O me­lhor da al­deia está no cen­tro da cidade

Publico - Fugas - - A TABERNA - Jo­sé Au­gus­to Moreira

Com for­no a le­nha, pro­du­tos de qua­li­da­de e a mes­tria do pro­pri­e­tá­rio/ co­zi­nhei­ro, es­te é um dos he­rói­cos ba­lu­ar­tes da co­zi­nha tra­di­ci­o­nal

O no­me até po­de en­ga­nar, mas bas­ta en­trar na sa­la, ver o for­no a ar­der e sen­tir os aro­mas para lo­go se ter a cer­te­za de que es­te é o lu­gar cer­to. Não, não é a ta­ber­na que se anun­cia, mas an­tes o res­tau­ran­te tra­di­ci­o­nal que tam­bém é in­di­ca­do na apre­sen­ta­ção.

Tão tra­di­ci­o­nal que até tem ao fun­do a bra­sei­ra e o for­no a ar­der, on­de são con­fec­ci­o­na­dos os pra­tos mais sa­bo­ro­sos e em­ble­má­ti­cos do res­tau­ran­te. Tam­bém à vis­ta, e sem qual­quer bar­rei­ra a se­pa­rar da sa­la, lá está igual­men­te o im­po­nen­te fo­gão e a fi­gu­ra de Gil Duarte, o pro­pri­e­tá­rio e co­zi­nhei­ro que é a al­ma des­te tem­plo de co­zi­nha tra­di­ci­o­nal há qua­se 30 anos mon­ta­do em ple­no cen­tro da cidade.

Um re­po­si­tó­rio da tra­di­ção que não se fi­ca pela co­zi­nha de for­no, as re­cei­tas ou a es­co­lha dos pro­du­tos. O am­bi­en­te é tam­bém o de uma co­zi­nha bei­rã, com o for­no a cre­pi­tar e a bra­sei­ra in­can­des­cen­te ali ao lado da me­sa, as paredes co­ber­tas com azu­le­jos, ape­tre­chos de la­vou­ra e de co­zi­nhas de al­deia pen­du­ra­dos, e até um ar­co cen­tral em pe­dra de gra­ni­to.

Am­bi­en­te quen­te e con­vi­da­ti­vo, por­tan­to, mas nem por is­so aque­ci­do ou con­ta­mi­na­do por fu­mos ou chei­ros. Até nis­so a qua­li­da­de é lo­go tam­bém per­cep­tí­vel!

E nem é pre­ci­so con­sul­tar a lis­ta com de­ta­lha­da apre­sen­ta­ção de alguns pra­tos tra­di­ci­o­nais, que lo­go fi­ca­mos ren­di­dos pelo pão e azei­to­nas que são co­lo­ca­dos na me­sa. Pão mé­dio — ti­po sê­mea — em fa­ti­as, à ba­se de cen­teio e de mi­o­lo fo­fo e sa­bo­ro­so, cros­ta cro­can­te e es­ta­la­di­ça que, à mo­da da al­deia, é ser­vi­do nu­ma mal­ga de loi­ça co­lo­ri­da.

A ofer­ta de­can­ta-se por uma sé­rie de pro­du­tos e pra­tos da co­zi­nha de me­mó­ria, que na sua mai­o­ria re­me­tem para a tra­di­ção bei­rã. Mor­ce­la, mi­gas, co­gu­me­los, cabrito, chan­fa­na, vitela à La­fões ou con­ser­va de por­co, mas tam­bém pos­ta à mi­ran­de­sa, pol­vo e ba­ca­lhau grelhados, pe­zi­nhos de co­en­tra­da ou pa­ta­nis­cas de ba­ca­lhau.

E pe­ran­te o am­bi­en­te, a mes­tria e o por­te se­gu­ro com que Gil Duarte se mo­vi­men­ta en­te o for­no e o fo­gão, a sen­sa­ção é de opor­tu­ni­da­de per­di­da pe­ran­te tu­do aqui­lo que não con­se­guir­mos pro­var.

Das en­tra­das, pro­va­ram-se en­tão os co­gu­me­los sel­va­gens (5,50€), a mor­ce­la com gre­los (3,50€) e os ovos que­bra­dos (5,50€). De­li­ci­o­sos os co­gu­me­los pleu­ro­tus, en­ri­que­ci­dos por um mo­lho de alho e sal­sa e sábio q.b. de vi­na­gre. Da mes­ma for­ma os ovos que­bra­dos, gros­sei­ra­men­te

FOTOS: PAU­LO PI­MEN­TA

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