Ha­ja saú­de!

PC Guia - - ON - PEDRO ANICETO [email protected]

Nunca me pre­o­cu­pei mui­to com a mi­nha inha saú­de. Is­to, ho­je em dia, é quase tão gra­ve co­mo dizer que não se vai ao gi­ná­sio, que não se cor­re rre em par­ques e jar­dins ou que não se tem uma bi­ci­cle­ta. Con­fes­so. Ti­ve, há anos, uma pul­sei­ra de fit­ness. Du­ran­te me­ses sou­be ao de­ta­lhe qu­an­tos pas­sos da­va por dia, mas fal­tou-me a pa­ci­ên­cia pa­ra con­tar ca­lo­ri­as; mais a mais, mui­ta da mi­nha ali­men­ta­ção não cons­ta ain­da das ta­be­las das apps e cal­cu­lar o va­lor ca­ló­ri­co das mi­nhas san­duí­ches é coisa pa­ra ocu­par o CERN du­ran­te me­ses…

Mas a in­dús­tria é ine­xo­rá­vel. À mi­nha fren­te te­nho um con­jun­to de sen­so­res e gadgets que fa­ri­am in­ve­ja a um pe­que­no hospital dis­tri­tal. Ter­mó­me­tros que lêem a mi­nha tem­pe­ra­tu­ra cor­po­ral sem me to­car, ba­lan­ças que fa­lam com o meu mé­di­co nas mi­nhas costas, até um ma­ra­vi­lho­so equi­pa­men­to portátil de elec­tro car­di­o­gra­ma que dei­xou es­tar­re­ci­do um pro­fis­si­o­nal mé­di­co. Sen­so­res de ra­di­a­ção so­lar. De di­a­be­tes. Con­tro­la­do­res da mi­nha qua­li­da­de de so­no. Até um des­per­ta­dor ol­fac­ti­vo. Des­con­fio de que es­tou a dar mais da­dos à Ap­ple so­bre mim que os que dou ao meu mé­di­co as­sis­ten­te.

Nunca fui hi­po­con­dría­co, mas nos úl­ti­mos di­as li mais so­bre ten­são ar­te­ri­al que no res­to da mi­nha vi­da. E re­ceio que to­da es­ta pres­são do mer­ca­do pa­ra que eu se­ja um check-up am­bu­lan­te me ve­nha a dar ca­bo dos ner­vos e con­se­quen­te­men­te a pi­o­rar os meus ní­veis de po­tás­sio.

Em termos de in­dús­tria de saú­de, no que a com­ple­men­tos de hard­ware diz res­pei­to, pro­gre­diu-se imen­so, ha­ven­do so­lu­ções de mo­ni­to­ri­za­ção pa­ra quase to­do o gé­ne­ro de ques­tões de saú­de. E no campo do fit­ness ti­ra-se mui­to par­ti­do da per­for­man­ce, ex­plo­ra-se (e mui­to) a ex­po­si­ção de tem­pos, mar­cas ou pro­gres­sos. Qu­em é que ain­da não in­vec­ti­vou aque­le amigo que in­sis­te em con­tar a sua cor­ri­da em de­ta­lhe?

Ho­je em dia podemos sa­ber tu­do so­bre a nos­sa saú­de. Por­ven­tu­ra até de­ma­si­a­do. Não quer dizer que não se mor­ra na mesma, mas ao me­nos um ti­po fa­le­ce de­vi­da­men­te in­for­ma­do. E po­de pu­bli­car a fla­tli­ne do ba­ti­men­to car­día­co no Facebook. Ain­da ren­de uns li­kes.

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