Um ape­te­cí­vel oá­sis na ari­dez al­gar­via

Publico - Fugas - - MARISQUEIRA RUI - Jo­sé Au­gus­to Mo­rei­ra

É uma re­fe­rên­cia em ma­ris­cos e pei­xes fres­cos. Num es­ti­lo bem por­tu­guês, e sem ce­dên­ci­as aos gos­tos ou cos­tu­mes dos tu­ris­tas

Mes­mo não es­tan­do à bei­ra­mar plan­ta­da, é o ar do mar e a bri­sa ma­ri­nha que atrai a cli­en­te­la à Ma­ris­quei­ra Rui. Em Sil­ves, à som­bra do ve­lho cas­te­lo — que foi vi­si­go­do, ro­ma­no e mou­ro an­tes de lu­si­ta­no —, do­mi­na o ar cá­li­do das ter­ras se­cas do in­te­ri­or, que nem as águas do Ara­de con­se­guem amai­nar com o seu dé­bil cur­so, e é o aro­ma ma­ri­nho, a fres­cu­ra de pei­xes e ma­ris­cos e a cer­ve­ja ge­la­da que fa­zem da ve­lha ma­ris­quei­ra um ape­te­cí­vel oá­sis no meio da ari­dez.

É as­sim há mais de 40 anos. Mes­mo an­tes da mas­si­fi­ca­ção tu­rís­ti­ca e do cor­ru­pio de ve­ra­neio que a ca­sa é uma re­fe­rên­cia pa­ra ma­ris­cos e pei­xes fres­cos. “So­mos sem dú­vi­da uma das ma­ris­quei­ras mais co­nhe­ci­das e apre­ci­a­das no país e em to­da a re­gião al­gar­via”, as­sim se apre­sen­ta.

E tal­vez por is­so se­ja ain­da um dos ra­ros res­tau­ran­tes do Al­gar­ve que não vi­ve da sa­zo­na­li­da­de nem se adap­tou aos gos­tos e cos­tu­mes dos tu­ris­tas. Bem pe­lo con­trá­rio. São eles que se afei­ço­am ao es­ti­lo bem por­tu­guês da ma­ris­quei­ra, com ba­se no pro­du­to fres­co e ma­ni­pu­la­ção mí­ni­ma, ser­vi­ço di­nâ­mi­co e des­pa­cha­do, cer­ve­ja a co­po de pro­du­ção na­ci­o­nal e vi­nhos na mes­ma li­nha.

Pe­los vis­tos, não só se adap­tam co­mo ade­ri­ram, já que não são ra­ras as aglo­me­ra­ções à es­pe­ra de me­sa, ape­sar das três sa­las que po­dem aco­lher à von­ta­de cen­te­na e meia de co­men­sais.

Tem tam­bém a van­ta­gem de se si­tu­ar nu­ma rua sem trân­si­to, com uma es­pla­na­da que mes­mo no pi­co do Ve­rão con­se­gue es­tar abri­ga­da à som­bra do pré­dio lo­go des­de a ho­ra de al­mo­ço.

A ma­re­sia ab­sor­ve-se lo­go à en­tra­da com o gran­de aquá­rio que acom­pa­nha a pa­re­de on­de bor­bu­lha gran­de va­ri­e­da­de de ma­ris­cos. A fres­cu­ra pro­lon­ga-se pe­lo bal­cão de fun­do que li­ga as du­as sa­la prin­ci­pais com as su­as vi­tri­nas a exi­bir pei­xes fres­cos e con­vi­da­ti­vos ca­ma­rões, per­ce­bes, bú­zi­os, bru­xas, la­gos­tins e que­jan­dos.

A cer­ve­ja jor­ra em per­ma­nên­cia das tor­nei­ras ins­ta­la­das no bal­cão e pa­re­ce ha­ver uma re­gra que faz com que os di­li­gen­tes fun­ci­o­ná­ri­os não dei­xem que al­gu­ma vez os co­pos fi­quem va­zi­os nas me­sas. Eles re­põem mes­mo que não ha­ja pe­di­do ex­pres­so.

Pa­ra re­for­çar a sen­sa­ção fres­ca, tam­bém as pa­re­des es­tão for­ra­das com cor­ti­ça a meia-al­tu­ra e com pra­te­lei­ras no to­po exi­bin­do al­gu­mas re­lí­qui­as vi­ní­co­las, a ates­tar a pu­jan­ça e lon­ge­vi­da­de da ca­sa.

Me­sas com to­a­lhas de pa­pel so­bre a co­ber­tu­ra de al­go­dão ama­re­lo, am­bi­en­te sim­ples e ser­vi­ço des­pa­cha­do, co­mo é tim­bre des­te es­ti­lo de ca­sas. Com a car­ta che­ga tam­bém ces­ti­nho com pão tor­ra­do e man­tei­ga e um pi­res de mai­o­ne­se. Tam­bém compôs com cer­ve­ja ge­la­da ain­da an­tes de qual­quer pe­di­do.

A par da lon­ga lis­ta de ma­ris­cos, a car­ta ofe­re­ce tam­bém uma dú­zia de pra­tos com pei­xes fres­cos, seis “es­pe­ci­a­li­da­des” e uma de­ze­na de pra­tos de car­ne, on­de não fal­tam os ba­ca­lhaus (gre­lha­do ou co­zi­do com grão), os bi­fes, cos­te­le­ta e tor­ne­dó e a ine­vi­tá­vel car­ne de por­co com amêi­jo­as. As do­ses va­ri­am en­tre os 12€ e os 16€.

As “es­pe­ci­a­li­da­des”, com um tem­po de pre­pa­ra­ção de meia ho­ra e sem­pre em do­se du­pla, in­clu­em as ca­ta­pla­nas (peixe ou amêi­jo­as) e os ar­ro­zes ou mas­sa­das que po­dem ser de peixe, ma­ris­cos, la­va­gan­te ou tam­bo­ril com na­va­lhei­ra, a pre­ços que ron­dam os 30€, com a ex­cep­ção do la­va­gan­te, que du­pli­ca.

É cla­ro que é so­bre­tu­do pe­los ma­ris­cos fres­cos que a cli­en­te­la ocu­pa o gros­so dos lu­ga­res da ma­ris­quei­ra. A lis­ta alon­ga-se por mais de du­as de­ze­nas de in­di­ca­ções, des­fi­an­do con­qui­lhas, amêi­jo­as, os­tras, bú­zi­os, ca­ni­lhas, ca­ma­rões, per­ce­ves, sa­pa­tei­ras, san­to­las, la­gos­ta, la­gos­tim, ca­va­co, la­va­gan­te, na­va­lhei­ras e as bru­xas, que por aqui são bap­ti­za­das de fer­rei­ri­nhas. Há de tu­do, co­mo se vê, e com pre­ços ao qui­lo e há cer­ca de três se­ma­nas po­di­am ir dos 30€ (per­ce­ves) aos 100€ (la­gos­ta).

Co­me­ça­mos pre­ci­sa­men­te pe­las per­ce­ves, e não só pe­lo pre­ço. An­tes por­que se mos­tra­vam fresquís­si­mas, com bri­sa ma­ri­nha e resquí­ci­os de plânc­ton e das pe­dras de on­de fo­ram ar­ran­ca­das.

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