RE­LÓ­GI­OS IMPRUDENTE­MENTE IN­TE­LI­GEN­TES

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Há um ano estava ra­di­an­te com a mi­nha com­pra de Ve­rão: um Ap­ple Wat­ch man­da­do vir de Fran­ça, quan­do ain­da cá não exis­tia, com a aju­da de uma cúm­pli­ce que tem ca­sa ao pé dos Al­pes. E por fa­lar em Al­pes, o relógio da Ap­ple foi uma ver­da­dei­ra mon­ta­nha de emo­ções: eram as cha­ma­das no pul­so, as ca­lo­ri­as gas­tas, as no­ti­fi­ca­ções, os di­fe­ren­tes mos­tra­do­res, e, cla­ro, pas­sa­dos uns me­ses, um abor­re­ci­men­to de mor­te por usar is­to tu­do no pul­so. O relógio co­me­çou a fi­car em ca­sa e só o down­lo­ad de uma ou ou­tra app pa­ra iPho­ne, que pro­me­tia fa­zer ma­ra­vi­lhas sem olhar pa­ra o smartpho­ne, é que me fez an­dar dois ou três di­as com esta al­ge­ma de 400 euros de um la­do pa­ra o ou­tro. Mas foi quan­do co­me­cei a fa­zer des­por­tos aquá­ti­cos a sé­rio (natação, snor­ke­ling e body­bo­ard) que per­ce­bi a inu­ti­li­da­de do Ap­ple Wat­ch, pelo me­nos da ver­são que te­nho. Se já eram pou­cas as ve­zes que olha­va pa­ra o pul­so pa­ra ver se ain­da ti­nha ba­te­ria ou uma no­ti­fi­ca­ção im­por­tan­te, de­pois dis­to co­me­çou mes­mo a não jus­ti­fi­car a saí­da da cai­xa on­de pas­sou a fi­car ar­ru­ma­do. Além de não ser à pro­va de água (eu, pelo me­nos, não ar­ris­co) a bra­ce­le­te que te­nho pa­re­ce-me mui­to frá­gil pa­ra aguen­tar a for­ça das on­das ou o des­li­ze/bra­ça­das na pis­ci­na. En­ter­ra­do es­te pe­da­ço im­pru­den­te de tec­no­lo­gia we­a­ra­ble, ha­via a mis­são de pro­cu­rar um relógio mais ro­bus­to e ca­paz, mes­mo que não me ana­li­sas­se da­dos de natação (co­mo o Gar­min Swim). É in­crí­vel co­mo a mi­nha ideia de ‘relógio in­te­li­gen­te’ mu­dou com uma vi­si­ta a uma lo­ja de des­por­to. A car­tei­ra tam­bém agra­de­ceu: bas­ta­ram 40 euros pa­ra tra­zer de lá um Ca­sio cheio de ‘bips’ e ‘pips’, luz, fu­sos ho­rá­ri­os, es­tan­quei­da­de até 200 me­tros e uma pin­ta do ca­ra­ças, em la­ran­ja e pre­to. Tu­do fi­cou lo­go mui­to cla­ro pa­ra mim: não é a tec­no­lo­gia que faz os re­ló­gi­os in­te­li­gen­tes, é a si­tu­a­ção on­de os qu­e­re­mos usar.

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