Um be­lís­si­mo bran­co do “ve­lho” Alen­te­jo

Publico - Fugas - - VINHOS -

Uma das coi­sas bo­as do res­sur­gi­men­to dos vi­nhos de ta­lha no Alen­te­jo é a re­cu­pe­ra­ção de al­gu­mas cas­tas tra­di­ci­o­nais que ti­nham caí­do em de­su­so, em de­tri­men­to de cas­tas es­tran­gei­ras e ou­tras na­ci­o­nais sem vín­cu­lo à re­gião. Va­ri­e­da­des co­mo Mo­re­to e Tin­ta Gros­sa, nos tin­tos, e Per­rum, Rabo de Ove­lha e Man­teú­do, nos bran­cos, es­tão a ga­nhar uma no­va opor­tu­ni­da­de com os vi­nhos fei­tos em ân­fo­ras de bar­ro pe­la no­va ge­ra­ção de pro­du­to­res alen­te­ja­nos. Po­de ser ape­nas uma mo­da, mas a se­men­te es­tá lan­ça­da e tan­to os vi­nhos do Alen­te­jo co­mo o con­su­mi­dor só têm a ga­nhar com es­tes “no­vos” vi­nhos.

Só têm a ga­nhar por­que, re­gra ge­ral, são vi­nhos mui­tos bons e fo­ra do es­ti­lo mais in­ter­na­ci­o­nal que, de uma ma­nei­ra ge­ral, o Alen­te­jo vi­nha a tri­lhar, so­bre­tu­do nos bran­cos, mui­to tec­no­ló­gi­cos e a pu­xar pa­ra o fru­ta­di­nho. Bas­ta pro­var es­te Her­da­de do Ro­cim Ampho­ra 2017. Aro­ma­ti­ca­men­te, é uma de­lí­cia e es­tá a anos-luz des­ses bran­cos mais tro­pi­cais. Faz lem­brar cer­tos for­ti­fi­ca­dos, por al­gu­mas no­tas de evo­lu­ção. Co­mo o vi­nho fer­men­tou em ân­fo­ras de bar­ro sem con­tro­lo de tem­pe­ra­tu­ra (e de for­ma es­pon­tâ­nea, sem adi­ção de le­ve­du­ras se­lec­ci­o­na­das), per­deu al­gu­ma fru­ta, ga­nhan­do, em con­tra­par­ti­da, no­tas mais es­pe­ci­a­das e ve­ge­tais. Quan­do le­va­mos ao na­riz, re­me­te-nos, de ime­di­a­to, pa­ra os vi­nhos de Xe­rez, por exem­plo, o que po­de ser ex­pli­ca­do pe­la pre­sen­ça no lo­te da cas­ta Per­rum, que não é mais do que a Pa­lo­mi­no Fi­no, a va­ri­e­da­de mais uti­li­za­da na­que­la re­gião es­pa­nho­la. Na bo­ca é um bran­co le­ve de ál­co­ol, li­gei­ra­men­te api­men­ta­do e com uma se­cu­ra for­mi­dá­vel.

Só por res­pei­tar a ve­lha tra­di­ção alen­te­ja­na já me­re­cia to­dos os elo­gi­os. Mas, além dis­so, é um vi­nho be­lís­si­mo e cheio de ca­rác­ter, da­que­les que nos dão re­al­men­te pra­zer a be­ber. Va­le a pe­na co­nhe­cer, nem que se­ja só pa­ra per­ce­ber co­mo cas­tas fo­ra de mo­da mas bem adap­ta­das à re­gião, em par­ti­cu­lar à Vi­di­guei­ra, po­dem ori­gi­nar vi­nhos mui­to bons e dis­tin­tos. Pe­dro Gar­ci­as

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