Mu­lhe­res e cri­an­ças avan­çam pa­ra as em­bar­ca­ções pa­ra se­lec­ci­o­nar e trans­por­tar o pei­xe, mi­lha­res de gai­vo­tas en­chem o céu já par­da­cen­to

Publico - Fugas - - GÂMBIA -

ou no ex­te­ri­or, com as cri­an­ças que me olha­vam co­mo uma es­pé­cie em vi­as de ex­tin­ção, fui es­pe­ran­do que che­gas­se o com­bus­tí­vel que nos per­mi­ti­ria par­tir.

Ho­ras de es­pe­ra.

A meio da tar­de, fi­nal­men­te, es­cu­tei o ruí­do do mo­tor. Anun­ci­a­va-se um pôr de Sol má­gi­co, uma ou du­as ho­ras após a par­ti­da. De re­pen­te, o si­lên­cio no meio da­que­la vas­ti­dão. Aca­ba­ra a ga­so­li­na e o bar­co na­ve­ga­va ago­ra, já a noi­te caí­ra, ao sa­bor da ma­ré e do ven­to, em­ba­ten­do con­tra os ra­mos das ár­vo­res nas mar­gens. Eu te­mia tam­bém os mos­qui­tos, tal­vez até mais do que os cro­co­di­los ou os hi­po­pó­ta­mos. Um ou ou­tro bar­co cru­za­va-se con­nos­co mas nin­guém po­dia dis­po­ni­bi­li­zar com­bus­tí­vel. Os ruí­dos da noi­te tor­na­vam-se ca­da vez mais as­sus­ta­do­res. Aca­bei por ador­me­cer no con­vés, ta­pa­do com uma man­ta da ca­be­ça aos pés. Quan­do acor­dei, ao nas­cer do sol, o bar­co es­ta­va atra­ca­do na mar­gem do rio, em Ge­or­ge­town, não mui­to lon­ge do ho­tel que me de­via ter aco­lhi­do nes­sa noi­te, o aju­dan­te ain­da dor­mia e o ca­pi­tão já es­ta­va, pro­va­vel­men­te, em ca­sa. Pas­sei o res­to do dia em Sanyang, na praia, a pou­cos me­tros de ho­lan­de­sas, bel­gas e ale­mãs que se dei­xa­vam se­du­zir por jo­vens, co­mo num jo­go de da­mas. Avan­çam as bran­cas?

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