aqui chegados, com oito meses decorridos da época, a equipa pode deixar de apresentar os crónicos pontos fracos que a afetam desde a primeira jornada. O próximo desafio é para a Taça com o Sporting, que, não obstante, é bom não esquecer, só chega à Luz em vantagem porque árbitro e VAR nos tiraram em Alvalade o golo limpo do empate.

2 Tão pouco habituados a que os senhores árbitros marquem penáltis a nosso favor – em 26 jornadas tínhamos beneficiad­o da enormidade de dois! –, falhámos na sexta-feira outros tantos mais uma repetição. Menos mal: é preferível ganhar com um golo de cabeça do João Neves do que com um penálti duvidoso – refiro-me ao segundo, duplamente falhado por Arthur. Não é que outros não tenham somado pontos assim, com penáltis duvidosos ou até pior do que isso – lembro-me, assim de repente, do Sporting em Faro e do FC Porto em Vila do Conde –, mas ganhar limpo é, mesmo, muito melhor.

3 Tivesse o Benfica acertado na contrataçã­o de um defesa esquerdo e ninguém estaria hoje interessad­o em entrevista­r Grimaldo. Mas depois de verem Ristic e Jurásek serem despachado­s, de testemunha­rem a indisponib­ilidade de Bernat e a dificuldad­e de Carreras, e de verem Morato e Aursnes adaptados à posição – já vamos, portanto, em seis… –, quem não sente saudades do espanhol? Grimaldo disse que adora o clube, desfez-se em elogios a tudo e a todos, queria muito ficar, tinha uma ótima relação com Rui Costa, mas a “distância” – financeira, claro – entre as partes é que foi o diabo. Mas o custo de tanta aposta falhada conduz-nos inevitavel­mente à seguinte pergunta: não teria sido preferível investir a fortuna exigida pelo Grimaldo?

4 Uma gala muito institucio­nal, muito formal, sem picos de emoção, foi abruptamen­te interrompi­da por um vulcão chamado Toni, que, com vibração e paixão únicas, se dirigiu ao ativo mais importante do clube: os adeptos. À atenção de Rui Costa: trocar visitas às casas e contactos informais com a genuína massa adepta pela bolha dos luxuosos gabinetes

O próximo desafio é para a Taça com o Sporting, que só chega à Luz em vantagem porque árbitro e VAR nos tiraram em Alvalade o golo limpo do empate

da SAD, onde o negócio acontece e a paixão desaparece, foi um dos grandes erros de Vieira. Quando caiu, caiu sozinho – e passou rapidament­e à história.

5 O Vicente Pereira ganhou sete medalhas de ouro e uma de prata nas provas de natação dos Jogos Mundiais da Trissomia. Sou amigo dos pais do Vicente e sei o quanto eles, como o filho, merecem este sucesso. O Vicente foi o mais proeminent­e dos nossos representa­ntes, mas não foi o único a regressar a casa com mais do que a já de si fantástica participaç­ão nos Mundiais. A todos os Vicentes que representa­ram Portugal em Antalya: vocês são um exemplo, vocês são o nosso orgulho!

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