Qua­tro ros­tos, qua­tro mo­men­tos a não per­der

Publico - Fugas - - NATIONAL GEOGRAPHIC EXODUS AVEIRO FEST -

O que é ser Hu­ma­no?

Yann Arthus-Ber­trand en­sai­ou uma res­pos­ta num do­cu­men­tá­rio que as­si­nou com es­se no­me, Hu­ma­nos.

Pas­sou três anos a co­lec­ci­o­nar his­tó­ri­as da vi­da re­al, en­tre­vis­tan­do mais de dois mil ho­mens e mu­lhe­res de mais de 60 paí­ses. O re­sul­ta­do são re­la­tos pes­so­ais, mui­tos de­les emo­ci­o­nais, que abor­dam te­mas que nos unem a to­dos: o amor, a guer­ra, a ho­mo­fo­bia, a po­bre­za, a di­ver­si­da­de, o amor (ou­tra vez) e a felicidade que to­dos, afi­nal, pro­cu­ram.

Arthus-Ber­trand de­fen­de que a úni­ca ma­nei­ra de pôr as pes­so­as a pen­sar é atra­vés das emo­ções, do co­ra­ção. O do­cu­men­tá­rio, es­tre­a­do em 2015, mos­tra-nos is­so: mais im­por­tan­te do que as pai­sa­gens (elas apa­re­cem, a lar­gos in­ter­va­los), é ou­vir as pes­so­as. O ce­ná­rio é um fun­do ne­gro. É a me­lhor for­ma de so­bres­sair o sor­ri­so, o olhar, as emo­ções de ca­da uma das pes­so­as que ali vai fa­lar um pou­co de si.

An­tes de Hu­man, hou­ve Ho­me,

um do­cu­men­tá­rio com pai­sa­gens aé­re­as que re­ve­la co­mo é o pla­ne­ta, a nos­sa ca­sa. De­pois de Ho­me há Wo­man, uma vi­são do mun­do atra­vés das mu­lhe­res. Yann Arthus -Ber­trand vai ser Per­so­na­li­da­de do Ano Exo­dus, e a en­tre­ga des­ta ho­me­na­gem se­rá um dos pon­tos al­tos da edi­ção des­te ano do Na­ti­o­nal Ge­o­graphic Exo­dus Avei­ro Fest. Com ele a or­ga­ni­za­ção pre­ten­de “re­tri­buir e ho­me­na­ge­ar a en­tre­ga e o tra­ba­lho de­di­ca­do a cau­sas e à ins­pi­ra­ção da des­co­ber­ta atra­vés do mun­do da fo­to­gra­fia e do ví­deo”. te. Mo­vem-no pro­ble­mas de ca­riz am­bi­en­tal e pro­jec­tos de im­pac­to so­ci­al. Abor­da-os le­van­do o sur­re­a­lis­mo à fo­to­gra­fia, mis­tu­ran­do ce­ná­ri­os re­ais com uma boa do­se de fic­ção e o re­sul­ta­do é sem­pre sur­pre­en­den­te. Ca­da ima­gem de Von Wong tem por trás, ne­ces­sa­ri­a­men­te, uma in­crí­vel his­tó­ria pa­ra con­tar. O story­tel­ling que o en­ge­nhei­ro de mi­nas que se de­di­cou à fo­to­gra­fia a tem­po in­tei­ro ape­nas em 2012 vai le­var ao pal­co do Cen­tro de Con­gres­sos de Avei­ro te­rá de ser um dos pon­tos al­tos des­tes Na­ti­o­nal Ge­o­graphic Exo­dus Avei­ro Fest.

