O Jogo

Balanços têm de incluir sustentabi­lidade

- Passe de Letra

Aentrarmos no último terço da época 2023/2024, começam a fazer-se alguns balanços. É certo que ainda muito se discute esta época, sendo que a luta pelo 4.º lugar com o nosso rival geográfico se afigura um dos pontos fortes deste campeonato. Geralmente os balanços de cada época fazem-se pela conquista ou não de títulos, pelas classifica­ções, etc. Mas, para quem trabalha no dia a dia de um clube ou de uma SAD, este tipo de balanço feito somente pelos fatores desportivo­s é algo redutor. O que adianta ganharmos um título se, na época ou épocas seguintes, descapital­izamos a SAD e descemos de divisão? O exemplo do Boavista vem sempre à memória: desde que foi campeão nacional, nunca mais se encontrou e passa hoje, ainda, por sérias dificuldad­es, que tornam o dia a dia de quem lá trabalha um verdadeiro calvário. Por isso, um balanço que se queira abrangente nunca poderá deixar de fora os aspetos ligados à sustentabi­lidade financeira e patrimonia­l do clube ou SAD. É certo que estes aspetos, por si só, tem um valor relativo, pois não são um fim em si mesmo, mas um meio para o sucesso desportivo. E é neste equilíbrio entre sustentabi­lidade patrimonia­l e sucesso desportivo que se devem fazer os balanços de cada época. E, nesta perspetiva, as coisas não estão a correr nada mal e o balanço final, se mantivermo­s, como esperamos, o 4.º lugar, a acrescer ao título já conquistad­o da Taça da Liga, será positivo. A jornada das

O que adianta ganharmos um título se, a seguir, descapital­izamos a SAD?

seleções demonstrou que os “ativos” bracarense­s estão em valorizaçã­o ascendente. Jogadores jovens, com grande margem de progressão desportiva e valorizaçã­o profission­al, asseguram a nossa sustentabi­lidade e a possibilid­ade de sucesso desportivo. Joe Mendes titularíss­imo na seleção sub-21 da Suécia, Rodrigo Zalazar parece ter pegado de estaca na seleção Uruguaia, Niakaté é escolha regular para o Mali, Hornicek chamado para a seleção checa. Além disso, Bruma marcou na Seleção Nacional e festejou com o seu rasgado e habitual sorriso. Se a isto juntarmos a ascensão de forma do jovem Roger, os jovens castelhano­s Abel Ruiz (cada vez mais seguro de si) e Víctor Gómez e mesmo o “semi-jovem” Banza, concluímos que o balanço da época é muito positivo. As vendas de Al Musrati e de Djaló, por muito que custem aos adeptos, inserem-se nesta lógica de equilíbrio entre sustentabi­lidade e sucesso desportivo, assegurand­o que, na próxima época, são mantidas as condições financeira­s para assegurar a competitiv­idade desportiva. Sobre Artur Jorge, de saída, escreverei na próxima crónica.

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