Ano Ze­ro

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Re­vo­lu­ção, evo­lu­ção, co­mer­ci­a­li­za­ção. São es­tas as três fa­ses de qual­quer tec­no­lo­gia de uso mas­si­fi­ca­do. Acon­te­ceu com a agri­cul­tu­ra, com os au­to­mó­veis, vi­a­gens aé­re­as e, ago­ra, com a In­ter­net. Ma­sa In­ter­net é di­fe­ren­te, por­que não se tra­ta de um pro­du­to que te­nha si­do pen­sa­do pa­ra ser em­ba­la­do e co­lo­ca­do em pra­te­lei­ras. É um es­pa­ço vir­tu­al – no sen­ti­do em que não é ma­te­ri­al – com uma im­por­tân­cia des­me­su­ra­da na vi­da pessoal, pro­fis­si­o­nal e so­ci­al de ca­da um de nós. É tam­bém o úni­co es­pa­ço on­de a con­cor­rên­cia é com­ple­ta­men­te livre e a li­ber­da­de de ex­pres­são e cri­a­ção é ili­mi­ta­da. Um tri­bu­nal ame­ri­ca­no to­mou uma de­ci­são sub­til que po­de dar de­ma­si­a­do poder aos do­nos das es­tra­das di­gi­tais. Em úl­ti­mo ca­so, uti­li­za­do­res e em­pre­sas po­dem ter de pa­gar – co­mo na TV por ca­bo – pa­ra ace­der a con­teú­dos an­te­ri­or­men­te “em si­nal aber­to”. As cha­ves da In­ter­net fi­cam na mão de meia dú­zia de em­pre­sas. Po­de pa­re­cer pou­co, mas não é. O intermediá­rio fi­ca com o poder de re­gu­lar o aces­so à to­ta­li­da­de da in­for­ma­ção e cha­má-la de “ne­gó­cio”. Pa­ra mim é cen­su­ra atra­vés de me­ca­nis­mos de mer­ca­do. Só qu­em pu­der pa­gar é que con­se­gui­rá che­gar a to­dos. E nem to­dos po­dem pa­gar. Es­ta apre­sen­ta­ção mos­tra bem o que po­de acon­te­cer: the­o­pe­nin­ter.net/. Pa­ra a mai­o­ria dos uti­li­za­do­res a Net é o Facebook, é uma es­pé­cie de cen­tro co­mer­ci­al e fei­ra de vai­da­des. Pa­ra os res­tan­tes, é o seu tra­ba­lho, a sua em­pre­sa, o seu es­pa­ço de ex­pres­são in­di­vi­du­al e de des­co­ber­ta. Com es­ta de­ci­são, tudo po­de fi­car em mãos alhei­as. Não bas­ta te­rem os nos­sos da­dos, não bas­ta o exa­ge­ro nos pre­ços das li­ga­ções. Que­rem lu­crar a par­tir do que é, ca­da vez mais, um bem es­sen­ci­al. É a vi­tó­ria da ga­nân­cia so­bre a par­ti­lha. Não po­de­mos acei­tar is­to: a In­ter­net, co­mo a co­nhe­ce­mos, foi fei­ta por to­dos pa­ra to­dos e, mes­mo com as gran­des em­pre­sas pe­lo meio, de­ve­mos man­tê-la as­sim, por­que é as­sim que fun­ci­o­na. Eu acre­di­to nos In­ter­nau­tas, em nós. É pre­ci­so es­co­lher o nosso la­do.

Es­te é o ano em que tudo se de­ci­de.

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