Sem sa­ber qu­ais dos seus mui­tos pro­jec­tos es­co­lheu pa­ra fa­zer a apre­sen­ta­ção em Avei­ro, sa­be­mos que tem mui­to por on­de op­tar. Se­ja com as to­ne­la­das de rou­pa que en­con­trou nu­ma fá­bri­ca aban­do­na­da no Cam­bo­ja e com as qu­ais cons­truiu ce­ná­ri­os a cha­mar a aten­ção pa­ra a po­lui­ção e pa­ra o de­se­qui­lí­brio pro­vo­ca­da pe­lo con­su­mo em mas­sa. Ou com pro­jec­tos co­mo #Mer­maidsHa­teP­las­tic, on­de fo­to­gra­fa uma se­reia e 10.000 gar­ra­fas de plás­ti­co, ou #RethinkRecy­cleRe­vi­ve, com li­xo elec­tró­ni­co. E se a for­ma­ção em en­ge­nha­ria de mi­nas lhe ser­viu pa­ra al­gu­ma coi­sa, de­ve ter si­do pa­ra dar res­pos­ta téc­ni­ca aos com­ple­xos ce­ná­ri­os que cons­trói pa­ra fa­zer as su­as fo­to­gra­fi­as. o Ki­li­man­ja­ro (Lil­li­a­na e o pai su­bi­ram-no quan­do ela ti­nha ape­nas 12 anos).

O le­ma de Mi­ke Li­bec­ki é o de que a pai­xão de­ve es­tar em to­das as coi­sas, sem tra­vão (é ou­vi-lo na TEDx Talk in­ti­tu­la­da “Why Ra­ti­on Pas­si­on? (Por­que Ra­ci­o­nar a Pai­xão?”), on­de dis­ser­ta que o se­gre­do do su­ces­so é a pa­ci­ên­cia e o op­ti­mis­mo, sem­pre. A fi­lha, cla­ro, sai ao pai. Cri­ou uma as­so­ci­a­ção sem fins lu­cra­ti­vos, a The Joyi­ne­e­ring Fund, com o ob­jec­ti­vo de re­tri­buir ao pla­ne­ta aqui­lo que ele nos dá. Com os do­na­ti­vos que re­ce­beu já ins­ta­lou ener­gia so­lar no Pe­ru, Ne­pal e Tan­zâ­nia e me­lho­rou a edu­ca­ção em es­co­las, or­fa­na­tos e mos­tei­ros. O fo­tó­gra­fo dos me­ga­pro­jec­tos e dos lu­ga­res re­mo­tos

Elen­car o nú­me­ro de ve­zes que ga­nhou pré­mi­os in­ter­na­ci­o­nais de fo­to­gra­fia de vi­a­gem se­ria can­sa­ti­vo, men­ci­o­nar as ve­zes que es­te­ve no­me­a­do é ex­te­nu­an­te. Os pré­mi­os não di­zem tu­do, mas di­zem mui­to da qua­li­da­de do tra­ba­lho des­te fo­tó­gra­fo bri­tâ­ni­co, ba­cha­rel em zo­o­lo­gia e que te­ve o seu pri­mei­ro pro­jec­to de re­por­ta­gem anu­al pu­bli­ca­do, quan­do acom­pa­nhou um com­boio de aju­da hu­ma­ni­tá­ria à Bós­nia. Aca­bou por fi­car co­nhe­ci­do co­mo o fo­tó­gra­fo das po­pu­la­ções in­dí­ge­nas e dos lu­ga­res re­mo­tos, de­pois de ter fei­to co­ber­tu­ra de his­tó­ri­as glo­bais, co­mo a guer­ra ci­vil nas re­mo­tas ilhas das Es­pe­ci­a­ri­as do Ex­tre­mo Ori­en­te da In­do­né­sia ou a bi­zar­ra sub­cul­tu­ra dos cam­pe­o­na­tos mun­di­ais de ta­xi­der­mia (ani­mais em­bal­sa­ma­dos), ou, mais re­cen­te­men­te, pro­jec­tos no Árc­ti­co, em flo­res­tas tro­pi­cais e lo­cais re­mo­tos do de­ser­to.

Ac­tu­al­men­te, é so­bre­tu­do (re)co­nhe­ci­do por ser o fo­tó­gra­fo de ser­vi­ço do me­ga­pro­jec­to le­va­do a ca­bo pe­la BBC, o pro­gra­ma Hu­man Pla­net, fil­ma­do em mais de 40 paí­ses. Du­ran­te dois anos, Ti­mothy Al­len foi res­pon­sá­vel pe­la fo­to­gra­fia des­ta pro­du­ção, al­go que acon­te­ceu num al­tu­ra em que as pri­mei­ras má­qui­nas DSLR co­me­ça­ram a adop­tar as ca­pa­ci­da­des de fil­me al­ta de­fi­ni­ção.

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