PRI­VA­CI­DA­DE?

PC Guia - - ÍNDICE - PE­DRO TRÓIA Di­rec­tor

O re­cen­te es­cân­da­lo que en­vol­ve o rou­bo de in­for­ma­ção do Fa­ce­bo­ok por par­te da Cam­brid­ge Analy­ti­ca e a sub­se­quen­te pas­sa­gem des­sa in­for­ma­ção à cam­pa­nha de Do­nald Trump e à das for­ças pró-Bre­xit no re­fe­ren­do de 2016 para ma­ni­pu­lar o elei­to­ra­do não de­via ser no­tí­cia. Eu ex­pli­co: era sim­ples­men­te um de­sas­tre à es­pe­ra de acon­te­cer, uma da­que­las coi­sas que só quem não li­da co­mo o Fa­ce­bo­ok to­dos os di­as a ní­vel pro­fis­si­o­nal acha­ria im­pos­sí­vel. Há mui­to que es­ta re­de so­ci­al dá si­nais de que da in­for­ma­ção que re­co­lhe so­bre os uti­li­za­do­res es­tá ao Deus da­rá, por­que, ti­ran­do não con­se­guir sa­ber-se quem o “de­sa­min­ga” na re­de, as API do Fa­ce­bo­ok, que ser­vem para cri­ar apli­ca­ções que co­mu­ni­cam com a re­de so­ci­al, per­mi­tem ma­ni­pu­lar a in­for­ma­ção que lá es­tá de for­mas com­ple­ta­men­te ar­bi­trá­ri­as e sem hi­pó­te­se de con­tro­lo. Ao con­trá­rio do que acon­te­ce com o pro­ces­so de ve­ri­fi­ca­ção das apli­ca­ções para se­rem co­lo­ca­das na lo­ja Ap­ple, o pro­ces­so de ve­ri­fi­ca­ção de apli­ca­ções do Fa­ce­bo­ok é re­ac­ti­vo e não pre­ven­ti­vo. Ba­si­ca­men­te, faz-se a apli­ca­ção e, se nin­guém se quei­xar, es­tá tudo bem. Não sei se re­pa­rou na for­ma co­mo es­te rou­bo de da­dos foi de­tec­ta­do, mas foi ne­ces­sá­rio que um dos res­pon­sá­veis pe­lo su­ce­di­do te­nha aler­ta­do dois jor­nais, para que o ca­so ti­ves­se che­ga­do à opi­nião pú­bli­ca. Se o ti­po não ti­ves­se a cons­ci­ên­cia pe­sa­da a Cam­brid­ge Analy­ti­ca po­dia es­tar ain­da ale­gre­men­te a rou­bar da­dos e a ven­dê-los a quem des­se mais para ma­ni­pu­lar elei­ções. Qual é a li­ção a ti­rar dis­to? O gé­nio es­tá fo­ra da lâm­pa­da, o Fa­ce­bo­ok nun­ca mais vai ser o mes­mo e o po­vo tem de ter mais cui­da­do com o que pu­bli­ca, ao que re­a­ge e no que cli­ca nas re­des so­ci­ais. E o Fa­ce­bo­ok te­rá de fa­zer uma re­vi­são com­ple­ta da for­ma co­mo apro­va e per­mi­te o fun­ci­o­na­men­to de apli­ca­ções no seu sis­te­ma. Se so­bre­vi­ver a es­ta tem­pes­ta­de, Mark Zuc­ker­berg tem de per­ce­ber que já não es­tá no dor­mi­tó­rio da uni­ver­si­da­de a cri­ar uma re­de para en­ga­tar miú­das. Ago­ra a coi­sa é a sé­rio.

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